Skip to content

Estamos perdendo a capacidade de pensar?

Design Dolce sob imagem por ornudongel em Canva

A pressa é inimiga do pensamento profundo

Afinal… para que estudar, não é mesmo? Temos o Google, que responde em segundos e, dizem, até substitui médicos.

Para que dicionário, se um tradutor online resolve tudo — de palavras estrangeiras até expressões que nunca usamos?

Para que ler, se as inteligências artificiais já resumem livros em poucas linhas, prontas para caber no bolso da nossa pressa?

Sempre acreditei que a tecnologia, usada com sabedoria, nos levaria a um futuro melhor. Mas o que vejo é diferente: estamos trocando profundidade por conveniência. E, o mais assustador, fazemos isso quase automaticamente, como quem escolhe um doce sem nem pensar na fome de verdade.

Hoje, a escolha entre um vídeo curto e um capítulo de um livro não parece grande coisa. Mas essa escolha, repetida dia após dia, forma um hábito — e o hábito molda quem somos. É treinar a mente a preferir o raso ao profundo, o imediato ao duradouro.

Design Dolce sob imagem por Wavebreakmedia em Canva

Vivemos numa era de estímulos constantes, onde cada notificação é uma pequena descarga de dopamina. Nossa mente, viciada nesse ciclo, rejeita tudo que exige pausa, reflexão ou silêncio. Por isso, para muitos, ler um livro parece cansativo — não porque a leitura mudou, mas porque nós mudamos.

Não é “coisa de jovem”, nem “problema de adulto ocupado”. É um vício social, normalizado e reforçado todos os dias pelas ferramentas que poderiam nos tornar mais inteligentes.

Estamos indo para um mundo em que tudo que ultrapassa 60 segundos parece um fardo. Onde a paciência é artigo de luxo e qualquer pausa é confundida com tédio. Um mundo em que o esforço é evitado como doença, e a recompensa precisa vir em pequenas doses instantâneas.

Fragmentos substituem livros. Curtidas substituem diálogos. Títulos chamativos substituem debates.

A tecnologia pode ser ponte, biblioteca, escola e lar para mentes curiosas. Mas, se não a utilizarmos com intenção e cuidado, ela será também a pá que cava a cova onde enterraremos nossa capacidade de pensar de forma crítica e criativa.

Design Dolce sob imagem por Sergey Nivens em Canva

Há um caminho para reverter isso. Não é rápido. Não é fácil. Mas é simples: leia livros.

Não resumos. Não manchetes. Não textos picados que cabem na palma da mão.

Livros exigem tempo, atenção e paciência — e é aí que está seu poder. Eles treinam a mente para pensar com clareza, fazer conexões e questionar. Preservam a cultura e o conhecimento acumulado por séculos. Cultivam empatia.

Trocar livros por migalhas de informação é como trocar uma bússola por um pedaço de papel com uma seta desenhada: pode parecer suficiente, mas nos deixa à deriva.

Leia. Nem que seja uma página por dia.Leia para desacelerar o tempo dentro de você. Leia para resgatar a educação que estamos perdendo.

Chegamos a um ponto em que a pressa e a superficialidade ameaçam substituir o pensamento profundo. Mas a solução existe: exige coragem para remar contra a maré. Exige abandonar, por alguns minutos ao dia, as distrações rápidas e mergulhar no que realmente alimenta a mente e a alma.

Ler é resistir. Ler é recuperar o que estamos deixando escapar. Ler é escolher um caminho diferente.

Não deixe o mundo vencer você.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Roberto T. G. Rodrigues é escritor, mestre de RPG e criador do universo de A Era de Ouro da Magia. Nascido no Rio de Janeiro e criado no Rio Grande do Sul, mescla vivências lúdicas e literárias em tramas que falam de humanidade, escolhas e conflitos morais. É autor de Golandar, o Paladino, de Emma, a Curandeira e de Fenda Esquecida.

Colaboração da pauta:

Demais Publicações

O reconfortante outono

Agora é a hora de fortalecer o sistema imunológico para que, no inverno, você só sinta o friozinho

Atenção: 30 segundos

Viramos pop-ups humanos

O corpo não é um lugar de passagem

Desejo, dispersão afetiva e a erosão silenciosa da intimidade

Leve seu filho para viajar com a Pilar

Conte com as aventuras de Pilar para levar as crianças a um universo lúdico com a História

A inteligência artificial é o novo ícone da moda

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma tendência tecnológica para se tornar uma das maiores revoluções da história da moda contemporânea

A alquimia gelada da Q-Mel transforma momentos afetivos em sorvetes artesanais

Ciência e afeto na mesma casquinha: a trajetória da Q-Mel e a arte de refrescar os casamentos mais sofisticados do Recanto Santa Rita

O design que conquista o mundo!

Das inovações tecnológicas ao resgate das tradições, confira o que foi destaque no Salone del Mobile de Milano

Existe uma mulher por trás da mãe e ela merece continuar existindo

O sofrimento emocional da maternidade não diminui quando a mulher tenta ser perfeita; ele diminui quando ela entende que também merece cuidado.

Painel Dolce Morumbi

As Mais lidas da Semana

Publicidade Dolce Morumbi

dia-das-maes-cantiga-crianca
PlayPause
previous arrow
next arrow
arte-painel-dolce-abtours_1_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

Seções