Querido leitor, querida leitora!
Hoje vamos mexer um pouco mais com os corações e falar das crianças que precisam aceitar que os pais se separaram e que, muitas vezes, terão de viver com padrastos e madrastas.
A maior parte das crianças — principalmente aquelas que já têm noção da realidade — sonham em crescer num lar onde exista harmonia e equilíbrio, com os seus pais biológicos, irmãos, se possível, e viver felizes para sempre.
Porém, nem sempre isso é possível. Muitas vezes, os pais — alegadamente pela sua própria felicidade ou segurança — acabam por se separar, dando espaço para um novo relacionamento, sem sequer se preocupar com as emoções ou com a saúde mental dos filhos.
Ora vejamos: são vários os casos de crianças que começam a desenvolver crises de identidade ou comportamentos de rebeldia, porque se sentem invadidas, enganadas ou excluídas. E poucas são as vezes em que os pais se aproximam para conversar com a criança e explicar a nova realidade. Simplesmente trazem o novo parceiro e pronto — a criança que se adapte.

Já não basta ser criança e não ter a sua opinião validada, ainda exigem que essa criança assuma automaticamente o novo membro como parte integral da sua vida e estrutura familiar.
Agora, as perguntas que não querem se calar: será que a criança estava preparada? Será que este novo membro terá a mesma atenção e cuidado que o progenitor biológico? Será que saberá reagir adequadamente a uma chamada de atenção fora do padrão comum ou socialmente aceitável?
Estas questões deveriam ser colocadas à mesa logo no início. Mas essa não é a realidade.
A criança fica às cegas durante anos, vivendo uma realidade diferente daquela que esperava. E quando esse padrasto ou madrasta se comporta de forma inadequada — como uma criatura fora de controlo — é aí que tudo desaba.
Como se não bastasse, muitas vezes a criança, por receio de destruir a suposta felicidade dos pais, acaba por esconder o sofrimento, o medo e o terror que vive na ausência de um dos progenitores.
Querido leitor, querida leitora, são muitas as crianças que sofrem em silêncio e que apenas na fase adulta conseguem contar a verdade sobre o inferno ou o desgaste emocional que viveram.
Não digo aqui que se deva pedir autorização à criança para iniciar um novo relacionamento — não.
Mas é necessário sentar, conversar e tentar entender até que ponto uma nova pessoa poderá impactar as suas estruturas emocionais.

Buscar ajuda psicológica, se for necessário, também é fundamental.
Nunca — nunca mesmo — deixem a criança no escuro, porque isso pode gerar traumas profundos.
Podemos estar tão apaixonados que nem percebemos o quanto o nosso novo relacionamento pode ser potencialmente tóxico para os nossos filhos.
É preciso refletir bem sobre quem levamos para dentro de casa.
Se estiverem em fase de “casting”, mantenham as relações distantes até encontrarem alguém que realmente valha a pena. Ninguém é perfeito, mas no mínimo deve ser alguém que acrescente valor à sua vida e à vida da criança.
Vamos parar de impor que os nossos filhos simplesmente abracem, de forma forçada, os nossos plus one sem estarem preparados.
Não se esqueçam: a separação dos pais já é traumática. A chegada de um novo affair pode representar, para a criança, a confirmação de que os pais nunca mais voltarão.
E independentemente de tudo, isso quebra, magoa, descredibiliza e afoga a criança nas suas próprias emoções e questionamentos.
Pai e mãe, assumam a responsabilidade de semear e proteger a estrutura emocional da vida dos vossos filhos.





























