Por Adelino Denk
Superar desafios pessoais, conquistar espaço, alcançar resultados — tudo isso tem valor.
No entanto ganha outro significado quando conectado a algo maior. Nesse caso, o sucesso deixa de ser aquilo que se acumula e passa a ser aquilo que se multiplica.
Nasci em 1963 numa pequena cidade no norte de Santa Catarina, São Bento do Sul, na época, com apenas 13 mil habitantes. Sou descendente de imigrantes alemães. A influência germânica era tanta que iniciei na escola aos 7 anos (não existia jardim de infância na época), sem saber falar tudo em português. Por alguns meses tinha intérprete na sala. Era motivo de chacotas e apelidos, e foi o primeiro grande momento de autossuperação.
A educação dos pais, trazia na base a disciplina e autonomia desde cedo, com a rigidez característica da cultura alemã. Lembro-me que já aos 6 anos, recebia uma sacola com bilhete para fazer compras na loja de secos e molhados do bairro. Além disso, distribuía leite nos vizinhos. Tudo isso me fez amadurecer mais cedo. Tarefas de responsabilidade, com base em confiança e orientação de valores: “fazer sempre o que é o correto.”
Outra memória importante nesta jornada ocorre aos 9 anos, quando a professora comentou numa aula de religião sobre o que acontecia após a morte. Perguntado sobre o assunto, respondi: “a gente vira energia”. Não tinha a menor noção na época, que mais tarde, esta ideia inata sobre energias e propósito de vida significaria algo mais profundo para mim.
Aos 13 anos, recebi outro aporte importante para o meu desenvolvimento intelectual, o presente de uma enciclopédia do pai, pois vivia empolgado com as enciclopédias na biblioteca do colégio marista onde estudava.
Em 1977, fui selecionado para participar de um programa de televisão em Curitiba nos sábados à tarde, onde ocorria o show de calouros e um quadro chamado “A Grande Viagem” com a participação de 9 colégios, dentre eles o colégio marista de São Bento do Sul. Experiência incrível, mas a história é longa … Foi um momento de autossuperação muito grande, pois sempre fui tímido. Não esqueço até hoje o beijo da mulher, auxiliar do apresentador, durante o intervalo, marcando o meu rosto com o seu batom. Foi um desafio o enfrentamento de auditório, luzes e o nervosismo para responder as perguntas.

Ao final daquele mesmo ano, o pai lançou um desafio. Agora é trabalhar e você mesmo bancar os estudos daqui para frente. E assim, aos 14 anos, iniciei no primeiro emprego em período integral e já no ano seguinte, o curso técnico de contabilidade a noite. Jornada dupla, com muito esforço e, ao final, sendo reconhecido como o melhor aluno do curso. Já sabia que precisava me preparar muito para alcançar os objetivos profissionais.
Logo na sequência, consegui entrar como menor aprendiz no Banco do Brasil, apesar da timidez. Tive que conversar diretamente com o gerente para conquistar a vaga, pois descobri que outro aluno que não fazia parte dos melhores alunos, havia sido chamado. Havia manipulação, mas a orientação de casa me levou adiante: “faça o correto”.
Completando 18 anos, fui indicado para auxiliar de escritório numa grande empresa de móveis na época. Em paralelo, iniciei na faculdade de Administração de empresas em Joinville, distante 80 km, pois na cidade ainda não existia faculdade. Ia de ônibus estudar todos os dias, chegando já no início da madrugada. No primeiro ano o salário era integral para a mensalidade e o ônibus. Precisava de promoção, pois não sobrava nada.
Desse modo, com apenas 1 ano de empresa e com a saída do “chefe” do setor, pedi para ocupar a vaga, apesar do medo. O diretor da empresa relutou, mas deu a chance com 2 observações: 1) se você não ensinar alguém, não conseguirá crescer na empresa. E, isso levo comigo até hoje. Sempre ensinar e delegar para conseguir ocupar novos espaços. 2) Como você vai fazer o seu trabalho e o do “chefe”? E aí me comprometi com algo impensável hoje: vou faltar um dia alternado por semana por 3 meses na faculdade, e trabalhar gratuitamente até meia noite para dar conta do meu trabalho e o do chefe. Você autoriza? E assim aconteceu. Fazia de conta que tinha ido para a faculdade.
Em plena crise de 1993, aos 30 anos, abri o negócio próprio na área de consultoria, apesar de ter sido aconselhado em não seguir adiante, pois não daria certo. Mas acreditei que poderia compartilhar o que havia aprendido até então. Mesmo com insegurança, seguia a intuição (se está com medo, vai com medo mesmo, e fazendo o certo se consegue).
Entre os obstáculos, avanços e recuos, ressalto na trajetória, o convite em 1998 para ser professor na universidade que então se estabelecia na cidade. Segui jornada na universidade por 23 anos, trabalhando com metodologias que provocassem reflexões.

Em 2010 fui convidado para presidir a Associação empresarial da cidade, levando planejamento e, em 2011 já presidia uma fundação de ensino, tecnologia e pesquisa, responsável pela incubação tecnológica. Desafios enormes para um menino do interior que não tinha muita visibilidade, mas, lá no fundo, tinha a convicção de que algo maior deveria ser entregue e mais assistência poderia ser feita.
Após dificuldades com outro negócio, busquei autoconhecimento mais profundo, pois já sabia de que existia algo além da religião – a multidimensionalidade. Entre idas e vindas, encontrei a Conscienciologia em 2013. Foi um divisor de águas. A consciência sobre energias e a multidimensionalidade foi imediata.
A jornada cada vez mais consciente
Esta trajetória teve momentos difíceis, porém destaco o propósito de seguir adiante, gerando transformações nas organizações, compartilhando experiências de associativismo e cooperação. Hoje me dedico a projetos enquanto consultor, conselheiro e professor voluntário, que despertem a melhoria contínua e impulsionem as pessoas para a conquista de autonomia nos seus projetos e desafios.
A consultoria surge não apenas como profissão, mas como extensão natural dessa jornada. A experiência acumulada ganha um novo significado quando é colocada a serviço de outros. Soluções individuais tornam-se compartilhadas.
No papel de professor, o aprendizado ganha uma nova dimensão. Ensinar não é transferir conhecimento, mas provocar reflexão. E, muitas vezes, é aprender novamente — porque cada pessoa traz consigo uma nova perspectiva. Autorreflexão propicia evolução.
Enquanto conselheiro, a responsabilidade se amplia. Já não se trata apenas de orientar, mas de contribuir para decisões que impactam negócios, famílias, legados. Aqui, a experiência encontra a prudência. E a escuta se torna tão importante quanto a fala.
No voluntariado, talvez esteja uma das expressões mais genuínas do propósito, pois é onde não há troca direta, onde o retorno não é financeiro, mas humano. É onde se percebe, de maneira mais clara, que ajudar o outro também é uma maneira de evoluir.
Ao longo dessa jornada, uma percepção foi se consolidando: autossuperação, por si só, é incompleta. É necessário o autoenfrentamento para fazer as mudanças com coragem, pensando no melhor para todos e qualificando a assistência para que todos evoluam.

Autonomia e melhoria contínua
Superar desafios pessoais, conquistar espaço, alcançar resultados — tudo isso tem valor.
No entanto ganha outro significado quando conectado a algo maior. Quando deixa de ser apenas sobre “eu consegui” e passa a ser sobre “como posso contribuir para que outros também consigam”. É nesse ponto que o propósito deixa de ser uma ideia abstrata e se torna uma prática diária. E, aos poucos, ele se revela com clareza: promover autonomia. Sem dependência. Sem centralização. Sem protagonismo individual.
A evolução é feita de passos graduais, coragem, aceitação de desafios e aprendizado contínuo. E assim, a evolução passou a ser um processo cada vez mais consciente e não significa apenas “chegar mais longe” e sim, “levar os outros juntos”.
Autonomia é a capacidade de cada pessoa conduzir a própria jornada, fazer escolhas conscientes, assumir responsabilidades e construir seu próprio caminho. Porque, no fim, ajudar não é fazer pelo outro. É preparar o outro para fazer por si.
Essa compreensão muda tudo. Muda a maneira de ensinar, de orientar, de liderar. Muda a maneira de se posicionar no mundo. E, principalmente, muda a medida de sucesso. O sucesso deixa de ser aquilo que se acumula e passa a ser aquilo que se multiplica.
Evolução constante para assistir melhor
Hoje, olhando para trás, a linha que conecta infância, desafios, conquistas e atuação profissional faz mais sentido do que nunca. Não porque o caminho foi fácil ou previsível, mas porque cada etapa contribuiu para a construção de algo maior. E, ao mesmo tempo, olhando para frente, há uma certeza: a jornada está longe de terminar porque autossuperação com propósito não tem linha de chegada. Ela é movimento. É evolução constante. Propósito consciente sereniza. É a decisão diária de continuar crescendo — não apenas para ir mais longe, mas para ampliar o impacto. E, talvez, seja isso que dá sentido a tudo: saber que cada passo dado não termina em si mesmo, mas abre caminho para que outros também avancem.
Essa é a essência da autossuperação com propósito. Melhoria contínua sempre. Uma história que contina sendo escrita. E você, já pensou no propósito das suas autossuperações?





























