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Despertar o melhor de cada pessoa através do autoconhecimento, da autenticidade e da conexão com sua verdadeira essência

Existe uma mulher por trás da mãe e ela merece continuar existindo

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

O sofrimento emocional da maternidade não diminui quando a mulher tenta ser perfeita; ele diminui quando ela entende que também merece cuidado.

“Às vezes eu sinto que a maternidade tomou todos os espaços dentro de mim.
Como se cada pensamento começasse e terminasse no meu filho. É estranho perceber como uma pessoa tão pequena consegue ocupar tanto espaço dentro da gente. Não só no tempo, mas na cabeça, no corpo, no coração inteiro. Talvez eu ainda esteja aprendendo a existir além da maternidade. Mas, honestamente, também é o papel mais intenso, difícil e verdadeiro que eu já vivi.”

Thabata Kekligian Oliveira, mãe de Theo, 2 anos.

A maternidade costuma ser apresentada como um dos momentos mais transformadores e significativos da vida de uma mulher. E, de fato, ela pode ser profundamente atravessadora em todos os sentidos: físico, emocional, psicológico, relacional e até espiritual. Mas existe um aspecto dessa experiência que ainda é pouco discutido de forma profunda e honesta: o impacto da maternidade na identidade feminina.

Quando um filho nasce, nasce também uma mãe. Porém, em muitos casos, partes importantes da mulher começam silenciosamente a desaparecer ao longo dessa nova configuração da vida.

Não acontece de uma vez. É gradual.

A mulher que antes tinha espaço para seus projetos, desejos, pausas, autocuidado, vida social, carreira e individualidade passa a ocupar, quase exclusivamente, o lugar de quem cuida, organiza, resolve e sustenta tudo ao redor.

E o mais delicado é que, enquanto toda a atenção se volta para o bebê, quase ninguém pergunta o que está acontecendo emocionalmente com essa mulher.

É nesse silêncio que muitas começam a viver uma profunda desconexão de si mesmas.

O impacto emocional da maternidade vai muito além do pós-parto

Durante muitos anos, a conversa sobre saúde mental materna ficou concentrada principalmente no tema da depressão pós-parto. Embora esse seja um assunto extremamente importante, a experiência emocional da maternidade é muito mais ampla e complexa.

Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cerca de 25% das mulheres brasileiras apresentam sintomas de depressão no período pós-parto. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também alerta para os impactos da sobrecarga emocional, da privação de sono, da ausência de rede de apoio e da pressão social sobre a saúde mental das mães.

Mas nem toda mulher que sofre emocionalmente na maternidade desenvolve um quadro depressivo.

Muitas vivem algo mais difícil de nomear: a sensação de terem se perdido de si mesmas.

Amam profundamente seus filhos, mas já não conseguem reconhecer quem são além da função materna. Sentem culpa por desejar descanso, silêncio, espaço ou individualidade. Passam a acreditar que precisam dar conta de tudo e, quando não conseguem, sentem que estão falhando ou que não são boas como as outras.

Essa cobrança excessiva não nasce do nada. Ela é construída socialmente.

Durante décadas, a imagem da “mãe que dá conta de tudo” foi romantizada. A mulher deveria ser emocionalmente equilibrada, profissionalmente produtiva, fisicamente bonita, sexualmente disponível, presente na criação dos filhos, organizada, paciente e grata o tempo inteiro.

A consequência disso é um número crescente de mulheres vivendo em estado permanente de exaustão emocional.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

A maternidade pode provocar um luto da própria identidade

Hoje já se sabe, através de estudos sobre saúde emocional, que o luto não acontece apenas diante da perda de alguém. Ele também pode surgir quando uma mulher percebe que partes importantes da sua antiga vida já não existem mais da mesma forma.

É o luto da liberdade anterior.

Da rotina anterior.

Da mulher que tinha mais tempo para si e para dormir.

Da independência financeira.

Da profissional que conseguia sustentar alta performance sem tantas interrupções.

Da relação conjugal que existia antes dos filhos.

Da leveza emocional que parecia mais acessível.

Muitas mulheres entram na maternidade acreditando que conseguirão sustentar tudo exatamente como antes: carreira, casa, relacionamento, produtividade, vida social, autocuidado, equilíbrio emocional e maternidade integral.

Mas a chegada de um filho reorganiza completamente a vida emocional, física e mental da mulher.

E quando ela percebe que não consegue atender a todas as expectativas que existiam antes, frequentemente sente culpa, inadequação e frustração.

O problema é que quase ninguém prepara emocionalmente essa mulher para compreender que mudanças profundas exigem reorganização — e não perfeição.

A maternidade atravessa diferentes camadas da identidade feminina

Um dos motivos pelos quais a maternidade pode gerar tanto impacto emocional é porque ela atravessa diferentes dimensões da identidade da mulher ao mesmo tempo.

A identidade corporal é impactada pelas mudanças físicas, hormonais e pela relação da mulher com o próprio corpo após a gestação e o parto.

A identidade profissional também se transforma, especialmente quando a mulher precisa desacelerar a carreira, reorganizar prioridades ou lidar com a sensação de perda de desempenho.

A identidade relacional muda porque a maternidade altera a dinâmica dos relacionamentos, das amizades e até da relação da mulher com sua própria mãe.

A identidade psicológica também é atravessada pela sobrecarga emocional, pela privação de sono, pelas novas responsabilidades e pelas intensas mudanças internas e externas que esse período provoca.

A identidade erótica pode ser afetada quando a mulher deixa de se perceber como mulher além do papel materno e encontra dificuldade em se reconectar com o próprio desejo e feminilidade.

E existe ainda a dimensão espiritual e existencial da maternidade, que frequentemente leva a mulher a refletir sobre propósito, medo, responsabilidade, finitude e sentido da vida.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

A maternidade não deveria ser vivida em isolamento

Existe outro ponto importante nessa discussão: nem toda mulher possui rede de apoio.

Falar simplesmente para uma mãe “pedir ajuda” pode parecer fácil na teoria, mas muitas vivem realidades completamente diferentes. Algumas estão longe da família, outras não possuem suporte do parceiro, enfrentam dificuldades financeiras ou sequer têm com quem deixar o bebê por alguns instantes.

Também é importante reconhecer que se organizar emocionalmente antes da gestação ainda é um privilégio de poucas mulheres. Grande parte aprende a lidar com tudo enquanto já está emocionalmente sobrecarregada.

Por isso, acolhimento e suporte precisam deixar de ser tratados como luxo e passar a ser entendidos como necessidade de saúde emocional.

Em algumas cidades brasileiras já existem iniciativas públicas, grupos de acolhimento, rodas de conversa e espaços voltados à saúde emocional feminina. Ainda são insuficientes diante da demanda real, mas mostram a importância de olhar para a maternidade também como uma questão de saúde emocional coletiva.

Em muitos lugares, no entanto, esses espaços ainda não existem — e isso também precisa entrar na pauta social.

O que essa mulher pode fazer a partir de agora?

O primeiro passo é entender que cuidar de si não é egoísmo. É necessidade emocional.

Muitas mulheres entram em um ciclo automático de exaustão porque acreditam que precisam estar produzindo, resolvendo ou cuidando de alguém o tempo inteiro. E, quando possuem dificuldades relacionadas ao merecimento, acabam se colocando sempre por último.

Por isso, é importante que essa mulher comece, aos poucos, a reorganizar sua rotina de maneira mais saudável e possível dentro da sua realidade.

Se o bebê dorme, talvez ela também precise descansar — e não apenas aproveitar aquele tempo para fazer mais tarefas.

Se o filho está na escola ou em alguma atividade, talvez seja importante usar parte desse período para recuperar energia, tomar um banho com calma, cuidar da própria saúde, fazer algo que lhe traga prazer ou simplesmente respirar sem culpa.

Também é importante desenvolver coragem para pedir ajuda e permitir que outras pessoas participem do cuidado. Muitas mulheres carregam a sensação de que precisam dar conta de tudo sozinhas, mas confiar no apoio do outro também é uma forma de cuidado emocional.

Às vezes, o primeiro passo será mandar mensagem para uma amiga, pedir apoio, conversar com outra mãe ou buscar ajuda profissional.

Psicoterapia, desenvolvimento emocional e programas de fortalecimento da autoestima podem ajudar essa mulher a se reconectar consigo mesma de forma mais consciente e saudável.

O sofrimento emocional da maternidade não diminui quando a mulher tenta ser perfeita; ele diminui quando ela entende que também merece cuidado.

Porque existe uma mulher por trás da mãe.

E ela também merece continuar existindo.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Pexels

Conheça e faça parte do movimento Maio Furta-Cor — uma iniciativa que amplia o olhar para a saúde mental materna, promovendo acolhimento, conscientização, escuta e apoio emocional às mães. Compartilhe essa causa e ajude mais mulheres a compreenderem que cuidar da saúde emocional materna é cuidar de toda a família e das próximas gerações.

Eu, Ana Kekligian, apoio este movimento e reforço a importância de levarmos essa conversa cada vez mais longe.

Acompanhe e fortaleça essa causa: @maiofurtacor e @maiofurtacor.itatiba

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Ana Kekligian atua há mais de uma década na área de desenvolvimento humano, motivando mulheres a reconstruírem sua autoestima, promovendo inteligência emocional, comunicação assertiva e uma cultura de alta performance baseada em motivação, estratégia e propósito, de maneira a fortalecerem sua autoconfiança e se reconectarem com sua identidade para viverem com mais leveza e realização.
Gostou da matéria? Quer fazer comentários, críticas ou sugestões, escreva para a Dolce Morumbi®: contato@dolcemorumbi.com

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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