Skip to content
Mãe solo e atípica, terapeuta integrativa e escritora. Acredita no poder do acolhimento e das histórias para transformar a maternidade em uma jornada mais leve.

O que os dias difíceis ensinam sobre a gente

Eles existem na vida de toda mãe, de toda mulher, de todo ser humano

Tem dias que começam tortos. A gente acorda e já sente: algo no ar não colabora. O café derrama, o pão queima, o filho acorda com o humor virado e o trânsito resolve conspirar contra. São dias em que a fatura do cartão chega mais alta que o esperado, em que uma notícia desagradável atravessa a manhã, em que aquele cansaço que parecia controlado resolve gritar mais alto.

Dias difíceis.

Eles existem na vida de toda mãe, de toda mulher, de todo ser humano. Mas quando a gente está na linha de frente da própria casa, quando as decisões recaem todas sobre os nossos ombros, esses dias ganham uma densidade especial. Eles não vêm sozinhos. Trazem na bagagem uma culpa silenciosa: a de achar que poderíamos ter feito algo para evitá-los.

Já percebeu como nos cobramos ainda mais nos dias difíceis? Como se fosse obrigação nossa manter o sol brilhando dentro de casa, mesmo quando lá fora, e dentro da gente, o tempo fechou?

Imagem de ArthurHidden no Freepik

A gente explode por qualquer coisa, se arrepende, chora, se arrepende, tenta se reequilibrar, desmorona de novo e assim segue nesses dias insanos.

Mas tenho aprendido que os dias difíceis não são falhas na programação da vida. São parte do roteiro. E mais do que isso: são, muitas vezes, os nossos maiores professores. E o melhor? Eles passam.

É num dia difícil que a gente descobre do que é feita. É quando o chão parece sumir que a gente percebe que, na verdade, sempre soube voar. Ou pelo menos, se equilibrar.

Nos dias difíceis, a meta não é ser produtiva. A meta é sobreviver com o mínimo de dignidade emocional possível. É deixar a louça na pia sem culpa. É pedir uma pizza em vez de cozinhar. É colocar um filme para as crianças e se permitir cinco minutos de silêncio no quarto, mesmo que o silêncio venha acompanhado de lágrimas.

Nos dias difíceis, a gente aprende a relativizar. Aquele problema que ontem parecia o fim do mundo, hoje a gente olha e vê que cabe dentro de um amanhã. A gente aprende que nem toda batalha precisa ser vencida no grito; algumas só precisam ser atravessadas.

São aqueles dias em que devemos ser apenas expectadoras da nossa vida, olhar de fora, só observar e deixar fluir. Porque eles passam, não tenha dúvida.

E tem uma coisa preciosa que só os dias difíceis ensinam: gratidão pelos dias comuns. Gratidão pelo simples, pelo básico que temos.

Imagem de freepik

Quando o dia custa a passar, a gente passa a valorizar as terças-feiras sem graça, os fins de semana sem crise, as manhãs em que o simplesmente nada extraordinário acontece. A gente descobre que a paz mora justamente aí, no ordinário, no previsível, no “mais do mesmo” que tanto reclamamos.

Então, se hoje o seu dia está difícil, respira. Não somente porque vai passar, mas porque tem um recado seu esperando você no final dele. Um recado sobre resistência, sobre amor-próprio, sobre aprendizado e a capacidade de recomeçar mesmo com o gosto amargo na boca.

Acolhe o dia difícil como quem acolhe uma amiga cansada. Oferece um chá, um colo, uma trégua. E amanhã, quando ele tiver ido embora, você vai olhar para trás e ver: você está ali. Inteira, ou remendada. Mas de pé e com a certeza que o sol voltará a brilhar em nossas vidas.

E de pé, seguimos.

Imagem de freepik

Publicidade | Dolce Morumbi®

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Gisele Ribeiro é autora do livro ”Diário de uma mãe nada especial” obra em que desmistifica a maternidade idealizada e compartilha sua transformação pessoal e profissional. É terapeuta integrativa e criadora da mentoria Conversa Materna, um espaço de acolhimento para que cada mãe possa recriar sua própria história.

Demais Publicações

A dignidade no escuro

Um convite à reflexão sobre o valor invisível das nossas escolhas cotidianas e a beleza do convívio civilizado

Como manter uma alimentação balanceada?

Observe com cuidado a alimentação do cardápio que você consome durante a semana

Bocas de Matilde

Boa parte da fofoca é exatamente isso: remexer o que não nos diz respeito e, muitas vezes, descobrir que dentro não havia nada

Por que os casais ainda têm tanta dificuldade em falar sobre sexo?

Na terapia de casal, as queixas sexuais costumam vir disfarçadas de problemas de comunicação; entender o peso dos tabus é o primeiro passo para resgatar a conexão

Do picadeiro ao topo do mundo digital

Conheça Danillo Oliveira, o “Artista 7 Estrelas” do TikTok

O Brasil ainda espera Neymar acontecer

O camisa 10 continuar sendo o centro emocional da Seleção diz mais sobre identidade, nostalgia e marketing do que sobre futebol

Existe algo profundamente curador em um café entre amigas

Que às vezes vem também com uma sacola de laranjas

Castigo não educa

Por que privar a criança do brincar na escola é ilegal e prejudicial?

O fim da escala 6×1 apresenta avanço social ou é um novo motor do custo Brasil?

Qual será o custo econômico de tentar melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores em um país que já possui uma das estruturas mais caras e complexas para contratação formal?

Painel Dolce Morumbi

As Mais lidas da Semana

Publicidade Dolce Morumbi

arte-painel-dolce-cantiga-crianca_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
arte-painel-dolce-abtours_1_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

Seções