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Crônicas ilustradas sobre a vida e o cotidiano

A tal da amnésia glútea

Ilustração feita feita por dois traços em caneta nanquim por Ana Helena Reis

Dizem por aí que é um mal da vida moderna

Outro dia me peguei pensando em como tem coisa que a gente simplesmente deixa de usar. Palavra antiga, receita de família, roupa guardada no fundo do armário. Mas o mais curioso é que isso também acontece com partes do corpo. Não acredita? Pois saiba que existe gente sofrendo de algo chamado amnésia glútea.

É, parece nome de doença rara, mas é mais comum do que se imagina. E não tem nada a ver com esquecer datas, nomes ou senhas de e-mail. A amnésia, nesse caso, é da nádega mesmo. Literalmente. Ou melhor, da função dela. O que acontece é que os glúteos simplesmente “esquecem” de trabalhar. Ficam ali, inativos, como funcionários desmotivados à beira da aposentadoria. Aí vem a falta de firmeza, ou mesmo a tendência a apontar mais para baixo que para trás, o que é motivo de desespero para a maioria das mulheres e cinicamente criticado pelos homens que não se olham no espelho.

Dizem por aí que é um mal da vida moderna. Sedentarismo, cadeiras ergonômicas demais, horas a fio sentados encarando telas. A bunda se acomoda — no sentido literal e figurado — e para de cumprir seu papel evolutivo de nos empurrar para frente, manter o equilíbrio, dar firmeza aos passos. Passa a viver de aparência. Fica ali, meio caída, meio esquecida, sustentada apenas por leggings milagrosas ou filtros do Instagram. Passa a existir apenas como volume decorativo.

Lá fora, os especialistas deram até nome bonito: dead butt syndrome. Aqui, como sempre, fomos direto ao ponto: “bunda mole”. Grosso? Talvez. Mas preciso.

O mais engraçado — ou trágico, dependendo do ponto de vista — é que pouca gente admite que sofre disso. É vergonhoso. Então culpam a genética, a postura da infância, o colchão, o formato da cadeira. Nunca é a própria falta de movimento. Nunca é o fato de que caminhar virou exceção, e não rotina.

O corpo, coitado, vai se ressentindo. Vêm as dores nas costas, o desequilíbrio, a sensação de cansaço constante. E ninguém desconfia que talvez a origem de tudo esteja… atrás.

E nem pense que ficar postando vídeos sensuais ou fazer poses em espelho resolva o problema. Rebolar não é tratamento. O glúteo quer ação de verdade: subir escadas, caminhar, viver. Ele foi feito para empurrar o corpo adiante, não para agradar likes.

Então, se você anda se sentindo meio torto, meio mole, meio arrastado, talvez esteja na hora de prestar atenção nele: seu esquecido, negligenciado, mas essencial traseiro.

Levante-se da cadeira. Dê uma volta no quarteirão e ative a memória de sua bunda. Antes que ela esqueça de vez que está aí para servir — e não só para sentar.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Ana Helena Reisé escritora, pesquisadora e professora. A escrita de artigos, textos jornalísticos e resenhas esteve sempre presente na vida profissional como presidente da MultiFocus Inteligência de Mercado. A partir de 2019 começou a se dedicar à escrita e publicação de textos em prosa: contos, crônicas, poemas e resenhas, sempre relacionados a fatos e situações do cotidiano. Ao pensar na forma de publicação de seus escritos, foi buscar um outro gosto seu: a pintura e o desenho. Daí surgiram as ilustrações que dão sentido ao próprio nome do seu blog, Pincel de Crônicas. Em 2024 lançou seus primeiros livros solo, “Conto ou não Conto” e “Inquietudes Crônicas”.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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