Elas estão por toda parte e ninguém as percebe. São listas rápidas no bloco de notas do celular, rabiscos em post-it colados no espelho do banheiro onde me vejo todas as manhãs, lembrete na porta da geladeira que sussurra “leite, ovos, paciência”. São os alarmes do telefone que não me deixam esquecer de nada – nem da reunião das nove, nem de buscar o Rafael na escola ou levar a Sara para a terapia, e tão importante quanto: nem de respirar por cinco segundos entre uma tarefa e outra.
Tenho uma agenda virtual que sincroniza cada minuto do meu dia, mas tenho também um caderno onde anoto coisas que a tecnologia não captura – o escopo de um trabalho e as pendências de cada cliente, a ideia repentina para um projeto que surge no meio do almoço, e a promessa de me presentear com cinco minutos de silêncio no final do dia. Na cozinha, um bloco registra o que vai faltando na despensa, mas também registra, nas entrelinhas, a história da nossa vida doméstica, quando por vezes me deparo com um desenho das crianças.

E no meio desse turbilhão organizado, eu paro. Sim, eu paro. Porque de nada adianta lembrar de tudo e me esquecer de mim. Piso descalça na terra, mesmo que por trinta segundos. Fecho os olhos e sinto o sol aquecer meu rosto no meio da correria da tarde.
Respiro fundo três vezes antes de dar a partida no carro e sigo ouvindo uma música que tranquilize minha mente para fugir das cobranças internas. E ao final do dia, quando percebo que meu corpo, minha mente pedem para parar, eu realmente os respeito e paro. Como um ritual que me diz “agora você é só você, antes de ser a mãe, a profissional, a mulher que resolve tudo”.
Estas não são listas de tarefas: são mapas de sobrevivência. São prova de que mesmo no caos, podemos criar ordem. E que mesmo na ordem, podemos criar espaço para o que é humano, para simplesmente SER.
Não escrevo isso para impressionar – escrevo porque sei que há muitas mulheres como eu. Mulheres que seguram o mundo com uma mão e com a outra anotam “comprar absorvente” no pulso. Que sabem que a verdadeira produtividade não é sobre fazer tudo, mas sobre não esquecer do essencial: nós mesmas.

Para você que também navega em marés revoltas, deixo o convite: crie suas próprias listas invisíveis. Não perfeitas, mas funcionais. Não bonitas, mas honestas. E nelas, inclua lembretes para respirar, para sentir o sol, para pisar na grama. Porque no fim, a vida não é sobre cumprir todas as tarefas, mas sobre viver entre elas.
E quando olhar para trás, verá não uma pilha de obrigações cumpridas, mas um caminho percorrido com post-it colados pelo caminho, sim, mas também com pequenos momentos que fizeram tudo valer a pena.
Você não está sozinha. E suas listas? São tão sagradas quanto as minhas?