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Sonhos

Cain leva Abel para a morte
Imagem por James Tissot, Public domain, via Wikimedia Commons

A vida seguiu os passos de cada um

Por André Naves

A arapuca de Caim fez com que Abel ficasse vulnerável aos seus golpes. No momento da pedrada final, Esaú desperta. Abre os olhos. Tudo fora um sonho… Caim? Abel?

Senta na cama. Olha o celular. 03:33… Aviso? Coincidência? As luzes da cidade já se apagaram. Até elas! Puxa vida! Insônia logo hoje!

E na madrugada, quando os tigres vêm atazanar nosso sono, Esaú levantou. Apertou o botão da Nespresso. O cheiro do café. Pena não ter aquele bolo de fubá que a vó Sara fazia sempre que o vô Abraão recebia visitas. Memórias trazem sorrisos…

Dessa vez, seu pai, Isac, não estava mais lá. Sua mãe, Rebeca, já tinha partido também. De seu irmão, Jacó, nem queria ouvir mais. Memórias trazem lágrimas…

Sozinho, chorou.

Painel da Porta do Paraíso. Caim e Abel. Porta de bronze dourado no Batstério de Florença, Itália
Design Dolce sob imagem por Saskia Acht em Canva

Será que ele também não fora um Caim de incompreensão? Será que não matara Jacó de sua vida? Até quando esse ciclo de dor e trevas vai continuar? Será que ele não poderia, uma vez que fosse, ser a luz, o sorriso, a felicidade?

Olhou para o celular. Só um zap! Vapt vupt!

Lembrou da infância. De como gêmeos podiam ser tão diferentes! Ele, queria tudo para ontem. Tomava à força, de supetão! Caçador de mim! Jacó era mais paciente… esperava tudo nascer e crescer. Gostava de dizer que estava pastoreando. Criando raízes. Cultivador de mim!

Foram se afastando. Não teve briga nem nada. A vida seguiu os passos de cada um. Os caminhos eram diferentes. Esaú nem conhecia a família de Jacó. Jacó nem conhecia a família de Esaú.

Design Dolce sob imagem por Immagini e Video di Michelangelo em Canva

Qual era a dificuldade de ligar para Jacó? Mandar uma mensagem? Convidar para um almoço? Macarronada de domingo? Pizza no jantar? Ou o bolo de fubá? Com um pouco de queijo ralado e erva-doce. Baita delícia! Lembrança de um tempo que ainda existe nas memórias… Tempo congelado. Sorrisos. Judite sabia fazer… Juro! Tinha aprendido com a vó Sara!

Tomou mais um café. Olhou, de novo, a cidade. São Paulo era linda!

Rezou ao Altíssimo. Não era disso… Precisava saber o que fazer. Ainda tinha tempo. Ainda tinha possibilidade. Ainda tinha família. Ainda tinha Jacó!

Deitou. Fechou os olhos.

Adormeceu? Sonhou? Acordou? Viveu?

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

André Naves é Defensor Público Federal formado em Direito pela USP, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social; mestre em Economia Política pela PUC/SP. Cientista político pela Hillsdale College e doutor em Economia pela Princeton University. Escritor e professor

Colaboração da pauta:

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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