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Ricardo Martins e Os Últimos Filhos da Floresta, livro e documentário sobre os Yanomami

Autor de quinze livros, o fotógrafo mostra sua nova obra, resultado da maior e mais complicada expedição da sua carreira. O projeto também contempla a construção voluntária de uma escola indígena em território Yanomami, imerso na floresta

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Os Últimos Filhos da Floresta“, o mais recente trabalho do fotógrafo e documentarista Ricardo Martins, traz um retrato sensível e profundo do cotidiano do povo Yanomami, que ainda hoje vive relativamente isolado do mundo na Amazônia, entre o Brasil e a Venezuela, território local de sua origem que remonta a mais de mil anos. Profundamente integrados à floresta amazônica, enfrentam ameaças crescentes que se intensificaram a partir dos anos 80: invasões, garimpo ilegal, desmatamentos, doenças trazidas de fora e episódios de violência. Essa pressão externa agressiva coloca em risco não apenas sua existência física, mas também sua cosmologia e modo de vida.

Este projeto nasceu enquanto eu sobrevoava a Amazônia e assistia a um documentário que mencionava os Yanomami como os últimos filhos da floresta. Aquilo me tocou profundamente. Percebi que era hora de registrar essa história de forma visual, humana e respeitosa — mas sob outra ótica: aquela que mostra sua força, importância e beleza no cotidiano”, explica Ricardo.

Essa inspiração fez o fotógrafo criar “Os Últimos Filhos da Floresta”, potente projeto composto por uma exposição fotográfica, web série, vídeo documental e a peça principal, um livro, o 15º de Ricardo, que concorreu ao Prêmio Jabuti deste ano. A obra, resultado de uma das expedições mais intensas da sua carreira, foi editada com o especial cuidado de incluir o idioma Yanomami, ao lado do português e do inglês, e QR codes para acesso a vídeos exclusivos que revelam os bastidores da produção mostrando a originalidade e a força cultural da etnia, enquanto debate a importância da preservação de nossos povos originários.

Para realizá-lo, Ricardo contou com o apoio de Regiane, uma indígena que já havia pertencido à aldeia e facilitou o contato do fotógrafo com sua comunidade. Após mais de um ano e meio de negociações, ele foi enfim recebido pelo líder Maciel. “É, seu Ricardo, seu nome ecoou pela floresta e chegou aos nossos corações.” Essas foram as palavras que o fotógrafo ouviu ao chegar na aldeia. “Quando conseguimos essa permissão, preparamos a expedição estimando chegar em oito horas, mas a viagem mergulhando floresta adentro, levou, na verdade, três dias”. Esta árdua travessia foi compensada com um acesso sem restrições e uma gratificante receptividade com vivências que foram únicas. “Poucas pessoas tiveram essa oportunidade”, exalta o fotógrafo, que dormiu na mata e viveu o dia a dia da aldeia, acompanhando rituais, caçadas e rotinas dos indígenas.

Além do livro, Ricardo Martins também está finalizando a edição de um documentário de 52 minutos com o mesmo título do projeto editorial, que será lançado inicialmente na Europa em 2026, levado por uma distribuidora alemã. Outro material, produzido pela empresa de vídeo do fotógrafo, a RM Produções, é um compilado de 20 min, o 5ª de uma série de produções documentais de Ricardo, que está no maior festival de web séries do mundo, o RIO WEB FEST, concorrendo em seis indicações: – Melhor Série Documental, Melhor Performance (apresentação), Melhor Direção, Melhor Direção de Fotografia, Melhor Edição e Melhor Som, série que deve chegar em breve nas plataformas de streaming, como já ocorrem com outras obras do autor, exibidas na Amazon Prime Video, CNBC, TV Cultura, We Play e Band Play.

Retribuição  

Em agradecimento por todo generoso acolhimento dos indígenas, Ricardo assumiu uma contrapartida especial: a construção de uma escola na aldeia Hemare Pi Wei, onde tudo aconteceu. O pedido foi feito diretamente das lideranças e num gesto sincero de retribuição, foi prontamente atendido pelo fotógrafo.

Nossos jovens precisam se orgulhar da nossa cultura e dos nossos costumes. Precisam ter orgulho de serem indígenas. Também precisam aprender a língua e a cultura do Napo (homem branco), pois isso será a defesa deles. Esse é o objetivo desta escola”, afirmou Maciel, uma das lideranças que recebeu Ricardo na aldeia.

Convivendo com os Yanomami, vi um modo de vida conectado a terra, onde tudo é respeitado. Enquanto os povos originários existirem, a floresta estará em pé. Resolvemos abraçar o projeto, inclusive a construção da escola, que já começou a ser erguida e será um marco”, afirma Ricardo.

Parte da verba arrecadada com a venda dos livros está sendo revertida para a construção da escola. Além disso, uma coleção de Fine Art foi criada pelo autor para ampliar a arrecadação, disponível em www.ricardomartins.org/fineart, além de uma “vaquinha” virtual, que pode ser acessada pelo link: ajud.ar/escola.

O povo Yanomami

Os Yanomami são um dos maiores povos indígenas relativamente isolados do mundo. Vivem há mais de mil anos na floresta amazônica, entre as terras altas da atual Venezuela e o território brasileiro, distribuídos entre a Terra Indígena Yanomami, no Brasil, e a Reserva da Biosfera Alto Orinoco-Casiquiare, na Venezuela. Tradicionalmente, são caçadores, agricultores e coletores, vivendo em comunidades, profundamente integradas à floresta.

Para os Yanomami, a floresta não é apenas um ambiente natural ou recurso econômico. É uma entidade viva, sagrada, a “urihi” (como chamam a terra-floresta) é um ser com o qual, humanos e não humanos mantêm uma relação espiritual contínua. Essa visão se aproxima da chamada Hipótese de Gaia, proposta nos anos 1970 pelo cientista britânico James Lovelock, que entende a Terra como um organismo vivo e autorregulador.

Desde a década de 1980, tem se intensificado as ameaças por fatores externos aos Yanomami, como o avanço do garimpo ilegal, o desmatamento, a propagação de doenças trazidas de fora e formas de violência. Essa pressão coloca em risco não apenas a sobrevivência física do povo, mas também sua cultura, cosmovisão e sua preciosa relação com o território.

Proteger os Yanomami é, em última instância, proteger a floresta. Enquanto seus territórios e modos de vida forem respeitados, a floresta ainda terá chances de se manter em pé”.

Fotos por Ricardo Martins

Ricardo Martins é um dos principais nomes da fotografia de natureza do Brasil. Jornalista, apresentador e sócio-fundador da RM Produções, produtora e editora responsável por seus projetos, seu trabalho expressa sua atuação na documentação de aspectos e elementos socioambientais da natureza brasileira, esta representatividade é apreciada e reconhecida aqui e no exterior, com suas imagens exibidas em espaços de prestígio internacional, como a sede da UNESCO, em Paris, a Galeria Tretyakov, em Moscou e, a convite do Itamaraty, ações de intercâmbio sociocultural e uma exposição na Milad Tower em Teerã.

É autor e editor de 15 livros, entre eles, A Riqueza de um Vale, obra laureada com o Prêmio Jabuti em 2012, na categoria Melhor Fotografia — um dos mais importantes reconhecimentos da literatura nacional. Na televisão, é conhecido por suas séries que revelam os bastidores de expedições em destinos emblemáticos como o Pantanal, Amazônia e a Itália, com produções exibidas em plataformas como Amazon Prime Video, CNBC, TV Cultura, We Plus e Band Play. Em “Os Últimos Filhos da Floresta”, Ricardo mergulha ainda mais fundo: não apenas em paisagens amplas e grandiosas, mas também nas texturas e detalhes delicados da selva e de seus habitantes. Um mundo oculto, isolado e vibrante, retratado com a sensibilidade de quem sabe que preservar é, antes de tudo, enxergar.

@ricardomartinsfotografo

Informações para a imprensa | Matéria Consultoria & Mídia

Colaboração da pauta:

Lumière Eventos | Magali Martucci | (+55 11) 95982-9018

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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