Skip to content
É profissional de Marketing, terapeuta integrativa e escritora e pode lhe ajudar a deixar a maternidade mais leve!

O dia em que travei e o que aprendi sobre abraçar meus limites

Imagem por Drazen Zigic em Freepik

Quando silenciamos o ruído interno, as respostas vêm, as soluções aparecem e a vida encontra um jeito de se reorganizar

As últimas semanas chegaram até mim de um jeito que nenhum planejamento seria capaz de prever. Aceitei um novo trabalho há dois meses, uma oportunidade que eu precisava, pois mesmo com todos os meus outros trabalhos onde cuido das redes sociais de algumas empresas e mantenho meus atendimentos das terapias holísticas, as contas de uma mãe solo insistem em não fechar sozinhas. E eu estava no modo “só vai”.

O que eu não podia antecipar era como meu corpo e mente reagiriam ao peso de uma rotina que exigia de mim mais do que eu tinha para dar. Comecei a notar os sinais, primeiro sutis, depois gritantes: a comida queimando no fogão quase todos os dias, as idas ao supermercado que terminavam comigo esquecendo metade da lista, e pequenas falhas no trabalho, coisas que eu normalmente não esqueceria, mas nas quais não estava conseguindo me concentrar.

Era a exaustão mental se manifestando. Um cansaço que não era apenas físico, era da alma. As noites passaram a ser acompanhadas de insônia, e as manhãs, de crises de ansiedade antes mesmo de abrir o notebook. O simples ato de iniciar o ‘modo atendimento’ para os clientes se tornou um fardo pesado, uma autocobrança.


Imagem em Freepik

Até que um dia, logo ao acordar, depois de cometer mais um esquecimento, eu travei. Sentei e chorei. Chorei como há muito tempo não chorava. Não abri a janela do quarto e não consegui voltar ao trabalho. Era o meu organismo, minha psique, minha essência, dizendo ‘chega’. Naquele momento, a única coisa que minha mente pedia era silêncio. Um alívio da pressão constante.

Foi quando tomei uma das decisões mais difíceis e necessárias dos últimos tempos: liguei para o dono da empresa e fui honesta. Expliquei que estava sobrecarregada, que estava tentando, mas que não estava conseguindo entregar o meu melhor. Aquela não era eu. Confessei minhas falhas, minhas limitações. E, para minha surpresa, a resposta foi de compreensão.

Aceitar que não podemos abraçar o mundo, mesmo quando a necessidade financeira aperta, é um dos aprendizados mais dolorosos e libertadores que uma mulher e mãe pode ter. Foi preciso olhar para o meu corpo – o físico, o mental, o emocional e o espiritual – e reconhecer que eles estavam pedindo socorro.

E então, eu recuei. A decisão veio acompanhada da culpa, é claro. A voz que sussurra ‘você devia ter dado conta’, ‘você é a mulher forte que todos falam’. Porém não preciso ser forte o tempo todo. E foi nesse momento de fragilidade que encontrei o segredo: o silêncio. Me permiti parar, olhar de fora como se fosse uma amiga me contando sua história e esperar a poeira baixar. E, como sempre acontece, ela baixou.


Imagem por Look Studio em Freepik

Quando silenciamos o ruído interno, as respostas vêm, as soluções aparecem e a vida encontra um jeito de se reorganizar.

Hoje, penso no que aconteceu e vejo que aquele ‘travamento’ não foi um fracasso. Foi um pedido de socorro do meu corpo que acendeu uma luz e virou recomeço. É um lembrete de que a verdadeira força não está em aguentar tudo calada para parecer forte ou autossuficiente sempre, mas em ouvir o grito dos nossos limites e ter a coragem de honrá-los e respeitá-los, prontas para recomeçar!

Publicidade | Dolce Morumbi®

Publicidade | Dolce Morumbi®

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Gisele Ribeiro é profissional de marketing, terapeuta integrativa e autora do livro Diário de uma mãe nada especial – Desmistificando a mãe idealizada no qual compartilha detalhes íntimos da sua trajetória na maternidade e como isso mudou sua, principalmente a profissional.

Demais Publicações

Outubro, o mês da fênix

Em outubro, renasço mais forte e escolho relações que me fazem bem

Enquanto a empresa ou a campanha decide o que fazer, a internet continua

Não basta estar preparado para falar; é preciso estar preparado para perceber quando a conversa mudou

Fé na fé

Acompanhada de consciência, responsabilidade e ação, a fé pode ser exatamente o que nos faz dar o próximo passo no mundo com tantas certezas imperfeitas

Por que aceitar as mudanças?

O encontro entre a Terapia Cognitivo-Comportamental e Jung sobre a arte de se transformar

Viagens para quem não gosta de viajar

Para quem sempre preferiu ficar em casa, a melhor viagem pode ser justamente aquela que não parece ser uma

Recém-formados

Não sei exatamente como devemos nos comportar aos 70; até hoje ninguém me entregou o manual

Projeto Luxúria celebra 20 anos como pioneiro da cena fetichista brasileira

Criado por Heitor Werneck em 2006, projeto chega às duas décadas com edição especial no dia 24 de outubro, reafirmando seu papel na popularização do fetiche e do BDSM no Brasil

Como a excelência conduz à verdadeira elegância para sua marca ser lembrada?

A elegância no mercado não é apenas estética superficial; ela é a consequência direta da excelência nos detalhes, no gesto, no atendimento e na contenção

Depois dos 50, o amor precisa de um bom advogado (e de limites claros)

Porque o verdadeiro romance na maturidade não nasce da carência, mas da coragem de ter conversas difíceis

Painel Dolce Morumbi

As Mais lidas da Semana

Publicidade Dolce Morumbi

dolce-mulher-publ-22-segredos-da-mulher-confiante-post-inst
PlayPause
previous arrow
next arrow
arte-painel-dolce-abtours_1_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

Seções