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Precisamos levar Portinari às crianças

Design Dolce sob imagem por pixelshot em Canva

Levar a arte de Portinari ao dia a dia das crianças é abrir caminhos para novos jeitos de ver o mundo

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Por Fernanda Emediato

Para muita gente, Portinari é o pintor das grandes causas: o protesto contra a fome, a denúncia da desigualdade, os rostos sofridos dos retirantes. Mas, entre as tragédias do mundo, havia em suas pinceladas um espaço de leveza e afeto: a infância.

Crianças correndo descalças, soltando pipas, brincando com animais, cercadas por espantalhos e balões, em meio à natureza… cenas que, para muitos, já não fazem parte do cotidiano, mas permanecem vivas na memória — e na arte.

É esse olhar lírico que pode aproximar o público infantil da arte brasileira e ampliar, desde cedo, o repertório cultural das novas gerações. Observar obras como Meninos soltando pipas, Brincadeira de roda ou Circo é também reconhecer a força simbólica da infância como linguagem. As crianças não apenas veem: elas interpretam, imaginam, criam vínculos com elementos visuais que falam diretamente ao seu mundo.

Empinando Pipas | Candido Portinari 1941 | Imagem em Google Arts & Culture

Levar a arte de Portinari ao dia a dia das crianças é abrir caminhos para novos jeitos de ver o mundo. Suas cores intensas, os corpos em movimento, as cenas do campo e da vida simples despertam sentidos, memórias e sentimentos. Esse contato estimula a imaginação e ajuda as crianças a reconhecerem beleza onde antes não havia olhar atento — ampliando, assim, seu repertório cultural e afetivo.

Mas é preciso lembrar: nenhuma obra de arte chega sozinha até uma criança. É tarefa dos adultos — pais, educadores, cuidadores — mediar esse encontro. Visitas a exposições, leitura de livros ilustrados, oficinas de criação ou a simples contemplação de uma imagem são caminhos possíveis. E essas experiências não precisam acontecer apenas fora de casa. Em tempos digitais, há museus inteiros ao alcance de um clique. Por que não apresentar às crianças uma tela como as de Portinari, disponível online, e descobrir juntos o que aquela imagem tem a contar?

Portinari dizia que “a gente nunca esquece onde brincou a primeira vez”. E a sua criança? Que lembranças estarão guardadas no coração dela quando crescer? Criar memórias significativas depende de escolhas diárias — e talvez hoje seja um bom dia para começar.

Publicidade | Dolce Morumbi®

Fernanda Emediato | Foto por @casaestudio_
Fernanda Emediato é editora, produtora cultural, fundadora da Troia Editora e idealizadora de “As Pipas de Portinari”, livro infantil que reúne poemas inspirados nas obras do pintor brasileiro.
As Pipas de Portinari

Colaboração da pauta:

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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