Vivemos todos dentro de um sistema já predefinido que, de tempos em tempos, sofre alterações e manutenções. Algumas muito bem-vindas, outras, ah…, vamos deixar estar. Porém, quando falamos da carreira profissional, essencialmente do seu fim, existe uma única canção que, para mim, já está tão caduca quanto a própria ideia: “trabalhar anos para garantir uma boa reforma.”
Isso é mau? Oh…, depende do ponto de vista. Do meu, sinceramente, não faz muito sentido alguém traçar toda a sua vida num único padrão e contar apenas com um único ponto de recepção de fundos: a famosa pensão após a aposentadoria, o que chamo aqui de reforma.
Estamos a falar de 30, 40, 50 anos a trabalhar dentro de sistemas, contando apenas com um fim: a reforma. Será que, de certa forma, não estamos a tornar a pessoa acomodada? Sem o thrill, sem a ânsia de agarrar outras oportunidades? Porque, no final, comportando-se bem e trabalhando para o sistema, será recompensada.

Não me entendam mal. Não estou aqui a amaldiçoar o sistema nem a dizer que ele não é proveitoso. Mas por que não mudar a tática? Criar uma espécie de bónus de compensação a cada 5 ou 10 anos para que a pessoa possa investir, criar algo seu e aumentar ainda mais a sua renda?
Por que esperar pela velhice para desfrutar dos meus ganhos? E se a minha vitalidade me for arrancada muito antes disso? Será justo que toda a força da minha vida seja vivida e consumida por outros — neste caso, os herdeiros?
Por que não dar ao trabalhador a possibilidade de decidir? A opção de permanecer no sistema e, ao mesmo tempo, escolher retirar parte do seu dinheiro periodicamente, dentro de regras e critérios bem estruturados?
E eu já sei o que alguns dirão: “Mas Erica, isso seria um caos. Bastava acordar e decidir tirar dinheiro.” Não é disso que estou a falar. Refiro-me a algo sistematizado, organizado, com critérios claros sobre quando, como e por quê.
Porque, para mim, não faz sentido vender um sonho que tantas vezes termina em frustração.

Boa parte dos aposentados viveu conhecendo apenas uma realidade: “trabalhar para, na velhice, viver.” Hawena… chega a velhice e… morre”.
A pergunta que fica é: o que valeu? A que custo?
A reforma, muitas vezes, transforma-se numa espécie de sonho-relógio. Quer confirmar? Olhe para tantos reformados frustrados, sem saber muito bem o que fazer, principalmente aqui em África, onde as propostas para a vida pós-reforma são limitadas, quase inexistentes.
O número de reformados emocionalmente perdidos cresce a cada dia.
Então, para você, futuro reformado — esteja já na terceira idade ou não — faça um pé de projetos também, e não apenas um pé de meia.
E para o sistema, talvez seja tempo de reavaliar a forma como tratamos quem chega à reforma e os seus dividendos. Não podemos continuar a assistir pessoas lançarem ao vento a força da sua vitalidade por falta de conhecimento ou preparação.
Vamos apoiá-las para que vivam cada dia sendo remuneradas, bonificadas e, acima de tudo, tendo a oportunidade de viver a vida ainda com 90% da sua força vital.





























