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Moçambicana, é apresentadora do programa Primeira Página na Televisão de Moçambique (TVM) e traz aqui suas reflexões sobre a vida contemporânea.

A substituta renegada

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Só por magia um homem poderá viver um tal amor que, acredito, ele sabe que não será possível

Muitas são as vezes em que simplesmente apontamos mulheres e as intitulamos de “destruidoras de lares”, e quase nunca nos damos conta de que, no fim, ela é apenas uma substituta renegada.

Mas calma, não me apedrejem. Vamos organizar os pensamentos.

O homem, estando ele num intervalo da sua fase nupcial, conhece uma outra mulher que, por vezes, chega até a ter um melhor currículo feminino. Porém, não é a escolhida. Ainda assim, ele a faz acreditar que ela é a tal, que o passado ficou na História do Museu Natural e que ela é o presente e o futuro da relação.

Mas todos nós, lá no fundo, sabemos que são histórias.

E olha que eu acredito que, em algum lugar do cérebro deste alecrim-dourado, ele acredita que essa paixão ardente é, na verdade, amor. E, de novo, sabemos que não passa de novela ou de música para a carochinha dormir.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Após os momentos lindos e amáveis, e as crenças de um futuro melhor, o nosso lindo alecrim-dourado inicia uma marcha atrás quase imperceptível. Enquanto a nossa substituta ainda tenta acordar do seu sonho, vem a digníssima esposa e dá um bote, como a cobra diante de Eva no Jardim do Éden, e reativa o seu casamento, colocando esta substituta na posição de intrusa e destruidora de lar.

Mas será?

Pois, diante do meu pequeno e limitado exemplo, está claro que, no fim, esta mulher, esta substituta, simplesmente quis acreditar que a separação era real e que ao altar ela chegaria. Porém, acaba sendo o Chapeuzinho Vermelho de um conto de fadas transformado num filme de terror: a tal destruidora.

Como pode ser assim categorizada se, para início de conversa, nunca sequer houve a possibilidade de ela se ver como uma intrusa?

Dito isto, por vezes atiramos a pedra entre nós, mulheres, mas o cerne da questão é o próprio homem, que se deixa envolver, envolvendo a outra pessoa numa relação que ele, bem no fundo, sabe que não tem pernas para andar.

Ou, por outra, que só por magia poderá viver esse tal amor que, acredito, ele sabe que não será possível.

Mas ele fica tão iludido pela adrenalina desse “parecido amor” que chega, por si, várias vezes, a prometer que esta mulher será — e já é — a perfeita substituta, fazendo-a acreditar numa utopia, criar planos, envolver-se e, por vezes, até permitir que brote o fruto desse tal amor enigmático.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Homens, por favor, parem de evitar e sejam sinceros.

Não custa nada dizer: “Olha, estou de férias do lar e, enquanto isso, vamos brincando.”

Mas parem de prometer amores e arranha-céus, alimentando relações que vocês já sabem que não têm pernas para andar.

Porque, por mais voadoras que sejam as “tais esposas”, é com elas que vocês ainda estão conectados e prontos para prosseguir com os projetos.

Obviamente, há exceções.

Mas muitos… ah… larguem as mulheres. Deixem que elas decidam se querem ficar como amantes ou não.

Não decidam por elas. Nunca.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Erica Paiva vive em Maputo, Moçambique e é bacharel em direito e tem uma atuação ativa na área de comunicação, cultura e no social. Considera a escrita uma forma de se comunicar com o mundo, levando suas reflexões acerca dos contrastes da sociedade em seu cotidiano. Seus textos buscam compreender a alma humana e, ao mesmo tempo, devolver-lhe um pouco de beleza, reflexão e esperança
Gostou da matéria? Quer fazer comentários, críticas ou sugestões, escreva para a Dolce Morumbi®: contato@dolcemorumbi.com

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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