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É profissional de Marketing, terapeuta integrativa e escritora e pode lhe ajudar a deixar a maternidade mais leve!

A força que nasce quando as histórias se encontram

Reprodução | Instagram

A jornada do "diferente", do "atípico", do amor que se desdobra em formas que a sociedade muitas vezes não sabe nomear

Na semana passada, respirei um ar diferente. Não era o do meu trabalho, entre computador, listas e celulares, nem o da minha sala, entre brinquedos e afazeres domésticos. Era um ar carregado de algo raro e precioso: acolhimento puro. Fui a um evento aqui em São Paulo, que, mais do que anunciar uma plataforma, celebrou uma verdade que muitas vezes esquecemos: a força que brota quando histórias se encontram.

O evento marcava o lançamento da maior plataforma de maternidade atípica do mundo,uma iniciativa das maravilhosas Voz das Mães e Acesse Me. Mas, para mim, ali, foi muito além de um lançamento. Foi sobre ver, nos olhos de dezenas de mães, pais e cuidadores, o reflexo de uma jornada única, mas também universal. A jornada do “diferente”, do “atípico”, do amor que se desdobra em formas que a sociedade muitas vezes não sabe nomear.

Durante as rodas de conversa, ouvi depoimentos que eram espelhos de coragem. Histórias de luta, de descoberta, de um cansaço que vai além do que achamos sermos capazes, mas também de uma resiliência que parece não ter fim. Havia uma verdade pulsante naquela sala da Casa Sapoti (um espaço delicioso e aconchegante): a de que compartilhar a vulnerabilidade não nos enfraquece; é o primeiro passo para construir uma fortaleza juntas.

E então veio uma surpresa que arrancou lágrimas e sorrisos sinceros de todos: o lançamento da canção da Maternidade Atípica. O influenciador Rafinha Gasparin reinventou o clássico “Fico assim sem você”, e em cada verso parecia encapsular a alma daquela experiência – a saudade do que se imaginava, a força do que se tornou, o amor incondicional que é a tábua de salvação. Foi um daqueles momentos em que a arte cumpre seu papel mais nobre: traduzir em melodia o que as palavras às vezes engasgam.

A fundadora do Voz das Mães, Natália Lopes, resumiu a essência do que vivemos: “A maternidade atípica é marcada por solidão, dúvidas e um cansaço que muitas vezes não é compreendido. Ver tantas mães reunidas (…) é a prova de que nenhuma de nós precisa caminhar sozinha.” Palavras que ecoaram forte dentro de mim.

E esse sentimento de união ganhou ainda mais força com as palavras de Camila Caetano, fundadora da Acesse-me. Ela destacou o coração tecnológico e social da iniciativa: “A tecnologia transforma, mas quando encontra histórias reais, ela ganha um poder ainda maior. A plataforma nasce para democratizar informação, ampliar acesso e fortalecer uma comunidade que enfrenta desafios diários. Estamos construindo um espaço de acolhimento e de soluções práticas para as famílias”. Ouvir isso me fez pensar na beleza dessa união: o abraço que acolhe e a ferramenta que empodera, lado a lado.

Entre uma roda e outra, encontrei a querida Patrícia Salvatori, idealizadora do Rede Mães Atípicas, da qual faço parte e que realiza um lindo trabalho apoiando e ajudando mães empreendedoras a alavancarem seus negócios, diante de um mercado de trabalho que se fecha para mães, principalmente as atípicas.

Através da Paty, conheci a Keila Couto, fundadora do espaço Projeto Dino, um lugar que recebe mães atípicas e as acolhe enquanto seus filhos estão em terapia. Lá dá até para elas tomarem um banho quentinho ou receber um reiki enquanto aguardam.

Sair de lá não foi como sair de um evento comum. Saí com o coração mais leve e a mente mais clara. Foi um lembrete poderoso do poder da comunidade. Seja na maternidade atípica, na maternidade solo, ou em qualquer jornada que nos faça sentir, às vezes, à margem, encontrar nossa tribo é o que nos devolve ao centro. Ao nosso próprio centro.

A plataforma, que já está no ar e liberada para cadastro através do link www.acesseme.com.br, promete ser essa tribo amplificada em tecnologia, conectando famílias a profissionais em três idiomas. Mas o maior legado daquela manhã, para mim, já estava ali, no simples (e tão complexo) ato de compartilhar e se reconhecer no outro.

E isso me fez refletir: quantas vezes nos isolamos no nosso cansaço, na nossa dúvida, na nossa sensação de “não dar conta”? Esse encontro foi um farol a dizer que existem portas abertas, mãos estendidas e corações que batem no mesmo ritmo que o nosso, por mais singular que nossa história seja.

Que possamos, cada uma de nós, buscar e criar esses e novos espaços de acolhimento. Porque no final do dia, seja qual for o adjetivo que acompanhe nossa maternidade, o que nos sustenta é, e sempre será, a certeza de que não estamos sós.

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Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Gisele Ribeiro é profissional de marketing, terapeuta integrativa e autora do livro Diário de uma mãe nada especial – Desmistificando a mãe idealizada no qual compartilha detalhes íntimos da sua trajetória na maternidade e como isso mudou sua, principalmente a profissional.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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