Por Arnaldo Reis Figueiredo
Vivemos cercados por notícias que parecem reforçar uma ideia preocupante: estamos cada vez mais intolerantes, individualistas e indiferentes ao que acontece ao nosso redor. Foi uma reportagem sobre a inauguração, em 18 de março deste ano, de uma escultura em Almaty, no Cazaquistão, que me fez lembrar de uma história acontecida ali dez anos antes. Em junho de 2016, um cachorro caiu em um canal ligado ao reservatório de Sayran. Um homem entrou na água para tentar salvá-lo, mas acabou ficando preso também. Pessoas que estavam próximas se uniram e formaram uma corrente humana para retirar os dois. Dez anos depois, aquela cena virou uma escultura no mesmo local.
O que mais me chamou a atenção nessa história não foi apenas o resgate, mas a reação das pessoas. Ninguém havia convocado aquela ajuda. Um começou, outro se juntou, depois outro, até que várias pessoas fizeram juntas àquilo que nenhuma conseguiria fazer sozinha. Em um mundo em que parece cada vez mais fácil encontrar motivos para nos dividir, é uma imagem que merece ser lembrada.

Imagem feita com ferramentas de inteligência artificial
A liderança pode construir pontes ou levantar muros
Ao longo da minha vida profissional, já conheci todo tipo de liderança. Existem líderes que conseguem criar colaboração, estimular o trabalho em equipe e fazer com que diferentes pessoas queiram participar e contribuir. Mas também existem aqueles que fazem exatamente o contrário: estimulam a competição interna, cobram por meio da ameaça, criam insegurança e acabam levando cada profissional a pensar primeiro em si mesmo. E isso é muito mais comum do que talvez gostemos de admitir.
A diferença aparece principalmente nos momentos de dificuldade. Em ambientes de confiança, quando surge um problema, as pessoas tendem a se aproximar. Em ambientes baseados no medo e na competição, cada um procura proteger o próprio espaço, evitar a culpa e deixar claro que aquela responsabilidade não é sua. A liderança tem um papel enorme nisso. Ela pode criar um ambiente em que as pessoas se ajudam ou um ambiente em que cada uma aprende a cuidar apenas de si.
Talvez seja por isso que aquela escultura tenha me chamado tanto a atenção. Um momento que durou poucos minutos, em 2016, ganhou uma representação permanente dez anos depois. Em meio a tantas notícias que alimentam o pessimismo, aquela corrente humana nos lembra de que ainda existem pessoas dispostas a parar, ajudar e fazer a sua parte.
Não vai resolver todos os problemas do mundo. Mas talvez seja suficiente para nos lembrar de que ele também não está perdido.
No fim, uma corrente só existe quando cada pessoa decide segurar a próxima.
E talvez essa seja uma boa pergunta para quem lidera: o ambiente que você está construindo faz as pessoas competirem entre si ou faz com que elas queiram segurar a mão umas das outras?





























