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Crônicas ilustradas sobre a vida e o cotidiano

Bandeira branca

Ilustração feita sobre papel Canson sobre fundo preto por Ana Helena Reis

Insistir em batalhas perdidas só serve para agigantar o inimigo que vive dentro de nós

Chega um momento na vida em que é melhor hastear a bandeira branca e desistir de certas lutas. Insistir em batalhas perdidas só serve para agigantar o inimigo que vive dentro de nós.

É tempo de revisitar as bases que um dia abandonamos por medo ou fraqueza — e reconhecer que, mesmo tendo hoje mais forças, tentar retomá-las só nos faria ver que talvez nunca tenham sido, de fato, nossas.

É preciso aceitar as baixas no exército de projeções otimistas e evitar justificá-las com o imensurável ou o imprevisível. Fazer isso seria apenas colocar novas imprudências na linha de frente.

Não adianta escavar valas profundas onde deixamos projetos de vida natimortos, à procura de uma cura milagrosa. Estaríamos apenas tentando prolongar a sobrevida de ideias que talvez só façam sentido em outro tempo, em outro corpo.

Abrir as campas dos amores decompostos? Pura ilusão. Mesmo que ali estivessem intactos, seriam apenas mortalhas ocas, refletindo — como espelhos — o amor que um dia foi.

Batalhas perdidas. Depois de muitas vidas vividas, chega uma hora em que é preciso fazer as pazes com elas. Para seguir mais leve, com mais espaço dentro da alma.

Para mim, essa hora chegou. Bandeira branca hasteada.

Imagem de qalebstudio no Magnific

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Ana Helena Reisé escritora, pesquisadora e professora. A escrita de artigos, textos jornalísticos e resenhas esteve sempre presente na vida profissional como presidente da MultiFocus Inteligência de Mercado. A partir de 2019 começou a se dedicar à escrita e publicação de textos em prosa: contos, crônicas, poemas e resenhas, sempre relacionados a fatos e situações do cotidiano. Ao pensar na forma de publicação de seus escritos, foi buscar um outro gosto seu: a pintura e o desenho. Daí surgiram as ilustrações que dão sentido ao próprio nome do seu blog, Pincel de Crônicas. Em 2024 lançou seus primeiros livros solo, “Conto ou não Conto” e “Inquietudes Crônicas”.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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