Por João Paulo Pedote
É possível existir sem autoconflito?
Desde jovem, aceitar quem eu sou sempre foi um desafio. Eu tinha muitas expectativas que achava que deveria atender, por exemplo, em relação a ter muito dinheiro, status social ou reconhecimento dos grupos dos quais eu fazia parte.
Isso gerava um conflito grande comigo mesmo e, várias vezes, eu tinha vontade de desistir de tentar mudar isso, mas alguma coisa dentro de mim dizia que aquilo era possível. Era como se eu já tivesse experimentado isso antes: ser eu mesmo sem sofrimento, sem crises e sem conflitos, mesmo tendo todos os pontos a melhorar e imaturidades. A diferença é que eu não sentia necessidade de entrar em conflito comigo mesmo.
Essa sensação me acompanha desde jovem e me deu coragem e certeza íntima de que era possível existir sem conflito comigo mesmo. Depois de alguns anos, entendi que essa sensação era, na verdade, uma lembrança de um período que vivenciei antes desta existência, o qual, segundo a Conscienciologia, se chama período intermissivo e acontece em dimensões mais sutis, entre uma vida e outra.

Autoaceitação da consciência
Ao longo dos anos, comecei a me aprofundar no Paradigma Consciencial, a base de referência da conscienciologia, que é a ciência que estuda a consciência de maneira integral. Como sempre tive muito interesse em estudar linhas de autoconhecimento que falassem sobre realidades além da física, senti uma conexão muito forte desde o princípio.
O tema da autoaceitação continuou aparecendo durante meus estudos, porém agora eu estava diante de outras variáveis a considerar, como a ideia de que não somos o nosso corpo físico. Então, me aceitar não significa aceitar minha altura, peso corporal, sexo, etnia ou orientação sexual. Eu precisaria explorar outros aspectos da minha consciência para me conhecer, me compreender e me aceitar.
A conscienciologia fala sobre o parapsiquismo, ou percepção de realidades mais sutis, que vão além dos cinco sentidos físicos. E, já que a consciência não é o corpo físico, ela é extrafísica, ou seja, é preciso utilizar o parapsiquismo para se experimentar e perceber mais profundamente.
Contato mais profundo com a própria realidade
Em diversos desses experimentos, percebi que tinha medo ou receio de me conectar comigo mesmo, entrando em vitimizações ou dramatizações. Conforme fui perdendo esse medo e conseguindo desdramatizar esses pontos, comecei a ter percepções novas de mim mesmo: notar nuances que antes passavam despercebidas, me diferenciar dos outros e dos ambientes de maneira mais clara e, com isso, ter mais segurança para tomar decisões e fazer escolhas.
O que mais me chamou a atenção foi o fato de a autoaceitação ser uma postura neutra e discernida, ou seja, não tinha a ver tanto com acolhimento, afirmação ou valorização de mim mesmo, mas com a tranquilidade de olhar para um aspecto meu e pensar: “É, isso sou eu”. Sem drama. Nem mais, nem menos.

Vontade de evoluir
A busca pela autoaceitação veio de uma vontade verdadeira de melhorar e evoluir. Ou seja, apenas aceitar quem eu sou pode trazer uma pacificação íntima, porque não estou mais em conflito comigo mesmo, mas isso não significa que eu tenha feito as mudanças íntimas necessárias em relação às minhas imaturidades, como a competitividade, o egoísmo ou a dispersão.
Aceitar o problema é o primeiro passo para mudar aquilo que não está bom, e escolher seguir em frente com a mudança é uma postura íntima e contínua. Cada pessoa precisa fazer esse posicionamento por si mesma, pois é um movimento de dentro para fora, ou seja, ninguém pode evoluir pelo outro. A virada de mesa evolutiva é intransferível.
A escolha de crescer, fazer diferente, expandir os horizontes e mudar a si mesma acaba sendo uma força muito importante para a melhoria de todos ao redor, porque se torna um exemplo para os demais de que é possível evoluir. É preciso bastante coragem e ousadia para abrir mão de padrões aos quais estamos apegados, que já não nos fazem bem e que, às vezes, trazemos de várias vidas.
Por isso, a autoaceitação é um exercício constante de experimentar ser você mesmo enquanto consciência e encarar o que aparecer, sem julgamentos e preconceitos. É exercitar o existir sem autoconflitos, mesmo tendo muita coisa para melhorar.
Ninguém é igual ao outro, somos todos singulares. E assumir essa singularidade é uma maneira de se manter conectado com a própria realidade consciencial, multidimensional, que traz muitas experiências de competências positivas de várias vidas. Esse autorrealismo dá um chão muito mais firme para cada um fazer, com mais leveza, as mudanças de que precisa.





























