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A valorização humana vem antes da educação

Design Dolce sob imagem por Mungkhoodstudio's Images em Canva

O primeiro passo para transformar pessoas e sociedades não é ensinar, mas reconhecer o valor de cada indivíduo

Por Fabiane Oliveira

Por muito tempo, acreditei que a educação fosse o primeiro passo para transformar uma sociedade. Mas, com o passar dos anos e convivendo com milhares de pessoas em diferentes países e contextos, percebi algo essencial: ninguém aprende, lidera ou muda quando não se sente valorizado. A verdadeira transformação começa antes da educação, ela começa pela valorização humana.

Costumo dizer que não existe aprendizado sem pertencimento. Quando uma pessoa se sente vista, ouvida e importante, o desejo de aprender surge naturalmente. Mas quando se sente invisível, desvalorizada e sem propósito, qualquer tentativa de ensinar se torna apenas transmissão de conteúdo. E o conteúdo, sem sentido, não gera mudança.

Em nossos programas na Oliveira Foundation, seja com educadores, jovens ou lideranças comunitárias, o primeiro movimento nunca é ensinar, mas lembrar às pessoas do valor que elas têm. No projeto “Eu Cuido de Quem Cuida”, por exemplo, antes de falarmos sobre metodologias de cuidado ou gestão emocional, olhamos para quem está à frente das ações e perguntamos: “Você tem se lembrado do impacto que causa na vida dos outros?” Essa simples pergunta costuma abrir caminhos profundos de reconexão com o propósito.

Design Dolce sob imagem por Lucia Chirila’s Images em Canva

O mesmo acontece com as crianças e adolescentes nos programas de liderança. Antes de falar sobre futuro, falamos sobre identidade. Antes de falar sobre metas, falamos sobre sonhos. Quando uma criança descobre que tem valor, ela passa a acreditar que também pode aprender, crescer e transformar o mundo ao seu redor.

Vejo muitos discursos defendendo que a educação é a solução para todos os problemas sociais. E sim, acredito na força da educação. Mas também acredito que a educação só se torna poderosa quando encontra pessoas emocionalmente valorizadas. É a valorização que dá sentido ao aprendizado, que desperta o interesse, que reacende o amor pela vida e pelo conhecimento.

Dados recentes do United Nations Development Programme (UNDP) mostram que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) que mede longevidade, escolaridade e renda, apresentou retração em 2023 após duas décadas de avanços contínuos. O relatório destaca o crescimento das desigualdades e o enfraquecimento do sentimento de pertencimento social, especialmente em países com baixa coesão comunitária. Isso reforça uma evidência clara: não basta investir em educação formal sem investir em pessoas. O progresso humano depende de dignidade e reconhecimento, não apenas de acesso a escolas.

Pesquisas acadêmicas sobre dignidade e educação apontam que ambientes que valorizam o aluno como pessoa têm resultados significativamente melhores em engajamento e desempenho. Um estudo da MDPI (2024), conduzido em escolas da Califórnia e da Eslovênia, mostrou que 94% dos estudantes afirmaram que sentir-se valorizado na escola aumenta o interesse em aprender. Essa constatação confirma o que vivencio todos os dias: antes de transmitir conteúdo, é preciso garantir que cada pessoa se reconheça como alguém com valor.

Design Dolce sob imagem por Mungkhoodstudio’s Images em Canva

O World Bank Human Capital Project também traz um dado importante: países que combinam investimento educacional com políticas de valorização social — como programas de reconhecimento comunitário, empoderamento juvenil e fortalecimento emocional — apresentam taxas de desenvolvimento humano até 35% superiores às que focam apenas em infraestrutura escolar. A valorização, portanto, não é um complemento, mas um fundamento para que a educação produza transformação real.

Quando estive recentemente na França, apresentando o trabalho da Oliveira Foundation em eventos internacionais, fui questionada se acreditava que o primeiro pilar da transformação era a educação. Respondi sem hesitar não, o primeiro pilar é a valorização humana. E percebi que essa resposta causa estranhamento porque o mundo está acostumado a olhar para resultados, e não para pessoas.

Mas é impossível educar sem antes cuidar. É impossível ensinar sem antes valorizar. Nenhum sistema educacional será eficaz se as pessoas dentro dele não se sentirem respeitadas, acolhidas e importantes.

Por isso, o que defendo e o que guia a atuação da Oliveira Foundation é simples e direto: a valorização é o ponto de partida; a educação é o caminho que vem depois.

Quando valorizamos, despertamos o que há de mais humano nas pessoas: a vontade de aprender, servir e transformar. E é a partir desse despertar que a verdadeira mudança acontece.

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Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Fabiane Oliveira é fundadora da Oliveira Foundation, estrategista em transformação social e partner da Maxwell Leadership Foundation no Brasil. Sua metodologia de educação socioemocional já impactou mais de 188 mil jovens no Brasil e África. Co-fundadora do Saygo Group e autora do livro Faça Diferente para Fazer a Diferença, foi reconhecida internacionalmente com o visto EB-1, concedido a profissionais com habilidades extraordinárias. Atua na formação de líderes comprometidos com a justiça, a cidadania e a transformação de seus territórios.

Fundada por Fabiane Oliveira, a Oliveira Foundation é referência em educação socioemocional e formação de líderes sociais. Com atuação no Brasil, e países da África, a instituição utiliza a metodologia de John Maxwell para promover cidadania, empatia e responsabilidade entre jovens de comunidades vulneráveis. Já são mais de 188 mil estudantes impactados diretamente em escolas públicas, privadas e ONGs parceiras.

Colaboração da pauta:

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos