Oito de março chegou com flores, homenagens, posts bonitos e discursos sobre empoderamento. E está tudo certo, isso é importante. Merecemos cada pétala, cada palavra de afeto, cada reconhecimento público.
Mas hoje quero falar da mulher que ninguém vê.
Aquela que acorda antes do sol para preparar o café enquanto organiza mentalmente a lista de tarefas que não caberiam num dia de 24 horas. A que leva os filhos na escola, corre para o trabalho, atende cliente, responde mensagem, resolve problema, passa no supermercado e ainda acha forças para ouvir uma amiga no final da tarde.

A mulher que, mesmo exausta, coloca a cabeça no travesseiro e pensa no que fará amanhã para que tudo se encaixe de novo.
A mãe atípica que enfrenta filas, burocracias, negativas e olhares de julgamento, mas segue, porque desistir não é opção quando se tem um filho que depende tanto de você.
A mãe solo que equilibra contas, sonhos, culpas e a solidão de decidir tudo sozinha, carregando nas costas o peso de um mundo que insiste em não facilitar.
A mulher que se olha no espelho e sente que perdeu um pedaço de si no meio do caminho, mas que, mesmo assim, segue se reinventando, se cortando e pintando o cabelo em casa, porque não deu tempo, ou não tinha dinheiro, para ir ao salão.
A mulher que chora escondida no banho para que ninguém veja. Que sente o cansaço na alma, mas ainda assim prepara o jantar, ajuda na lição de casa, dá banho, brinca 2 minutos e apaga a luz com um beijo de boa noite.

Essa mulher – você, eu, tantas de nós – não aparece nos discursos oficiais. Mas é ela que sustenta o mundo todos os dias, com mãos que acolhem, resolvem, trabalham e, quando precisam, também gritam.
Neste mês de março, quero te lembrar de uma coisa que a correria insiste em fazer você esquecer:
Você não é apenas o que faz pelos outros. Você é o que sente, o que sonha, o que deseja, mesmo que esses desejos vivam escondidos na gaveta, esperando o momento de sair. Acredite: um dia vão sair, é uma questão de escolha!
Cuidar de você não é egoísmo. É sobrevivência. É combustível. É o que te permite continuar cuidando de quem você ama sem se perder no caminho.
Então, se nesta data alguém te homenagear, aceite com carinho. Mas o presente mais verdadeiro que você pode se dar é um olhar para dentro. Uma pergunta honesta: “Como eu estou, de verdade?” E uma escuta atenta à resposta, sem julgamento.

Porque ser mulher não é só sobre dar conta. É também sobre se acolher. Sobre reconhecer que, mesmo nos dias em que o chão some, você está ali, inteira ou remendada, mas de pé.
E de pé, seguimos.
Juntas.






























