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Designer e arquiteto de interiores

Tendências, afetividade e a casa com “cara de casa”

O fim dos showrooms frios, o resgate do aconchego com tecidos nobres, a volta das cores e o valor da decoração afetiva: minhas considerações finais da CasaCor 2026

Ela está acabando! Sob o tema “Mente e Coração”, a 39ª edição da CasaCor se despede neste final de semana, mas ainda dá tempo de correr para conferir de perto as principais tendências que vão ditar os caminhos da decoração, do paisagismo e do design a partir de 2026.

Se algo me impressionou profundamente em toda a mostra deste ano, foi justamente a consolidação de um movimento global: a casa precisa ter cada vez mais cara de lar, e não de cenário de novela, filme ou showroom de loja.

Ainda existe quem seja adepto de excessos de iluminação em LED ou grandes superfícies de porcelanato polido — recursos que por muito tempo remeteram à modernidade e à sofisticação —, mas que, aos poucos, vão caindo em desuso. Em contrapartida, os elementos naturais continuam se afirmando com enorme força. Mármores, pisos de madeira e texturas orgânicas foram brilhantemente explorados pelo elenco de profissionais desta edição.

É claro que, quando visitamos uma mostra desse porte, nem tudo o que se vê é passível de aplicação direta no dia a dia. Há muitas instalações conceituais cujo papel é justamente exercitar a criatividade e gerar ideias sobre como adaptar aquelas propostas ao nosso cotidiano. Nisto, o setor de marmoraria se destacou mais uma vez, apresentando rochas e pedras com acabamentos inovadores que fogem totalmente do “arroz com feijão” tradicional.

Afetividade, cores e tecidos que acolhem

A essência do morar foi aplicada com maestria em todos os ambientes. Cada espaço reforçou a importância de imprimir a própria personalidade através de objetos que contam histórias e traduzem o estilo de vida de quem ali habita. Prova disso foi a presença marcante de quadros, porta-retratos com fotos pessoais e memórias de família integrados à arquitetura.

Outro ponto alto: as paredes deixaram de ser puramente brancas. A cor voltou com tudo para a casa, provando o quanto uma boa paleta faz diferença para transmitir emoções, aguçar os sentidos e conferir identidade a quem caminha pelos cômodos.

Na tapeçaria e estofados, assistimos a uma combinação livre e elegante de listras, xadrez, formas geométricas e florais — tudo dosado na medida certa, sem exageros maximalistas. Tecidos nobres que andavam um pouco esquecidos, como o veludo e o bouclé, reapareceram em cortinas com barrados generosos, trazendo uma sofisticação acolhedora às janelas que não deixa nada a dever às tradicionais persianas.

Através desse mix harmonioso entre texturas e elementos, a CasaCor entregou ao público um conforto visual contínuo, que se estendeu perfeitamente dos jardins aos ambientes internos.

Se você ainda não visitou, corre lá! Você tem até este domingo para ver de perto qual ambiente mais combina com o seu estilo de vida e buscar inspiração para renovar a decoração da sua casa.

See You Soon!

Imagens por Paulo Di Mello

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Paulo Di Mello é designer e arquiteto de interiores com trabalhos reconhecidos no Brasil e exterior e destaque em publicações como “Revista CasaCor“, “Revista Decorar”, “Portilato USA” e “Miami Beach Interior Design”. Busca agregar em seus trabalhos a identidade de seus clientes, criando trabalhos personalizados. Tem especialização em projetos voltados para a inclusão social, em especial para estabelecimentos comerciais, o que lhe permite emitir um selo de acessibilidade.
Gostou da matéria? Quer fazer comentários, críticas ou sugestões, escreva para a Dolce Morumbi®: contato@dolcemorumbi.com

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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