As últimas semanas chegaram até mim de um jeito que nenhum planejamento seria capaz de prever. Aceitei um novo trabalho há dois meses, uma oportunidade que eu precisava, pois mesmo com todos os meus outros trabalhos onde cuido das redes sociais de algumas empresas e mantenho meus atendimentos das terapias holísticas, as contas de uma mãe solo insistem em não fechar sozinhas. E eu estava no modo “só vai”.
O que eu não podia antecipar era como meu corpo e mente reagiriam ao peso de uma rotina que exigia de mim mais do que eu tinha para dar. Comecei a notar os sinais, primeiro sutis, depois gritantes: a comida queimando no fogão quase todos os dias, as idas ao supermercado que terminavam comigo esquecendo metade da lista, e pequenas falhas no trabalho, coisas que eu normalmente não esqueceria, mas nas quais não estava conseguindo me concentrar.
Era a exaustão mental se manifestando. Um cansaço que não era apenas físico, era da alma. As noites passaram a ser acompanhadas de insônia, e as manhãs, de crises de ansiedade antes mesmo de abrir o notebook. O simples ato de iniciar o ‘modo atendimento’ para os clientes se tornou um fardo pesado, uma autocobrança.

Até que um dia, logo ao acordar, depois de cometer mais um esquecimento, eu travei. Sentei e chorei. Chorei como há muito tempo não chorava. Não abri a janela do quarto e não consegui voltar ao trabalho. Era o meu organismo, minha psique, minha essência, dizendo ‘chega’. Naquele momento, a única coisa que minha mente pedia era silêncio. Um alívio da pressão constante.
Foi quando tomei uma das decisões mais difíceis e necessárias dos últimos tempos: liguei para o dono da empresa e fui honesta. Expliquei que estava sobrecarregada, que estava tentando, mas que não estava conseguindo entregar o meu melhor. Aquela não era eu. Confessei minhas falhas, minhas limitações. E, para minha surpresa, a resposta foi de compreensão.
Aceitar que não podemos abraçar o mundo, mesmo quando a necessidade financeira aperta, é um dos aprendizados mais dolorosos e libertadores que uma mulher e mãe pode ter. Foi preciso olhar para o meu corpo – o físico, o mental, o emocional e o espiritual – e reconhecer que eles estavam pedindo socorro.
E então, eu recuei. A decisão veio acompanhada da culpa, é claro. A voz que sussurra ‘você devia ter dado conta’, ‘você é a mulher forte que todos falam’. Porém não preciso ser forte o tempo todo. E foi nesse momento de fragilidade que encontrei o segredo: o silêncio. Me permiti parar, olhar de fora como se fosse uma amiga me contando sua história e esperar a poeira baixar. E, como sempre acontece, ela baixou.

Hoje, penso no que aconteceu e vejo que aquele ‘travamento’ não foi um fracasso. Foi um pedido de socorro do meu corpo que acendeu uma luz e virou recomeço. É um lembrete de que a verdadeira força não está em aguentar tudo calada para parecer forte ou autossuficiente sempre, mas em ouvir o grito dos nossos limites e ter a coragem de honrá-los e respeitá-los, prontas para recomeçar!
































