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É profissional de Marketing, terapeuta integrativa e escritora e pode lhe ajudar a deixar a maternidade mais leve!

O espelho quebrado da mãe perfeita

Imagem em Freepik

Na maternidade real, os cacos do espelho revelam mulheres muito mais interessantes que qualquer ideal

Existe uma dor que poucos falam, mas que muitas de nós carregamos no peito como um segredo pesado: a sensação de não pertencer ao ‘clube das mães’. Não porque não amamos nossos filhos – amamos com uma força que às vezes assusta – mas porque, em algum momento, percebemos que não nos encaixamos naquela imagem perfeita que pintaram para nós.

A maternidade chegou e, com ela, a promessa de que tudo faria sentido. Só que ninguém nos contou sobre os dias em que olharíamos no espelho e não reconheceríamos a mulher refletida ali. Sobre as horas em que, rodeadas de brinquedos espalhados e memes sobre cansaço materno, sentiríamos um vazio inquietante: “Quem eu me tornei? E onde foi parar a mulher que eu era?”

Imagem em Freepik

Não somos as mães de comercial de margarina, sempre pacientes e de batom impecável. Não somos as influencers de maternidade que transformam caos em conteúdo perfeito. Somos aquelas que:

  • Sentem um alívio secreto quando as crianças voltam para a escola;
  • Preferem uma noite de Netflix a uma festa de aniversário infantil;
  • Têm dias em que se perguntam como seria a vida se tivessem escolhido outro caminho.

E aqui está a verdade que dói admitir: sentir isso não nos faz más mães. Faz-nos humanas.

A crise de identidade materna é como um terremoto silencioso. Abala alicerces que nem sabíamos que existiam. Nos faz questionar tudo, desde nossos valores até nossas roupas que já não servem – nem no corpo, nem na alma. E o pior? A culpa que vem junto, como uma sombra que sussurra: “Você deveria estar gostando mais disso”.

Imagem em Freepik

Mas e se, em vez de lutarmos contra essa crise, a abraçássemos como parte da transformação? E se esses questionamentos fossem não um sinal de fracasso, mas de crescimento?

Porque talvez a maternidade real não seja sobre se encaixar em estereótipos, mas sobre criar a nossa própria versão – imperfeita, autêntica e cheia de contradições. Onde podemos ser a mãe que faz brigadeiro de colher e a mulher que sonha com uma viagem sozinha. Que chora ao deixar o filho na escola e comemora o silêncio em casa.

No fim, essa crise não é o fim de quem você era – é o nascimento de quem está se tornando. Uma mulher mais complexa, mais interessante, mais verdadeira. Que não cabe em rótulos, mas transborda em camadas.

E talvez, só talvez, seja justamente nesse “não se encaixar” que resida sua maior força.

Imagem em Freepik

E você, já se olhou no espelho e não reconheceu a mulher que devorava o mundo antes da maternidade? Já sentiu que, em meio a tanto amor, havia um pedaço de si que parecia ter se perdido pelo caminho? Talvez a resposta não esteja em nos encaixarmos em nenhum modelo, mas em criarmos coragem para dizer: essa mãe aqui – a real, cheia de contradições e dúvidas – também é válida. E se o maior ato de revolução materna for justamente ocupar esse espaço intermediário, onde não precisamos ser nada além daquilo que somos?

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Gisele Ribeiro é profissional de marketing, terapeuta integrativa e autora do livro Diário de uma mãe nada especial – Desmistificando a mãe idealizada no qual compartilha detalhes íntimos da sua trajetória na maternidade e como isso mudou sua, principalmente a profissional.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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