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Mentora e matchmaker que compartilha seu coração com Brasil e Portugal

Love Story ou Life Story?

O que desejamos verdadeiramente em um relacionamento amoroso?

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Durante muito tempo, fomos educadas para desejar love stories. Histórias de amor com começo arrebatador, química imediata, encontros que parecem escritos pelo destino e finais felizes que dispensam esforço. Crescemos consumindo narrativas onde amar é sinônimo de encontrar a pessoa certa — e, a partir daí, tudo flui.

Mas a vida adulta, os relacionamentos reais e o tempo colocam uma pergunta inevitável sobre a mesa: queremos viver uma grande história de amor… ou construir uma história de vida a dois?

Essa pergunta está no centro do pensamento contemporâneo sobre os afetos — e aparece com força tanto no Post-Romantismo da “The School of Life” quanto nas reflexões provocadoras da terapeuta Esther Perel.

O fim da fantasia romântica (e o início da maturidade emocional)

O chamado pós-romantismonão é cínico nem frio. Ele apenas nos convida a abandonar uma ilusão perigosa: a de que o amor verdadeiro elimina conflitos, frustrações e esforços.

Amar, na vida real, não é uma sucessão de momentos mágicos. É convivência. É diferença. É aprender a discutir sem destruir, a pedir sem atacar, a escutar sem se defender. É aceitar que o outro não veio nos salvar — e que nós também não somos fáceis de amar.

Essa visão desmonta o mito da love story perfeita e propõe algo mais exigente e, paradoxalmente, mais libertador: o amor como competência emocional.

Imagem em Freepik

Quando segurança não é suficiente.

É aqui que Esther Perel acrescenta uma camada essencial à conversa.

Se, por um lado, desejamos segurança, parceria, cuidado e estabilidade, por outro, também ansiamos por desejo, vitalidade, mistério e sensação de estar vivas. O problema é que esses dois desejos — intimidade profunda e erotismo — nem sempre caminham juntos.

A rotina, a previsibilidade e a fusão emocional, tão necessárias para uma vida compartilhada, podem sufocar aquilo que alimenta o desejo: a alteridade, a autonomia, o espaço entre dois indivíduos inteiros.

Perel nos lembra de algo desconfortável, mas verdadeiro: não queremos apenas ser amadas — queremos ser desejadas.

Love stories prometem tudo. Life stories exigem escolhas.

Uma love storycostuma prometer:

  • intensidade sem esforço,
  • entendimento automático,
  • felicidade contínua.

Uma life storyexige:

  • conversas difíceis,
  • renegociação constante,
  • frustração tolerável,
  • compromisso consciente.

A grande virada da vida adulta acontece quando percebemos que ninguém será, ao mesmo tempo e para sempre:

  • amante excitante,
  • porto seguro emocional,
  • melhor amigo,
  • espelho das nossas necessidades,
  • solução para nossos vazios.
Imagem de prostooleh no Freepik

E tudo bem.

Relacionamentos saudáveis não são os que nos completam, mas os que nos acompanham enquanto seguimos incompletas.

O que as mulheres desejam hoje?

Talvez, mais do que histórias de amor perfeitas, desejemos relações onde possamos:

  • ser inteiras, não idealizadas;
  • crescer, não apenas agradar;
  • amar sem desaparecer;
  • sentir desejo sem culpa;
  • construir sem nos aprisionar.

Queremos alguém para caminhar ao lado — não para nos resgatar.

Entre a magia e a maturidade

O amor contemporâneo nos pede menos fantasia e mais consciência. Menos promessa de eternidade e mais presença real. Menos ideal romântico e mais inteligência emocional.

Não se trata de escolher entre love storiesou life stories, mas de entender que:

  • a magia sustenta o começo,
  • a maturidade sustenta o caminho.

No fim, talvez o maior desejo não seja viver uma história de amor digna de filme —mas construir uma história de vida que faça sentido, mesmo quando não parece perfeita.

E isso, sim, é profundamente romântico.

Maria Manuela Abrunhosa de Carvalho é portuguesa, tem formação em Línguas e Literatura Modernas (Português/Francês), foi professora e residiu em São Paulo, onde se certificou como Coach até voltar para Portugal. Hoje reside em Felgueiras, próxima à cidade do Porto. Descobriu em sua jornada que seu propósito seria ajudar casais a viverem relacionamentos saudáveis e prósperos. É coautora da obra ”Tempo de Se Amar” e idealizadora do Evento Internacional Love Summit; também atua como matchmaker, unindo indivíduos que buscam um parceiro ideal; é mentora e treinadora comportamental do método Wiser.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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