Há um incêndio secreto em meu olhar
Toda vez que sua presença me atravessa
E me rouba de mim mesma.
É como se a alma inteira se erguesse em júbilo
Uma celebração que arde em meu peito
Quando sua pele roça a minha
Quando o sal dos seus cabelos
Me devolve o eco de um mar perdido.
Sua voz é uma maldição irreversível:
um canto que despedaça e acaricia
Embalando as batidas erráticas
De um coração condenado a tropeçar no seu nome.

Você é minha doce perdição
A música proibida que sussurra na solidão
A canção voraz que devora tudo em mim.
Sonho desperta, prisioneira da ilusão
Criando mundos onde sua boca me percorre
Onde seu coração é oferenda
E sua paixão, a chama que só eu alimento.
Mas, ai de mim…
Você é meu amor platônico
Meu desejo profano, minha fome ardente
À espera eterna na estrada que você nunca trilhará.

Você… vinho negro que queima minha garganta
Correndo como veneno prazeroso em minhas veias
Mantendo-me viva na ausência cruel dos seus beijos.
Cada distância é um punhal
Cada silêncio, um abismo que me engole.
Você é o demônio que me dilacera
E também a cola obscura que sustenta
Os estilhaços do que ainda resta de mim.