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Crônicas ilustradas sobre a vida e o cotidiano

O sussurro das flores

Ilustração de Ana Helena Reis feita com aquarela em papel colorido

Elas têm o poder de transmitir aquilo que vai além das palavras

Há algum tempo assisti a série australiana “As Flores Perdidas de Alice Hart”, baseada no livro homônimo de Holly Ringland, com uma bela interpretação da atriz norte-americana Sigourney Weaver no papel de June Hart.

Embora a narrativa contemple vários temas e discussões importantes e dramáticas que envolvem a vida de Alice Hart e sua família, na entrada da primavera esse seriado me fez refletir sobre a linguagem das flores. Elas têm o poder de transmitir aquilo que vai além das palavras, o que gostaríamos de dizer, mas é mais amplo, profundo, complexo, do que o nosso vocabulário permite.

Gosto de cultivar flores em vasos, observar aquele início de botão que vai se criando na ponta de um galho e, a cada manhã, me deliciar com seu desabrochar – algumas se abrem com uma explosão, da noite para o dia; outras vão se desnudando em movimentos suaves a cada a brisa e orvalho que recebem.

Design Dolce sob imagem por Tim Mossholder em Pexels

Voltando aos Jardins de Alice Hart, me chamou a atenção a importância da combinação das flores quando se monta um vaso ou um buque. Sua composição deve ser cuidadosa, pois é como uma frase cujo significado será captado de forma totalmente sensorial por quem está no ambiente. Nunca tinha atinado para a potência dessa linguagem, além daquelas conhecidas relações entre as rosas vermelhas e a paixão, os lírios brancos e a paz, por exemplo. 

Me atrevi, então, a pensar num arranjo de flores para uma conversa ao redor da mesa, que prenunciava uma tempestade entre as mulheres presentes. Estudei o significado de cada espécie, e fui buscar aquelas que compusessem a mensagem que eu gostaria de passar nesse encontro.

Escolhi um vaso transparente e iniciei a montagem pelo núcleo central. Para ele escolhi uma Orquídea Lilás, como símbolo da maturidade altiva, indomável, porém delicada, da personalidade do grupo.

Distribui por todo o vaso Ásters lilás, que, na mitologia, eram colocadas nos altares dos deuses pelo seu formato de estrela. Suas pontas despertariam a capacidade de elevar os pensamentos do grupo com a sabedoria e brilho necessários para que a conversa fluísse num clima de paz e harmonia.

Para finalizar, fui entremeando com Gerberas amarelas que purificam o ar e irradiam energia positiva, para lembrar a todas a beleza da vida, da natureza e que há sempre novos começos possíveis.

Como as de June Hart, minhas flores falaram mais do que mil palavras.

Design Dolce sob imagem por Foto Speedy em Canva

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Ana Helena Reisé escritora, pesquisadora e professora. A escrita de artigos, textos jornalísticos e resenhas esteve sempre presente na vida profissional como presidente da MultiFocus Inteligência de Mercado. A partir de 2019 começou a se dedicar à escrita e publicação de textos em prosa: contos, crônicas, poemas e resenhas, sempre relacionados a fatos e situações do cotidiano. Ao pensar na forma de publicação de seus escritos, foi buscar um outro gosto seu: a pintura e o desenho. Daí surgiram as ilustrações que dão sentido ao próprio nome do seu blog, Pincel de Crônicas. Em 2024 lançou seus primeiros livros solo, “Conto ou não Conto” e “Inquietudes Crônicas”.
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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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