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Moçambicana, é apresentadora do programa Primeira Página na Televisão de Moçambique (TVM) e traz aqui suas reflexões sobre a vida contemporânea.

A complexidade das mulheres da vida dele

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Quando existe amor, respeito e maturidade, há espaço suficiente para ambas

Existe um ditado, ou talvez um hábito já normalizado há décadas, que diz que sogra e nora nasceram para ser inimigas mortais. Que é impossível que estas duas mulheres se amem, porque cada uma quer puxar o homem para o seu lado e nenhuma está disposta a ceder.

Esta normalização tóxica foi tão enraizada, sobretudo em África, que muitas vezes ambas entram nesta relação já munidas de armas invisíveis: preconceitos, defesas, suspeitas e flechas prontas a serem lançadas ao primeiro sinal de desacordo.

E, no meio desta batalha silenciosa, muitos homens simplesmente congelam. Não criam pontes. Não explicam que existem lugares diferentes no coração deles. Não mostram que cada uma ocupa uma terra própria e inegociável dentro da sua história.

Então começa a guerra.

A mãe luta para garantir que o seu legado permaneça vivo na vida do filho. A nora luta para construir o seu próprio espaço ao lado do homem que ama. E, sem perceberem, ambas acabam transformando-se em dois ferrões apontados para o mesmo coração.

Mas por quê?

Por poder? Por posse? Pela necessidade de provar quem manda?

Será que, ao invés de competirem, não ganhariam mais se se unissem?

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Não falo de uma aliança para controlar o homem que amam. Falo de duas mulheres que compreendem que ambas são importantes na vida dele.

A mãe foi a primeira mulher da vida dele. Foi quem o trouxe ao mundo, quem o amou antes mesmo de conhecer o seu rosto. O amor dela é único e insubstituível.

Mas isso não diminui a importância da nora.

Ela pode não ser o primeiro amor, mas é o amor escolhido. É a mulher com quem ele decidiu construir uma vida. Também deseja a sua paz, a sua prosperidade, a sua felicidade e o seu crescimento.

As duas podem coexistir.

Não parece, mas é possível.

Aconselho até que cada uma tenha o seu espaço e a sua independência, porque a convivência constante nem sempre favorece relações saudáveis. Mas coexistir é diferente de competir.

Homens, ajudem as mulheres das vossas vidas a conhecerem-se. Mostrem a cada uma o lugar especial que a outra ocupa no vosso coração. Quando elas percebem que amar-vos não exige destruir a outra, tudo muda.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Mães, lembrem-se de que um dia também foram noras. Também enfrentaram inseguranças, adaptações e desafios. Recebam essa jovem mulher com mais paciência. Ela não entra na vossa vida para vos substituir. Entra para construir o seu próprio mundo ao lado do vosso filho.

Noras, procurem compreender que existe uma história entre mãe e filho que começou muito antes da vossa chegada. Não é uma competição. O amor dele por ela não diminui o amor que sente por vocês.

Enquanto vocês ganham um marido, muitas mães sentem que estão a perder um filho. Nem sempre é verdade, mas é assim que muitas vezes se sentem. Um pouco mais de empatia pode evitar muitas guerras desnecessárias.

Haverá diferenças. Haverá conflitos. Haverá momentos difíceis.

Mas nada disso precisa transformar uma mulher numa inimiga.

Porque no final, quando existe amor, respeito e maturidade, há espaço suficiente para ambas.

Será sempre possível negociar.

Mas, para isso, ambas precisam estar dispostas a abrir o coração.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Erica Paiva vive em Maputo, Moçambique e é bacharel em direito e tem uma atuação ativa na área de comunicação, cultura e no social. Considera a escrita uma forma de se comunicar com o mundo, levando suas reflexões acerca dos contrastes da sociedade em seu cotidiano. Seus textos buscam compreender a alma humana e, ao mesmo tempo, devolver-lhe um pouco de beleza, reflexão e esperança

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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