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Moçambicana, é apresentadora do programa Primeira Página na Televisão de Moçambique (TVM) e traz aqui suas reflexões sobre a vida contemporânea.

Carta para a minha anjinha

Design Dolce sob imagem feita com ferramentas de inteligência artificial em Canva

Um beijo nessa tua alma brutalicious

Nunca imaginei que pudesse viver o luto de uma amiga tão cedo… e sendo ela tão jovem.

Nunca fomos amigas de chamadas diárias, mas mesmo à distância havia uma certeza: nós amávamo-nos. E qualquer que fosse a urgência, qualquer uma de nós estaria sempre em prontidão.

Nunca foste de muitos “mimimis” e, desde a tenra idade, escondeste as tuas emoções da melhor forma possível, demonstrando força… e aquele sorriso brutal que só tu tinhas.

Mas quem realmente te conhecia sabia que não era preciso uma investigação à Sherlock Holmes para perceber… e tentar oferecer ajuda.

Há quem diga que sempre foste orgulhosa para mostrar as tuas fraquezas… mas poucos sabiam que, no fundo, só querias trazer alegria ao mundo e fugir da escuridão que a depressão tentava puxar-te.

Design Dolce sob imagem feita com ferramentas de inteligência artificial em Canva

Durante anos, a depressão e outras enfermidades colocaram-te à prova… e ainda assim, recusaste desistir. Fazias piada até da tua própria dor — até da tua perna que, após o AVC, nunca mais recuperou totalmente… chamavas de “charme”.

O mundo conhecia-te como a modelo carismática, brutalmente elegante, simpática… a rainha dos “uhuhuhuh” matinais e dos memes brutais.

E nós… nós não sabemos dizer quando é que tudo mudou.

Não sabemos responder às perguntas insensatas… porque éramos aquelas que trocavam memes, acreditando que isso era suficiente. Que não precisávamos de chamadas constantes… afinal, nas redes parecia que estava tudo bem.

Esquecemo-nos de algo tão simples: ligar e perguntar “está tudo bem?”.

E hoje… sentimo-nos impotentes. Incompetentes.

Por não termos estado mais presentes. Por não termos vivido mais. Dançado mais. Amado mais… como tu sempre disseste: “expressem o vosso amor antes que seja tarde demais”.

Design Dolce sob imagem feita com ferramentas de inteligência artificial em Canva

A verdade chegou…

E sim, é tarde demais. E sempre será.

Esperamos que, dos céus, possas perdoar-nos…

E que continues a enviar esse teu sorriso brutal entre as nuvens.

Nuchita, nós amamos-te.

Perdoa-nos.

E, por favor… conversa com Deus.

Envia amor e proteção ao coração do Juca… o teu eterno bebé, o teu “plus one forever”.

Descansa… brutalmente bem.

Um beijo nessa tua alma brutalicious.

You will always be our Gy.

Este texto é para Hanna Gizela

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Erica Paiva vive em Maputo, Moçambique e é bacharel em direito e tem uma atuação ativa na área de comunicação, cultura e no social. Considera a escrita uma forma de se comunicar com o mundo, levando suas reflexões acerca dos contrastes da sociedade em seu cotidiano. Seus textos buscam compreender a alma humana e, ao mesmo tempo, devolver-lhe um pouco de beleza, reflexão e esperança

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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