Dizem que “a fila anda”. Talvez ande nos relacionamentos. Já na minha lista de tarefas, ela parece ter criado raízes.
Ela nos persegue pelo celular, mandando alertas sonoros de tudo o que ainda não foi completado. Para quem prefere o caderninho, nem isso resolve: as tarefas não riscadas ficam ali, silenciosas, aguardando o momento de despertar a culpa.
Tenho a impressão de que as listas de tarefas se reproduzem durante a madrugada. Vou dormir com oito itens e acordo com quinze.
Cumprir uma To Do List é como correr na esteira vendo uma paisagem virtual: a trilha avança, mas quem continua parado somos nós.
Outro dia risquei “trocar a lâmpada da cozinha” e, quando voltei à lista, ela já tinha gerado “limpar o lustre”, “organizar a área de serviço” e “pesquisar iluminação para ambientes pequenos”.
Às vezes tento me lembrar quem colocou tudo aquilo na lista. Não encontro outra explicação senão a de que as listas ganharam vida própria e passaram a escrever novos itens quando ninguém está olhando.
Suspeito que exista um aplicativo clandestino frequentado exclusivamente por tarefas. Lá, num ambiente chamado Todobook, elas trocam informações e combinam estratégias para nunca desaparecer completamente.
Até flagrei uma luz acesa suspeita uma noite dessas no meu celular.
Talvez eu devesse anotar “não fazer nada” no topo da lista. O problema é que, conhecendo seu gosto pela provocação, ela logo acrescentaria três subtarefas, dois lembretes e um prazo final.
E ainda me enviaria uma notificação perguntando por que a tarefa está atrasada.






























