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Entre a copa, as urnas e os feriados está o desafio da produtividade em 2026

Um calendário atípico pressiona negócios de todos os portes e exige maturidade na gestão do tempo e das prioridades
Imagem e montagem feita com ferramentas de inteligência artificial

A combinação de Copa do Mundo, feriados e eleições transforma 2026 em um teste de maturidade não apenas para grandes organizações, mas para qualquer negócio que dependa de foco, planejamento e execução consistente

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Por Arnaldo Reis Figueiredo

O ano de 2026 reúne uma combinação rara e desafiadora para praticamente todo tipo de negócio no Brasil: Copa do Mundo, eleições gerais e um calendário carregado de feriados em dias úteis. O impacto não se restringe às grandes empresas ou ao ambiente corporativo tradicional. Ele alcança o comércio, pequenos e médios empreendedores, prestadores de serviço, indústrias e profissionais autônomos, todos aqueles cuja rotina depende de constância, previsibilidade e fluxo regular de trabalho.

O problema não é parar, é perder o ritmo

Em anos de Copa do Mundo, o padrão se repete. O tema domina conversas, altera horários, muda o fluxo de pessoas nas ruas e interfere diretamente na rotina produtiva. No comércio, surgem dias de pico seguidos de esvaziamento. Em empresas de serviços, as agendas se tornam irregulares. Em negócios menores, onde cada dia conta, qualquer quebra de ritmo pesa ainda mais. A produtividade não cai porque as pessoas deixam de trabalhar, mas porque a atenção se fragmenta.

Mesmo sem decretos oficiais, os jogos da Seleção Brasileira tradicionalmente reconfiguram a rotina nacional. Horários são flexibilizados, repartições funcionam parcialmente e as ruas assumem um clima de expectativa coletiva. Em dias de partidas decisivas, o país parece respirar futebol. O trânsito muda, a audiência dispara e a vida cotidiana se adapta ao apito inicial.

No segundo semestre, outro eixo de mobilização se impõe: as eleições gerais. Em 2026, os brasileiros irão às urnas para escolher presidente, governadores, deputados e parte do Senado. Como em todo ciclo eleitoral, os debates se intensificam, as opiniões se polarizam e o ambiente econômico reage às incertezas e expectativas do período. A campanha eleitoral disputará atenção com os efeitos acumulados da Copa e dos feriados prolongados, compondo um cenário de intensa movimentação social, política e emocional.

O calendário amplia ainda mais esse desafio. Muitos feriados caem em dias úteis, favorecendo emendas e semanas encurtadas. Para pequenos e médios negócios, isso significa menos dias abertos, ajustes constantes de equipe e impacto direto no faturamento. Mesmo quando o movimento aumenta em datas específicas, o planejamento se torna mais complexo e o risco de improviso cresce.

As eleições adicionam um fator extra de cautela. Em anos eleitorais, consumidores tendem a adiar decisões, empresas postergam investimentos e o clima de insegurança afeta contratações, expansão e o planejamento de médio prazo. O debate político invade conversas, redes sociais e ambientes de trabalho, consumindo energia que, em condições normais, estaria direcionada à operação do dia a dia. O resultado é um ano que avança aos solavancos, com uma sensação recorrente de instabilidade.

A combinação de Copa do Mundo, feriados e eleições transforma 2026 em um teste de maturidade não apenas para grandes organizações, mas para qualquer negócio que dependa de foco, planejamento e execução consistente.

Há, portanto, um ano de contrastes. De um lado, mais oportunidades de descanso, lazer e consumo. De outro, a necessidade de planejamento redobrado por parte do poder público, das empresas e da sociedade. A sucessão de pausas, somada à mobilização esportiva e ao clima eleitoral, pode gerar dinamismo, mas também sobrecarga institucional. Entre a vibração dos estádios e a tensão das urnas, 2026 se desenha como um período intenso, no qual organização e leitura de contexto serão tão importantes quanto saber aproveitar os momentos de pausa que o calendário oferece.

Com tantos feriados prolongados, o país tende a experimentar uma redução perceptível no número de dias efetivamente trabalhados. A indústria, o setor público e o sistema financeiro sentem essa oscilação de forma direta, enquanto turismo, hotelaria, bares, restaurantes e transporte se preparam para absorver o aumento do fluxo de pessoas. O consumo, em vez de distribuído de maneira uniforme ao longo do ano, tende a se concentrar em janelas específicas, impulsionado pelas folgas estendidas.

Diante desse cenário, empresas e gestores públicos precisarão se preparar com mais rigor. A soma de feriados prolongados, Copa do Mundo e eleições exige planejamento cuidadoso, revisão de metas, organização de estoques e adaptação de serviços. Embora o calendário traga desafios evidentes, também abre oportunidades para setores ligados ao lazer, ao turismo e à economia do entretenimento.

2026 pode até ser um ano desafiador, mas é no ajuste de rota que a gestão encontra força para seguir com clareza e consistência
Imagem e montagem feita com ferramentas de inteligência artificial

2026 é um ano desafiador ou um convite ao ajuste

É tentador culpar o calendário. A Copa altera a rotina. As eleições aumentam o ruído. Os feriados encurtam as semanas. Mas será que o problema é apenas 2026?

Algumas análises indicam que a queda de produtividade diante de eventos previsíveis revela, na verdade, fragilidades que já existiam. Falta de planejamento, metas pouco claras, excesso de improviso e modelos de gestão baseados apenas em presença ou esforço, e não em resultados. Nos pequenos negócios, isso aparece na dependência excessiva do dono. Em empresas maiores, no excesso de controle e burocracia. No comércio, na ausência de previsibilidade de fluxo e escala de trabalho.

Sim, é um ano desafiador. Mas gerenciar um ano como 2026 não exige trabalhar mais horas. Exige trabalhar com mais clareza e foco. Saber o que precisa ser feito, em que prazo e com qual prioridade reduz significativamente o impacto das distrações externas. Quando o foco está na entrega, o barulho ao redor perde força.

Planejamento passa a ser uma ferramenta de sobrevivência. Antecipar demandas, ajustar horários, revisar metas e aceitar que algumas semanas rendem menos do que outras ajuda a manter constância ao longo do ano. Produtividade não é produzir o máximo todos os dias, mas sustentar um ritmo consistente ao longo do tempo.

Também é necessária maturidade para lidar com o ambiente social e político. Não se trata de censurar conversas ou ignorar a realidade, mas de separar espaços e lembrar que o negócio precisa continuar funcionando. Na Copa, flexibilidade bem combinada pode gerar engajamento. Nas eleições, respeito e foco preservam energia. Nos feriados, organização evita perdas desnecessárias.

No fim, anos como 2026 podem até criar alguns desafios novos, mas sobretudo escancaram os que já existiam. Negócios organizados, com objetivos claros e gestão consciente, atravessam o ano com ajustes. Os desorganizados entram em um ciclo permanente de desculpas.

O calendário não define quem será produtivo. Ele apenas revela quem sabe trabalhar e gerir um negócio mesmo quando o cenário não ajuda.

Assim, 2026 se desenha como um ano vibrante, irregular e cheio de nuances, um período em que o Brasil alternará entre pausas festivas, mobilização esportiva e decisões políticas que moldarão o futuro do país.

Arnaldo Reis Figueiredo é executivo de Desenvolvimento de Novos Negócios e sócio proprietário da Vollare Mídia e Serviços | @vollaremidia, com atuação nas áreas de estratégia, tecnologia e comunicação.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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