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Mansplaining e Manterrupting ainda são barreiras que calam a voz das mulheres no ambiente de trabalho

Design Dolce sob imagem por Comstock em Canva

Especialista defende que a oratória feminina precisa ser valorizada para garantir um espaço de fala equitativo

Em um mundo corporativo cada vez mais voltado para a inclusão e diversidade, práticas como mansplaining e manterrupting continuam a representar obstáculos significativos para a igualdade de gênero, especialmente no que tange à comunicação no ambiente de trabalho. O mansplaining, conceito que descreve homens explicando algo para mulheres de forma condescendente e sem solicitação, e o manterrupting, que se refere ao ato de interromper mulheres durante suas falas, têm sido apontados por especialistas como barreiras para o progresso feminino nas organizações.

Segundo o relatório Women in the Workplace, da McKinsey & Company, em parceria com a LeanIn.Org, de 2023, as mulheres representam 47% da força de trabalho global, mas apenas 24% ocupam cargos de liderança. Já um estudo do FGV Ibre, Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, retrata que em 2024 as mulheres registraram um crescimento maior na ocupação de vagas de trabalho formal, mas ainda assim os homens lideram o número de novas vagas com carteira assinada no país, além também ter o salário médio maior.

Design Dolce sob imagem por Shotprime em Canva

Publicidade | Dolce Morumbi®

Esses comportamentos refletem um fenômeno mais amplo: a subvalorização da oratória feminina no ambiente de trabalho. Micarla Lins, especialista em comunicação e oratória para mulheres e palestrante internacional, destaca que, para mulheres, a construção de uma comunicação eficaz muitas vezes envolve superar não apenas a resistência externa, mas também interna. “As mulheres muitas vezes precisam ser mais assertivas, não apenas para ser ouvidas, mas também para manter a sua voz relevante em um cenário onde, muitas vezes, a cultura da interrupção e da explicação excessiva por parte de homens prevalece”, afirma.

A especialista também salienta que o conceito de oratória deve ir além da técnica de fala, e deve englobar a capacidade de ser ouvida sem a necessidade de validação de terceiros. “Ser uma oradora não é apenas sobre articular palavras de forma eloquente, mas sobre ser respeitada pelo conteúdo da sua fala. A voz feminina precisa ser valorizada e respeitada em seu direito de ser ouvida da mesma forma que a masculina. Ao evitarmos essas práticas como o mansplaining e o manterrupting, criamos um espaço mais democrático e justo para todos”, complementa.

Design Dolce sob imagem por Volodymyr Melnyk em Canva

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De acordo com Lins, além de prejudicar o desenvolvimento das mulheres no mercado de trabalho, essas práticas também impactam a produtividade organizacional. “O treinamento constante e a prática da comunicação assertiva são essenciais para que as mulheres adquiram confiança e ocupem o espaço que lhes é devido e a oratória é um poder transformador. Quando as mulheres aprendem a se expressar com clareza e confiança, elas não só conquistam seu espaço, mas ajudam a transformar a cultura organizacional, tornando-a mais inclusiva e eficaz”, conclui.

Micarla Lins é especialista em comunicação e oratória, revolucionou a comunicação feminina no Brasil ao fundar, em 2022, a primeira comunidade voltada para mulheres na área. Campeã de oratória, palestrante internacional e TEDx Speaker, ela fez história em 2020 como a primeira mulher Juíza-Chefe do Campeonato Mundial de Debates em Espanhol. À frente da empresa El Professor, que faturou 7 milhões de reais, Micarla não apenas construiu um império no empreendedorismo digital, mas também se tornou referência em empoderamento feminino. Superando uma depressão profunda em 2016, ela transformou sua dor em propósito, ajudando mulheres a vencer o medo de falar em público e a desenvolver uma comunicação autêntica e poderosa.

@micarla

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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