Há um tipo de cansaço que não vem do trabalho, nem dos filhos, nem das contas a pagar. É um cansaço da alma, que aparece depois de uma conversa, de um encontro, ou mesmo de uma mensagem de texto. É a sensação sutil de ter dado uma parte de si e recebido em troca… um vazio.
Nos últimos tempos, aprendi que a energia mais preciosa que temos não está no tempo ou no dinheiro, mas na nossa atenção. E que algumas pessoas, sem querer ou querendo, são especialistas em deixar um rastro de esgotamento.
Comecei a prestar atenção nos efeitos colaterais das minhas relações. Como eu saía de uma troca de mensagens? Revigorada ou esgotada? Com a sensação de que fui ouvida, ou com o peso de ter carregado um monólogo de problemas sem fim? Aos poucos, fui entendendo que cercar-se de pessoas certas não é um luxo social. É uma estratégia de sobrevivência emocional.

Existem aqueles que só chegam com um problema no colo. E os que chegam com um abraço e um “como posso te ajudar?”. Os que vibram com suas conquistas, e os que minimizam seus sonhos com um “mas é arriscado” ou “acho que não vai dar certo”. Os que sugam sua luz para iluminar suas próprias inseguranças, e os que acendem uma lanterna ao seu lado para iluminar o caminho que vocês trilham juntos.
Fazer essa avaliação afetiva não é sobre ser egoísta ou cortar relações brutalmente. É sobre consciência. É sobre perceber que você não é um posto de gasolina emocional, sempre aberto para recarregar os outros. É sobre honrar a sua própria jornada, que já é intensa o suficiente, e escolher com quem você vai compartilhar o peso e a leveza dela.
Porque uma tribo verdadeira não é um grupo de pessoas que pensam igual. É um grupo de pessoas que sustentam diferentes. Que oferecem ombro e também apontam uma luz no fim do túnel. Que não competem, mas complementam. Que estão lá para segurar a barra quando você fraqueja, mas também para empurrar você para frente quando o medo fala mais alto, e não te jogar de um precipício para que você afunde com ela.

Aprendi isso na prática, quando precisei me afastar de ambientes que, apesar de sagrados, me deixavam exausta. Percebi que proteção espiritual é também sobre proteger a própria energia, e isso não tem preço. Não vale arrastar situações para apenas manter as aparências. É preciso ser um pouco egoísta às vezes.
Eu passei a valorizar mais os silêncios confortáveis do que as conversas forçadas. As amizades que me desafiam a crescer, em vez das que me prendem a velhas queixas. Os grupos onde a vulnerabilidade é acolhida, não usada como fofoca. Onde um “eu também não sei” é tão válido quanto um conselho.
Em minha maternidade solo, atípica, empreendedora, nessa vida de tantos chapéus, descobri que minha rede de apoio é meu maior ativo. Não a quantidade de pessoas nela, mas a qualidade da conexão. São elas que me lembram quem sou quando eu esqueço. Que me emprestam força quando a minha acaba. Que multiplicam minhas possibilidades apenas por acreditarem nelas antes de mim. E sabia que você faz parte disso? Quantas vezes pensei em desistir desses textos, mas os relatos que recebo de vocês me dão força para continuar.

Então, deixo aqui um convite suave para você também olhar ao redor. Perceba quem são as pessoas que fazem seu coração ficar mais leve após um encontro. Quem te inspira a ser melhor, não por cobrança, mas por exemplo. E abra espaço, com gentileza e firmeza, para que essa tribo possa crescer. E se afaste daqueles que drenam sua energia, que te diminuem ao invés de te levantarem.
Porque nós somos, em grande parte, a média das energias que permitimos circular na nossa vida. Escolher bem quem caminha ao seu lado não é sobre isolamento. É sobre se preservar. É construir, tijolo por tijolo, um território seguro onde você e seus sonhos, possam, finalmente, florescer com apoio, incentivo e carinho.





























