Olá, meu querido amigo e querida amiga da Dolce Fashion!
Tenho prazer em escrever esta coluna semanalmente para a Dolce Morumbi® e trazer um pouco deste mundo que fala um pouco de cada um nas ruas, no trabalho e na vida social: o universo da moda.
Durante anos, o chamado “quiet luxury” dominou o cenário global: uma estética silenciosa, quase sussurrada, onde o valor estava na discrição absoluta. Mas 2026 marca uma inflexão clara. O brilho retorna não como excesso gratuito, mas como expressão emocional e posicionamento estético consciente.
Nas passarelas de casas como Gucci, Balenciaga e Versace, e outras grandes marcas, superfícies refletivas, paetês metálicos e tecidos luminosos surgem combinados a construções modernas, muitas vezes minimalistas. O contraste é intencional: brilho com contenção, impacto com sofisticação.

E esse movimento não está apenas no discurso, ele já se traduz em lançamentos concretos. A nova fase da Gucci, sob direção criativa recente, trouxe vestidos curtos inteiramente cobertos por paetês e uma estética mais ousada e sensorial, marcando um reposicionamento estratégico da marca.
A marca Balenciaga apresentou uma de suas coleções mais luminosas dos últimos anos, explorando acabamentos metálicos e brilho intenso em peças de forte impacto visual, reforçando o brilho como linguagem contemporânea e não apenas festiva, ela quer mostrar e dar o tom a este perfil de público que gosta de mostrar opinião.
Enquanto isso, casas históricas como Chanel continuam incorporando o brilho em sua linguagem clássica, com tweeds revisitados, tecidos com fios metálicos e detalhes em paetês, equilibrando tradição e modernidade, e sempre um clássico elegante e sofisticado.

E talvez o mais interessante: o brilho deixou de ser exclusivo do luxo extremo. Marcas contemporâneas e até o varejo internacional estão reinterpretando o tema com destaque para o retorno dos paetês prateados inspirados nos anos 90, agora adaptados para o dia a dia, combinando com peças básicas e alfaiataria. Claro, muitas pessoas não gostam destas misturas, mas um toque de exagero com equilíbrio, pode marcar estilo.
Não se trata mais do glamour óbvio das décadas passadas. O novo brilho é estratégico. Ele aparece em produções diurnas, em alfaiatarias desconstruídas, em peças híbridas que transitam entre o casual e o extraordinário. Um blazer com acabamento acetinado, uma calça com leve reflexo metálico ou um vestido com transparência iluminada tudo pensado para comunicar presença sem perder inteligência estética.
Esse movimento também dialoga diretamente com o comportamento contemporâneo. Em um mundo saturado de informação e imagem, vestir-se passa a ser um ato de narrativa pessoal. O brilho, nesse contexto, deixa de ser apenas decorativo e se torna linguagem. Ele sinaliza confiança, visibilidade e, acima de tudo, intenção.

Há ainda uma camada simbólica importante: após um longo período de contenção, social, emocional e estética o desejo de voltar a aparecer, de ocupar espaço, de ser percebido, se reflete nas escolhas visuais. O brilho representa essa retomada. É quase um manifesto silencioso, quer dizer: eu estou aqui.
Mas é preciso cuidado, sempre comento isso para editoriais e mesmo para minhas clientes, que o erro está em interpretar essa tendência como um convite ao excesso. O luxo contemporâneo exige curadoria. O brilho funciona melhor quando inserido com precisão, criando pontos de luz dentro de uma composição equilibrada. É menos sobre quantidade e mais sobre onde e como iluminar a imagem.

No cenário atual, podemos afirmar: o brilho não é tendência passageira é um sintoma. Um reflexo direto de uma moda que abandona o anonimato estético para abraçar uma nova forma de presença: mais expressiva, mais consciente e, inevitavelmente, mais luminosa.
Entre os lançamentos recentes, destaca-se o retorno do paetê prateado, um revival direto dos anos 90 agora reinterpretado por marcas internacionais e também por labels contemporâneas como Zara, que traduz o brilho para o dia a dia com peças híbridas e acessíveis.
Mais do que isso: o brilho deixa de ser exclusivo da noite. Ele invade o cotidiano, combinado com alfaiataria, peças esportivas e construções casuais, um movimento já consolidado entre editoriais e street style global.

O brilho na moda brasileira: identidade, calor e expressão
Se no cenário internacional o brilho surge como linguagem de impacto, no Brasil ele ganha uma dimensão ainda mais potente: identidade cultural.
No recente circuito do Rio Fashion Week, o brilho apareceu de forma marcante em bordados artesanais, pedrarias aplicadas, transparências com luz e texturas sofisticadas, criando uma estética que mistura sensualidade, leveza e sofisticação.
Mas há um ponto essencial: o brilho brasileiro não é frio, não é distante. Ele é solar, orgânico e vivo.
Enquanto a Europa trabalha o brilho como metálico e arquitetônico, o Brasil incorpora cores vibrantes, tecidos fluidos, referências tropicais, movimento e corpo.
Isso está diretamente ligado à própria essência da Moda brasileira, marcada pela diversidade cultural, pela valorização do corpo e pelo uso expressivo de cores e materiais.

Outro fenômeno importante é o contraste, um dos pilares da moda atual que no Brasil ganha uma leitura única: o brilho aparece combinado com elementos despojados, como sandálias simples, tecidos naturais e até referências esportivas, criando o que podemos chamar de luxo descomplicado com identidade local.
Adoro este aspecto brasileiro da simplicidade sofisticada. Mostra a alegria e calor de um Brasil que é despojado, que possui identidade e acompanha tendências incorporando beleza, estilo, cultura e muita alegria. Assim, seguimos criando cultura própria e aceitando o melhor que a moda pode entregar.
Um grande abraço e nos vemos na próxima semana aqui na Dolce Fashion.





























