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Crônicas ilustradas sobre a vida e o cotidiano

Folhas ao vento

Ilustração com foto das folhas sopradas pelo vento por Ana Helena Reis

Hora de buscar as nossas próprias folhas secas que ficaram pelo caminho e dar a elas um destino

Entro no parque e na primeira curva avisto o Soprano, nome que atribui a um funcionário do parque. Fácil identificar o Soprano de longe, mesmo que vestindo o mesmo uniforme dos outros funcionários – ele anda com seu companheiro fiel, o soprador de folhas, sempre a tira-colo.

Conforme chego perto, umas nuvens de folhas secas, sob o comando de Soprano, vão voando para a calha do meio fio e, de lá, graciosamente, se acomodam na beira do jardim, embaixo das árvores.

Soprano segue o caminho, ora soprando para a direita, ora para a esquerda, impávido e concentrado na tarefa de direcionar as folhas para seu devido lugar.

Sim, pois ali, em descanso, elas permanecerão até que uma brisa, ou quem sabe um vendaval, as mande de volta para povoar o caminho e exija o retorno de Soprano. Uma missão diária que justifica sua presença no parque, visto que é um soprador, não um catador de folhas.

Ali, caminhando, após cumprimentar Soprano e receber seu sorriso agradecido, (talvez porque muitos passam e o ignoram como se fizesse parte do equipamento), meu pensamento se volta para esse movimento de ida e volta das folhas secas de nossa vida.

Tudo o que somente sopramos, espantamos momentaneamente porque está perturbando o caminho, mas não eliminamos, não solucionamos, ao primeiro ou último vento retorna para nos atormentar.

Hora de mudar o job description do meu amigo Soprano, incluindo a tarefa de sugar as folhas secas sopradas.

Hora de buscar as nossas próprias folhas secas que ficaram pelo caminho e dar a elas um destino.

Imagem de freepik

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Ana Helena Reisé escritora, pesquisadora e professora. A escrita de artigos, textos jornalísticos e resenhas esteve sempre presente na vida profissional como presidente da MultiFocus Inteligência de Mercado. A partir de 2019 começou a se dedicar à escrita e publicação de textos em prosa: contos, crônicas, poemas e resenhas, sempre relacionados a fatos e situações do cotidiano. Ao pensar na forma de publicação de seus escritos, foi buscar um outro gosto seu: a pintura e o desenho. Daí surgiram as ilustrações que dão sentido ao próprio nome do seu blog, Pincel de Crônicas. Em 2024 lançou seus primeiros livros solo, “Conto ou não Conto” e “Inquietudes Crônicas”.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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