Querido leitor, querida leitora, olá!
Hoje quero tratar de um assunto extremamente sensível para muitas mulheres, famílias e não só. Mas hoje trarei apenas a versão — ou melhor, o ponto de vista — feminino.
São várias as mulheres que, por razões diversas, acabam por ter filhos com pais diferentes. Olhando para uma perspectiva moderna, isso nem é um problema ou tabu, principalmente na Europa, nas Américas, etc. Mas aqui em África… Jesus… essa situação ainda é extremamente terrível, infelizmente, até aos dias de hoje.
Independentemente da razão, muitas mulheres acabam por ter filhos com pais diferentes em busca do amor. Sim, parece estranho, mas é verdade. Elas entram num relacionamento na fé e esperança de que seja o único e para a vida toda e, infelizmente, nem sempre dá certo. Separam-se na esperança de encontrar um novo amor — e nem sempre com a vontade ou a ânsia de ter outro ou outros filhos — mas a dinâmica da relação acaba por colocá-las nessa situação.

E isso acontece aqui, precisamente no meu país, sendo olhado de forma muito negativa. Começa, muitas vezes, pelos pais dessas mulheres, onde a filha, ao voltar para casa e encontrar um novo amor, é aconselhada (ou coagida) a deixar os frutos do amor passado com os avós e partir para uma nova aventura.
Em cenários ainda piores — e mais comuns — o futuro amor coloca-a contra a parede, destacando que só ficará com ela se for sem filhos. Será que já tentaram perceber a dor dessa mãe, de ter que ser julgada e abandonar os filhos por amor?
Muitas acabam em quatro situações: algumas preferem desistir desse novo amor e procurar alguém que as aceite por completo. Outras simplesmente determinam que “morrem solteiras”, por não quererem ficar nessa situação entre a espada e a parede. Outras ainda assumem o compromisso, arrependem-se depois, mas nada fazem e avançam tentando, posteriormente, remendar o dano da ausência na vida dessas crianças. E, por último — e mais grave — há aquelas que abandonam os filhos, deixando esses frutos à sua sorte, e vão viver esse tal novo amor.
Não estamos aqui para julgar ninguém. Mas é uma decisão dura — e não acho justo colocar uma mulher nessa situação. Imaginem: nove meses a gerar vida… para depois aparecer um homem que diz respeitar a mãe tanto quanto outras mulheres, mas entra na vida dessa mulher para a dilacerar.
Filho é parte da mulher. Não tem como desfazer um filho nascido. Não tem como apagar. Mesmo as mulheres que dizem que não se importam e que está tudo bem — é mentira, acredita. No fundo, elas sentem a dor do abandono (exceto em algumas situações extraordinárias). Mas preferem conformar-se, acreditando que está tudo bem… mas como pode estar? A mãe a comer picanha enquanto o filho… só Deus sabe.

Sejamos mais empáticos com as mulheres que têm filhos de pais diferentes. E homens, não entrem na vida de uma mulher com filhos apenas querendo a mulher e ignorando o facto de ela já ser mãe — como se fosse possível apagar essa realidade e depois terem filhos juntos como se fosse a primeira vez. Não… está errado.
A maioria das mulheres não quer isso, mas são coisas da vida que nem sempre podemos controlar ou negar. Infelizmente, aqui em Moçambique, essa é uma discussão que ainda tem muito pano para manga. A mulher com filhos muitas vezes é rejeitada. Outras acabam por se sujeitar ao papel de amante por estarem fartas de “nãos” ou por acreditarem que não são dignas de ter um marido.
Porque amigos, familiares — e até o próprio homem — dificilmente a aceitarão por já ter “quilometragem a mais”, como popularmente se diz. Ou pior: por não quererem iniciar um jogo (neste caso, o relacionamento) já em desvantagem, onde a mulher já está “a ganhar” e o homem começa “a zero”. Até mesmo homens com filhos julgam mulheres com filhos de outras relações, rejeitando-as abertamente.
O resultado? Várias mulheres a prenderem-se em relações por causa dos filhos, com medo de serem rejeitadas posteriormente. E ainda há aqueles que dizem: “Quem vai querer-te? Já tens filhos… homem nenhum vai querer-te.”
São palavras duras — palavras que já deveriam ter parado lá no passado, mas… Permitam que as mulheres sejam mães, independentemente de tudo, e deixemos que a maternidade siga o seu curso naturalmente.




























