Como poderei entregar a minha verdade mais sincera, se outrora a esmagaste com a mentira mais cruel? Entreguei-te o zumbido do meu silêncio nas mãos, como um cofre seguro, repleto de verdade crua. No fim, usaste a mentira como chave para o abrir.
A mentira é um dos piores males da existência humana. Por vezes, acreditamos que “foi uma mentira pequenina, nem vai fazer mal”. Que equívoco estúpido.
Não existe mentira pequena ou grande. Mentira é mentira. E ela carrega consigo sentimentos como ódio, vingança, desconfiança e, acima de tudo, os karmas que nascem das consequências que provoca.

Por que precisamos viver na mentira? Por que precisamos fazer com que as pessoas acreditem em coisas que não existem, aproveitando-nos da benevolência de um coração puro e verdadeiro? Mentir é escolher magoar o outro por uma razão egoísta e profundamente pessoal. Ninguém escolhe a mentira em prol do bem-estar de outra pessoa, porque, se existe mentira por detrás de uma boa intenção, então essa intenção já deixou de ser verdadeiramente boa.
E, no fim da mentira, o que resta? Mágoa e decepção. E a que preço? Valerá a pena agarrarmo-nos à mentira?
Ela destrói até o coração mais puro, aquele incapaz de guardar qualquer amargura. Faz com que o jardim mais belo se transforme no inferno mais tenebroso. Pode levar uma alma iluminada a destruir-se completamente, sem qualquer possibilidade de recuperação imediata.

Por isso, se mentiste, procura emendar o teu erro. Mesmo que isso te custe a tua relação, a tua convivência, a tua posição social ou qualquer outra coisa. Vai. Conta a verdade, crua e dura, e dá liberdade à outra parte para decidir se te perdoa.
Dá-lhe a oportunidade de conhecer os teus atos mais obscuros e egoístas.
Deixa que saiba quais são os demónios que te rodeiam. Dá à outra pessoa o direito de escolher viver com a verdade, estando por perto ou longe de ti. Permite-te perder, se for esse o preço da verdade, porque nenhuma mentira vale mais do que a paz de uma consciência limpa.





























