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Psicóloga Comportamental e Cognitiva, Neuropsicóloga, Psicopedagoga

Castigo não educa

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Por que privar a criança do brincar na escola é ilegal e prejudicial?

Nós, mães, sabemos bem que educar é uma das tarefas mais desafiadoras da vida. Na correria do dia a dia, entre conciliar trabalho, rotina e os desafios do desenvolvimento dos nossos filhos na Educação Infantil e Séries Iniciais, a palavra “disciplina” frequentemente surge em nossas conversas. Queremos que nossos filhos aprendam a respeitar regras e limites. No entanto, quando essa responsabilidade é transferida para o ambiente escolar, precisamos acender um alerta importante: a professora ou a escola podem colocar uma criança de castigo, privando-a de brincar ou do recreio? Como psicóloga e defensora da infância, a resposta é um sonoro e categórico: não!

Muitas de nós crescemos em uma época em que o “cantinho do pensamento” ou a perda do recreio eram vistos como ferramentas normais de correção. Mas a psicologia do desenvolvimento infantil e a própria legislação brasileira evoluíram. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é muito claro: No Artigo 16, a lei garante o brincar, o lazer e a convivência comunitária como direitos fundamentais. Indo além, o Artigo 18-A proíbe expressamente o uso de tratamento cruel ou degradante como forma de disciplina. Isolar uma criança de 5 ou 7 anos, impedi-la de correr ou deixá-la sentada olhando os colegas brincarem não é pedagogia; é punição psicológica.

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Sob o olhar da psicologia, essa prática gera prejuízos profundos. O recreio e as brincadeiras não são “prêmios” ou privilégios que a criança ganha se for bem-comportada. Eles são necessidades biológicas. É no brincar que a criança processa as emoções, descarrega a energia física, treina a socialização e descansa o cérebro para conseguir focar na próxima aula. Quando a escola retira esse momento, o nível de cortisol (o hormônio do estresse) da criança dispara. O resultado? Sentimentos de exclusão, vergonha e ansiedade. A criança não aprende o que fez de errado; ela apenas aprende a ter medo da autoridade e a se sentir inadequada.

Mães, o jeito certo de ajudar nossos filhos a entender a diferença entre o certo e o errado não passa pelo isolamento, mas sim pela conexão e pelas consequências lógicas. A disciplina positiva nos ensina que o erro é uma oportunidade de aprendizado. Se uma criança age de forma inadequada na escola, a conduta correta da equipe pedagógica deve ser o diálogo individual e a reparação do erro. Se o aluno bagunçou a sala, a consequência lógica é ajudar a organizar. Se magoou um colega, o caminho é aprender a pedir desculpas e reparar a relação.

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Como propor essa mudança na escola do seu filho?

Se você descobriu que a escola do seu filho ainda usa a perda do recreio como punição, não hesite em agir. Agende uma conversa com a coordenação e proponha alternativas práticas e colaborativas:

Proponha combinados visuais: Sugira que a professora crie cartazes com desenhos na sala de aula. Eles ajudam crianças pequenas a lembrar das regras antes que o erro aconteça.

Defenda as consequências lógicas: Peça que a punição seja diretamente ligada ao erro. Se o seu filho riscou a mesa, a ação deve ser limpá-la, e não perder o direito de correr no pátio.

Sugira o “cantinho da calma” em vez do castigo: Indique a criação de um espaço com almofadas e livros na sala. Esse local serve para a criança se autorregular e respirar quando estiver nervosa, mas sem isolamento ou humilhação.

Peça foco na reparação: Incentive a escola a mediar conflitos estimulando a empatia. A criança deve entender o impacto do seu ato no colega e aprender a pedir desculpas genuínas.

Precisamos, juntos — famílias e escolas —, substituir a cultura do castigo pela cultura da responsabilidade. Se o seu filho tem enfrentado esse tipo de punição na escola, lembre-se de que você tem o direito e o dever legal de dialogar com a coordenação.

Educar dá trabalho, exige paciência e presença, mas o respeito mútuo é a única base sólida para formar adultos saudáveis e conscientes.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Mineira de Poços de Caldas, Cynthia Wood Passianottoé formada pela Universidade São Marcos, com especialização em Neuropsicologia e em diversas outras áreas que focam na formação infantil e adolescente. Mãe de 2 filhos, casada com o também psicólogo Luciano Passianotto, Fundou e dirige o espaço Crescendo e Acontecendo no Morumbi, no qual se dedica no trabalho educacional e de orientação à educação de crianças e adolescentes há mais de 20 anos.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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