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Viajar expande horizontes e alimenta o espírito

Turismo do silêncio

Imagem de Ralf Ruppert por Pixabay

Trata-se de buscar um estado de presença, de pausa e de reconexão consigo mesmo

Em um mundo onde tudo parece urgente, barulhento e constantemente conectado, cresce o desejo por um tipo de viagem que vai na direção oposta: o turismo do silêncio. Mais do que visitar um destino, trata-se de buscar um estado de presença, de pausa e de reconexão consigo mesmo. São viagens em que o objetivo principal não é ver o máximo possível, mas sentir profundamente cada momento — sem notificações, sem pressa, sem excesso de estímulos.

Alguns lugares no mundo parecem ter sido feitos para isso. Regiões remotas, com pouca interferência urbana, onde o som predominante é o vento, a água ou o próprio silêncio. No norte da Europa, por exemplo, a Lapônia, na Finlândia, oferece paisagens cobertas de neve e uma imensidão branca que convida à introspecção. Caminhar por ali é quase uma experiência meditativa, onde o tempo desacelera naturalmente. Já na Islândia, campos vulcânicos, cachoeiras e estradas vazias criam um cenário onde o silêncio não é ausência, mas presença intensa da natureza.

Imagem de wal_172619 por Pixabay

Para quem busca algo mais próximo da realidade brasileira, há refúgios igualmente transformadores. A Chapada dos Veadeiros, com suas trilhas, cachoeiras e vastidão do cerrado, oferece momentos em que o único som é o da água correndo e dos próprios passos. Em lugares assim, o silêncio não é desconfortável — ele acolhe, organiza pensamentos e traz uma sensação rara de clareza.

O turismo do silêncio também pode ser vivido em experiências mais estruturadas, como retiros em mosteiros ou hospedagens voltadas ao bem-estar. Em várias partes do mundo, é possível passar dias em ambientes onde o silêncio é parte da proposta, incentivando práticas como meditação, contemplação e escrita. Esses espaços mostram que se desconectar do mundo externo pode ser uma forma poderosa de se reconectar internamente.

Imagem de InaeMiranda por Pixabay

Mais do que uma tendência, esse tipo de viagem reflete uma necessidade contemporânea. Em meio a rotinas sobrecarregadas, o silêncio deixa de ser um vazio e passa a ser um luxo — algo que precisa ser buscado com intenção. Viajar, nesse contexto, não é fugir da realidade, mas criar espaço para entendê-la melhor.

No fim, o turismo do silêncio não exige necessariamente atravessar o mundo. Às vezes, basta escolher um destino com menos distrações e permitir-se viver a experiência de forma mais consciente. Porque, em um mundo que nunca para de falar, aprender a escutar o silêncio pode ser uma das viagens mais transformadoras que alguém pode fazer.

Imagem de emmakara por Pixabay

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Grazziela Bertoni é paulista, bacharel em Direito, ariana e gerente de mídias sociais na AB Tours

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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