Por Simone Zolet
Na sociedade e mundo dos negócios, geralmente somos ensinados a ver a figura do líder como detentora do poder de condução, da autoridade e da influência sobre os demais. Todas essas características não necessariamente são positivas ou negativas. Elas dependem de alguns fatores a mais quando aplicamos as lentes do paradigma consciencial.
Paradigma consciencial?! O que é isso?!
Paradigma é um modelo, um padrão ou conjunto de regras que embasa o modo como interpretamos o mundo a nossa volta e a nós mesmos. Entender os seus próprios paradigmas ajuda a perceber por que você toma certas decisões e, o mais importante, ajuda a identificar quando um modelo mental antigo está te impedindo de ver uma solução nova.
O paradigma consciencial é um modelo que propõe estudar e olhar o mundo de modo mais abrangente do que o modelo materialista. Enquanto a ciência convencional tem por base o paradigma materialista (onde a consciência é apenas um subproduto do cérebro), o paradigma consciencial propõe que a consciência (self, essência, indivíduo, personalidade) está para além do cérebro físico, ou seja, para além da matéria física.

O que muda na liderança com o paradigma consciencial?
O que pensamos e o modo como agimos no dia a dia em nossos negócios, família e sociedade poderá ser totalmente ressignificado quando entramos em contato com o paradigma consciencial.
Deixamos de focar apenas no “quem manda” para entender quem melhor contribui na melhora dos negócios, da vida das pessoas, e dos ambientes.
O paradigma consciencial propõe que não somos apenas o nosso corpo físico, mas sim uma consciência (self, personalidade, indivíduo), temos vidas sucessivas, existem múltiplas dimensões (dimensão da matéria física, dimensão das energias, dimensões extrafísicas mais densas até as mais sutis), existe a bioenergética (energias das pessoas e da natureza) e que estamos sob a influência da cosmoética (ética natural do cosmos que vai muito além da ética física humana). Sob essa ótica, a liderança deixa de ser um cargo e passa a ser uma ferramenta de evolução.
Essa ferramenta pode ser utilizada pelo indivíduo tanto de modo sadio, positivo quanto de modo negativo. Essa conduta dependerá de real intenção, discernimento e lucidez da pessoa.
Aqui estão alguns pontos-chave dessa nova visão:
Liderança interassistencial: o líder que compreende o seu real papel nesta vida não busca coisas puramente egoístas, mas sim criar as condições para que todos ao seu redor evoluam, prosperem de modo sadio. O foco é a assistência mútua, ou seja, ele auxilia e é naturalmente auxiliado também em seu processo de evolução (inter+assistência).
Cosmoética acima de tudo: diferente da ética humana (restrita a leis humanas de cada sociedade numa única existência física e época), a cosmoética é uma lei natural do cosmos, atua sobre a intenção profunda e o impacto das ações de cada pessoa em todas as dimensões física e extrafísica, e nas suas vidas sucessivas (lei do retorno, lei da ação e reação). O líder que se inspira na cosmoética para direcionar as decisões e as ações não busca o “lucro ou o poder a qualquer custo” ou “que aconteça o melhor para o seu grupo restrito”, mas o que é o melhor possível, o mais nobre, a favor do melhor para todos os envolvidos (princípio do melhor para todos).
Gestão de energias: um líder lúcido dessa realidade muito além da dimensão física, entende que seu campo energético influencia o ambiente. Ele pode utilizar as suas bioenergias para manter o equilíbrio do grupo e desassediar o clima organizacional, melhorando as energias do ambiente.

Do Líder Autocrático ao Epicentro Consciencial
O líder que atua sob o paradigma consciencial e de modo sadio, cosmoético, pode se desenvolver e atuar enquanto um epicentro consciencial. Ou seja, um indivíduo que se tornou um ponto de referência e equilíbrio em termos de energia e ética. É alguém que, devido ao seu nível de maturidade consciencial, lucidez, e domínio das próprias energias, consegue ancorar trabalhos e empreendimentos positivos e sadios nos ambientes, independente do caos ao seu redor.
Ele lidera pelo exemplo prático (teática), e não apenas pelo discurso. 99% de prática e 1% de teoria. Possui um alto nível de autoconhecimento, identificando seus próprios traços-fardos (pontos a melhorar) e potencializando seus traços-forças inspirado no melhor de si para ajudar melhor aos outros. Está atento às inspirações de amparadores (consciências evoluídas que auxiliam na evolução dos indivíduos e grupos) e busca alinhar os objetivos pessoais e dos grupos com a cosmoética.
Como aplicar isso na prática hoje?
Você não precisa estar em uma sala de aula para exercer uma liderança mais cosmoética, interassistencial e evolutiva. Ela começa com algumas posturas simples:
Intenção real: antes de uma decisão, questione: “Isso favorece apenas a mim ou beneficia o grupo de modo evolutiva?”.
Postura: essa minha postura ou conduta está gerando mais liberdade e autonomia para todas as consciências ou dependência e submissão?
Domine suas energias: pratique a exteriorização de energias positivas para limpar o ambiente de tensões desnecessárias.
Substitua a competição pela cooperação: o paradigma consciencial nos ensina que o sucesso do outro é um degrau para o nosso próprio crescimento. Quanto mais a pessoa melhora evolutivamente, mais ajuda aos outros e o ambiente ao seu redor a evoluírem também.
A liderança interassistencial é o exercício da fraternidade aplicada com discernimento e responsabilidade máxima sobre o desenvolvimento evolutivo das consciências sob nossa influência.
Não esqueça o pilar fundamental: não acredite em nada, nem mesmo no que eu te digo. Experimente. Tenha suas próprias experiências.
Boa prática!





























