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Mãe solo e atípica, terapeuta integrativa e escritora. Acredita no poder do acolhimento e das histórias para transformar a maternidade em uma jornada mais leve.

O reconhecimento que paga as contas

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Reconhecimento verdadeiro é aquele que nos permite dormir profundamente, sabendo que amanhã estaremos aqui, mais fortes, mais seguras e com as contas pagas

Em meu último artigo, escrevi sobre o tempo. Sobre como a vida tem um ritmo próprio e como nossos sonhos florescem quando estamos realmente prontas para vivê-los.

E acredito nisso de coração. Mas hoje quero puxar esse fio para um lugar mais… pé no chão. Porque uma coisa é acreditar no tempo certo da sua realização. Outra, bem diferente, é fazer essa realização bater a meta do cartão e do aluguel.

Vamos combinar que não nasci herdeira e nem casei com um homem rico (risos). A conta chega todo mês, e ela não aceita como pagamento a explicação de que “meu momento ainda vai chegar”.

Existe um romantismo perigoso em torno da realização. Um conto de fadas que termina no “e ela brilhou” e apaga propositalmente a cena seguinte: a heroína abrindo a carteira e contando as moedas para ver se o brilho se sustenta até o fim do mês.

Para nós, mulheres que somos pilares de família, de sonhos, de uma casa que precisa funcionar, o reconhecimento não pode ser apenas aplausos e elogios. Precisa ter combustível. Precisa ter a textura do pão na mesa, a cor da conta paga, o som da chave girando na porta de um aluguel em dia.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Isso não é materialismo. É sobrevivência com dignidade. É a tradução mais concreta do que significa “fazer dar certo”.

O mundo adora a história da mulher que se reinventa por paixão. Mas e a história da mulher que se reinventa por necessidade? Que pega seu talento, seu conhecimento acumulado nas noites em claro, sua resiliência forjada no cansaço, e os transforma não em um hobby, mas em fonte de renda?

Essa história é a minha. É a de tantas de vocês. É menos poética e mais suada. Menos “descoberta do dom” e mais “coragem de cobrar por ele”. Porque amor de mãe também é isso: garantir o teto. E amor-próprio também é: saber que seu trabalho vale o suficiente para te dar paz.

Então, se o texto passado foi sobre esperar com sabedoria o seu tempo, este é sobre construir com as próprias mãos a hora da sua segurança.

São as duas pernas do mesmo caminhante: uma sabe que não pode apressar o amanhecer; a outra sabe que, quando o dia clarear, será preciso colher, moer e assar o pão.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Não abro mão da poesia de acreditar no tempo certo. Mas coloco os pés no chão de barro da vida real: de que adianta a hora chegar se ela não trouxer o sustento?

Talvez a maior realização não seja apenas ver nosso nome num palco ou na capa de um livro. É ver nosso nome limpo ou no comprovante de pagamento de uma conquista que é só nossa. É sentir o alívio profundo de um “dá pra pagar” que ecoa como um mantra de vitória.

Que possamos, sim, florescer no nosso tempo. Mas que tenhamos a coragem de exigir que esse florescimento nos alimente, nos abrigue e nos dê a paz que todo ser humano – e toda mãe – merece.

Porque no final do dia, o reconhecimento mais verdadeiro é aquele que nos permite dormir profundamente, sabendo que amanhã estaremos aqui, mais fortes e mais seguras, para sonhar de novo, com o pé no chão e a conta no azul.

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Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Gisele Ribeiro é autora do livro ”Diário de uma mãe nada especial” obra em que desmistifica a maternidade idealizada e compartilha sua transformação pessoal e profissional. É terapeuta integrativa e criadora da mentoria Conversa Materna, um espaço de acolhimento para que cada mãe possa recriar sua própria história.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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