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Crônicas ilustradas sobre a vida e o cotidiano

Presença de espírito: pena que não vem com manual

Ilustração em desenho em guache e lápis aquarelado sobre papel Cansom por Ana Helena Reis

Algumas pessoas conseguem aproveitar o microssegundo entre ouvir e responder para inventar alternativas inesperadas

Sabe aquela habilidade de reagir rápido, com graça, esperteza e a frase perfeita?

Pois é… não veio no meu pacote. Diante de situações inesperadas, viro uma estátua com sorriso de paisagem. Meia hora depois, claro, surgem respostas brilhantes — todas atrasadas, todas inúteis. E eu fico furiosa comigo mesma.

Por isso admiro profundamente quem tem presença de espírito. Aquela gente que rebate na hora, cria na hora, brilha na hora. E dois casos sempre me vêm à mente.

O primeiro é de um político das antigas, mestre em se safar de qualquer saia-justa — e com memória prodigiosa (ou assessores eficientes soprando nomes). Em um evento, aproximou-se um sujeito que a equipe rapidamente identificou como “filho de fulano”. O político abriu um sorriso:

— Que prazer em vê-lo! Como vai seu pai, o nobre…?

— Deputado… meu pai morreu há cinco anos!

Ele nem piscou:

— Morreu pra você, filho ingrato! Para mim segue vivíssimo na lembrança.

Sério, quem pensa tão rápido?

Outro exemplo é de uma conhecida que recebeu aquele clássico telefonema do “sequestro da filha”. Sem perder o fôlego — nem a fé — ela respondeu:

— Irmão, não tenho dinheiro nem filha! Sou irmã de caridade. Largue essa vida, venha para o bem, vamos orar juntos.

Bip bip. Golpista convertido ou, no mínimo, arrependido.

E aí fico pensando: o que esse povo tem que eu não tenho? Fui atrás de explicações sérias.

Resumindo o que aprendi: algumas pessoas conseguem aproveitar o microssegundo entre ouvir e responder para inventar alternativas inesperadas. É o tal do pensamento “fora da caixa”, que não se contenta com o óbvio e prefere o caminho criativo — às vezes absurdo, às vezes genial.

Ou seja: quem tem presença de espírito escolhe se divertir com a própria inteligência.

No fim das contas, presença de espírito é isso: um talento raro, quase uma arte marcial da criatividade. Alguns já nascem com cinturão preto. Eu, por enquanto, sigo no nível iniciante — procurando o tal manual que ninguém escreveu, mas que bem poderia existir.

Até lá, sigo treinando. Vai que um dia o timing e eu finalmente combinamos um encontro. No caso deles… fazendo acrobacias. No meu, talvez só uma caminhada leve. Mas seguimos tentando.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Ana Helena Reisé escritora, pesquisadora e professora. A escrita de artigos, textos jornalísticos e resenhas esteve sempre presente na vida profissional como presidente da MultiFocus Inteligência de Mercado. A partir de 2019 começou a se dedicar à escrita e publicação de textos em prosa: contos, crônicas, poemas e resenhas, sempre relacionados a fatos e situações do cotidiano. Ao pensar na forma de publicação de seus escritos, foi buscar um outro gosto seu: a pintura e o desenho. Daí surgiram as ilustrações que dão sentido ao próprio nome do seu blog, Pincel de Crônicas. Em 2024 lançou seus primeiros livros solo, “Conto ou não Conto” e “Inquietudes Crônicas”.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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