Skip to content
Crônicas ilustradas sobre a vida e o cotidiano

Quando duas palavras resolvem morar juntas

Ilustração feita com traço branco feito com Apple Pen no fundo preto por Ana Helena Reis

A língua inventa palavras porque a vida não cabe mais no dicionário

“Sentipensante” — A primeira vez que li, acho que num texto relacionado à física quântica (o que só piorou a situação), achei que era um erro de digitação. Fiquei curiosa tentando decifrar o significado dessa estranha palavra, para mim meio parecida com CatDog (lembram do seriado?) ou de uma aberração ainda maior: o Feijoaçaí. Só de pensar, me embrulha o estômago.

Corajosa que sou, fui em frente na leitura e descobri que “Sentipensante” é uma palavra híbrida, dessas que misturam o frio da cabeça com o calor do peito, sem pedir licença para nenhuma das duas. Lindo isso, não? Fiquei íntima dela e agora, quando alguém questiona uma decisão minha que briga com a razão ou com a emoção, eu logo retruco: sou Sentipensante e coloco um ponto final.

Logo imaginei que “Sentipensante” poderia ter vários amigos híbridos — quem sabe até formassem um grupinho nas redes sociais, daqueles discretos, mas cheios de opinião.

Fui atrás e descobri a Escrevivência, boa para um papo longo de botequim. Lá nos sentamos, e ela me lembrou de que não existe escrita sem vivência — queijo com goiabada: um não existe sem o outro. O que estava eu fazendo, então, que não entrava a fundo na minha vida vivida para colocar no papel?

Comecei, então, a rebobinar a meu passado, à procura daquele negativo nunca revelado que ficara na minha câmara escura, sem nunca participar do set da minha escrita.

Mas aí a Experipensante, que observava o papo de outra mesa, se meteu: alto lá! Não se pensa antes para depois viver, pensa-se vivendo. Então corre lá viver isso tudo que brotou aqui. E eu, sem pedir licença — e talvez um pouco empolgada demais — inaugurei uma outra palavra: Expersentipensante. Até sorri da minha ousadia. Só faltava colocá-la em prática.

Resumo da ópera: a língua inventa palavras porque a vida não cabe mais no dicionário. Aí surgem palavras híbridas que, como na vida, decidem morar juntas — mesmo que o dicionário torça o nariz.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Ana Helena Reisé escritora, pesquisadora e professora. A escrita de artigos, textos jornalísticos e resenhas esteve sempre presente na vida profissional como presidente da MultiFocus Inteligência de Mercado. A partir de 2019 começou a se dedicar à escrita e publicação de textos em prosa: contos, crônicas, poemas e resenhas, sempre relacionados a fatos e situações do cotidiano. Ao pensar na forma de publicação de seus escritos, foi buscar um outro gosto seu: a pintura e o desenho. Daí surgiram as ilustrações que dão sentido ao próprio nome do seu blog, Pincel de Crônicas. Em 2024 lançou seus primeiros livros solo, “Conto ou não Conto” e “Inquietudes Crônicas”.

Demais Publicações

Palácio da Pena: a arquitetura transforma a história da arte

Uma mistura de estilos que traduz o espírito romântico do século XIX e revela a liberdade criativa de seu idealizador

O botox da Monalisa

Nem todo sorriso é confiável

O que é psicologia e qual é a sua importância para a alma humana

A psicologia não muda o mundo ao seu redor, mas transforma a sua capacidade de florescer em qualquer cenário

Viagens ao fim do mundo

Destinos remotos que oferecem experiências longe das grandes cidades e do turismo convencional

Timshel: o poder de escolher ver sem se perder

Sobre amor, espelhos e livre-arbítrio

Liderança, conciliação e 28 anos de dedicação no SPFC

Com quase três décadas de dedicação ao clube, criador da tradicional “Turma da Quinta” aposta no diálogo e na união para fortalecer o conselho tricolor

Não é falta de competência

Por que tantas mulheres param antes de chegar ao topo?

Quando a vida nos surpreende com um até logo

Entre despedidas, reencontros e recomeços, o que aprendemos sobre os vínculos que atravessam nossa história?

Democracia e evolução: o poder do discernimento

Por Marco Antonio do Nascimento A democracia representa uma conquista histórica da humanidade. Desde suas primeiras experiências na

Painel Dolce Morumbi

As Mais lidas da Semana

Publicidade Dolce Morumbi

dolce-mulher-publ-22-segredos-da-mulher-confiante-post-inst
PlayPause
previous arrow
next arrow
arte-painel-dolce-abtours_1_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

Seções