Meu armário abriga uma coleção curiosa: caixas vazias, sacolas elegantes e potes de vidro sem função definida.
Em comum, todos carregam a mesma etiqueta imaginária:
“Pode ser útil um dia.”
Tenho uma verdadeira compulsão por colecionar inutilidades que considero superimportante guardar.
Vai que surge um presente de última hora.
Vai que resolvo organizar a papelada.
Vai que abro uma loja de embalagens recicladas.
Vai que descubro um talento oculto para Personal Organizer e transformo meu armário num caso de sucesso.
Tenho potes suficientes para iniciar uma pequena fábrica de conservas.
O detalhe é que não faço conservas.
Nem pretendo.
Guardo porque vai que preciso.
Mas, vejam bem – isso não quer dizer que sou aquele tipo de pessoa que não desapega.
Sou perfeitamente capaz de descartar um tênis velho, uma roupa que não serve mais, um saco Zip-Loc usado uma única vez…
Humm… ato falho.
O Zip-Loc não.
É só lavar e reutilizar.
A verdade é que não guardamos caixas, potes ou sacolas.
Guardamos futuros imaginários.
Meu armário já não fecha direito, mas sigo firme.
Afinal, quando chegar o grande dia em que eu precisar de uma caixa dourada, três potes decorados e seis sacolas de papel reforçado ao mesmo tempo, estarei pronta.






























