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Crônicas ilustradas sobre a vida e o cotidiano

#Eu e DaVinci

Figura em guache branco sobre papel Canson preto por Ana Helena Reis

Sou daquelas pessoas que vivem em dois hemisférios

Sou daquelas pessoas que vivem em dois hemisférios. Aquele grupo de afortunados que nasceram ambidestros e representam somente 1% da população mundial. Digo afortunados porque, a princípio, nosso cérebro funciona a partir do domínio simétrico, o que nos proporciona uma série de vantagens.

Conseguimos, por exemplo, ter habilidade motora com as duas mãos ou pés, o que, se eu fosse uma jogadora de futebol seria uma grande vantagem em campo. Como não sou, consigo, por exemplo, fazer tricô caminhando com a linha nas agulhas tanto do lado direito para o esquerdo como ao contrário. Considerando que pouco se faz tricô hoje em dia, não sei se posso colocar essa habilidade na balança das vantagens.

Uma outra peculiaridade é poder escrever tanto com a mão esquerda como com a direita. Aí posso dizer que, quando criança, isso deu oportunidade de me exibir bastante frente aos colegas. Infelizmente, hoje em dia pouco se escreve à mão portanto essa gracinha perdeu todo o sentido.

Só me restaram, portanto, as desvantagens de pertencer a esse grupo seleto. O fato de trabalhar igualmente com os dois lados do cérebro implica, já de início, em passar por algumas situações constrangedoras, para não dizer perigosas. Não há possibilidade de distinguir lado esquerdo e lado direito sem parar para pensar. Imaginem, portanto, o que isso representa quando se está dirigindo e ouve um comando imediato: Vire à direita! Dois minutos pensando para qual lado virar. Irritação total do passageiro ao lado, cinco quarteirões para poder fazer o retorno, sem falar nas outras consequências.

Fazendo um pouco de jogo do contente, tem algumas vantagens práticas, porém, em ter os dois lados ativos: podemos tranquilamente trocar de mão para pentear o cabelo, fechar um botão, usar os talheres e assim por diante, se a mão que normalmente utilizamos para essas atividades estiver imobilizada.

Já no que diz respeito ao cérebro, os estudiosos da neurociência dizem que os ambidestros têm uma comunicação maior entre os lados direito e esquerdo e que não existe um dominante. Por esse motivo, são mais sinestésicos, ou seja, misturam mais os sentidos, na percepção do mundo. Aí me vejo totalmente representada, sou mestre numa confusão entre a razão e a emoção!

Bem… não sei dizer se é bom ou ruim ser ambidestro, mas me senti muito bem quando soube quem eram meus colegas: DaVinci, Benjamin Franklin, Pablo Picasso e Paul McCartney.

Imagem por Leonardo da Vinci, Public domain, via Wikimedia Commons

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Ana Helena Reisé escritora, pesquisadora e professora. A escrita de artigos, textos jornalísticos e resenhas esteve sempre presente na vida profissional como presidente da MultiFocus Inteligência de Mercado. A partir de 2019 começou a se dedicar à escrita e publicação de textos em prosa: contos, crônicas, poemas e resenhas, sempre relacionados a fatos e situações do cotidiano. Ao pensar na forma de publicação de seus escritos, foi buscar um outro gosto seu: a pintura e o desenho. Daí surgiram as ilustrações que dão sentido ao próprio nome do seu blog, Pincel de Crônicas. Em 2024 lançou seus primeiros livros solo, “Conto ou não Conto” e “Inquietudes Crônicas”.
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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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