Skip to content
Mãe solo e atípica, terapeuta integrativa e escritora. Acredita no poder do acolhimento e das histórias para transformar a maternidade em uma jornada mais leve.

A volta às aulas que nos devolve o fôlego

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

É a chance de recolocar os móveis da rotina no lugar, de regrar os afazeres, de acalmar a mente que viveu em estado de alerta constante por semanas

Existe um mito silencioso sobre as férias escolares. A ideia de que são dias leves, de desconectar e recarregar as energias. Para as crianças, e merecidamente para os professores, talvez seja. Mas para nós, mães, as férias são um intensivo de gestão de caos.

A falta de rotina, que para eles é liberdade, para mim é uma reorganização diária do impossível. Os horários viram sugestões. O home office, que deveria ser meu porto seguro de produtividade, vira um campo de batalha entre prazos, pedidos de lanche e a tentativa heroica de manter uma reunião online sem que uma crise existencial infantil aconteça ao fundo.

Esta semana, finalmente, o sinal tocou. A volta às aulas chegou. E com ela, não apenas a mochila organizada e o uniforme limpo, mas algo muito precioso: o meu próprio respiro.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Para uma mãe atípica e solo como eu, as férias são também a temporada das maratonas médicas. É quando agendamos todos os retornos, as terapias, os exames de rotina. São idas e vindas a hospitais, clínicas e laboratórios que consomem dias inteiros, uma energia que parece infinita, até que acaba. É uma logística de guerra, onde a única soldada sou eu.

Por isso, a volta às aulas não é apenas a volta deles. É a minha retomada territorial. É a chance de recolocar os móveis da rotina no lugar, de regrar os afazeres, de acalmar a mente que viveu em estado de alerta constante por semanas.

Eles estudam de manhã e confesso que sou noturna, isso é um desafio para mim. Minha criatividade e minha força de trabalho acordam quando a cidade escurece. Saber que as crianças estão na escola de manhã não vai magicamente transformar-me em uma pessoa matutina. Mas me dá algo inestimável: previsibilidade. Sei a hora exata em que saem, a hora exata em que voltam. Dentro daquele retângulo de horas, meu tempo volta a ser, um pouco, meu. Posso mergulhar em uma tarefa, atender um cliente, ou simplesmente respirar sem interrupções programadas.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

A quantidade de coisas para fazer não diminuiu. A vida continua cheia, os desafios seguem os mesmos. Mas o simples fato de conseguir enxergar o dia com alguma clareza, de poder destinar blocos de tempo com alguma certeza, é um alívio que vai direto para o sistema nervoso. É como se a mente, antes um arquivo de documentos jogados ao vento, pudesse finalmente ser organizada em pastas.

Então, enquanto vejo meus filhos irem para a escola, não sinto apenas a saudade do tempo livre com eles – que existe, é claro. Sinto, principalmente, uma gratidão profunda por essa estrutura que nos sustenta. A escola se torna, nesses momentos, muito mais que um lugar de aprendizado para eles. É um pilar de sanidade para mim.

Imagem de freepik

E sei que muitas de vocês, aí do outro lado, entendem perfeitamente esse suspiro coletivo que damos na segunda-feira de volta às aulas. Não é sobre querer ficar longe dos filhos. É sobre precisar se reencontrar no meio do furacão para poder estar presente de verdade quando eles voltarem.

Que essa nova rotina nos traga não apenas produtividade, mas pedacinhos de paz. Horas de qualidade com nosso trabalho e nosso autocuidado, para que possamos ter, no fim do dia, horas de qualidade ainda maiores com eles, e quem sabe, até uma noite inteira para essa mãe noturna recuperar seu próprio ritmo, em silêncio, sabendo que amanhã haverá um horário para tudo de novo.

Publicidade | Dolce Morumbi®

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Gisele Ribeiro é autora do livro ”Diário de uma mãe nada especial” obra em que desmistifica a maternidade idealizada e compartilha sua transformação pessoal e profissional. É terapeuta integrativa e criadora da mentoria Conversa Materna, um espaço de acolhimento para que cada mãe possa recriar sua própria história.

Demais Publicações

Ingredientes esquecidos que merecem voltar às mesas

Provavelmente alguém lembra da avó ou avô falando de alguns desses alimentos que caíram no esquecimento

Dias quase perfeitos

Mesmo no meio das obrigações, é possível transformar os dias úteis em dias quase perfeitos

Beleza em campo

A Copa do Mundo também começa no espelho

A arte de viajar por terra e conectar destinos

Você vai descobrir que as melhores histórias costumam acontecer no caminho

Coco Chanel, a mulher que revolucionou a moda e a visão feminina

Sua trajetória mistura pobreza, perdas, ambição, genialidade e polêmicas, elementos que ajudaram a construir uma das figuras mais influentes da história da moda mundial

A mamãe está com câncer. E agora?

Muitas vezes, é compreendendo as incertezas e o que vem pela frente que as aflições vão embora

O último desfile na pátria de chuteiras

Onde a razão fria cede espaço à esperança do povo e à poesia da bola

O verdadeiro luxo nunca foi o lugar

Estamos construindo um ambiente onde mulheres crescem juntas sem precisar competir entre si

Como pedir ajuda salvou um projeto e me tornou um líder melhor

Levantar a mão não é sinal de fraqueza: é inteligência emocional

Painel Dolce Morumbi

As Mais lidas da Semana

Publicidade Dolce Morumbi

arte-painel-dolce-cantiga-crianca_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
arte-painel-dolce-abtours_1_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

Seções