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A Receita Federal deu mais tempo. O mercado não deveria desperdiçá-lo

O cronograma mudou. O tempo continua correndo.
Imagem feita com ferramentas de inteligência artificial

A vantagem competitiva raramente aparece quando a mudança acontece; ela costuma nascer antes

Por Arnaldo Reis Figueiredo

Existe uma diferença importante entre ganhar tempo e resolver um problema. Nos últimos dias, muita gente recebeu a reorganização do cronograma da reforma tributária como um alívio, quase como se a pressão tivesse diminuído. Só que a notícia mais importante não é o adiamento de parte das exigências envolvendo CBS e IBS. A notícia é que a própria Receita Federal precisou reconhecer, na prática, que uma mudança desse tamanho exige mais tempo para funcionar.

No dia 31 de julho, poucos dias antes da primeira etapa prevista para 3 de agosto, foi anunciada a prorrogação da obrigatoriedade dos novos campos da CBS e do IBS na Nota Fiscal de Serviços Eletrônica, que passou para 1º de outubro de 2026. As demais etapas também foram redistribuídas até janeiro de 2027. Isso não significa que a reforma parou. Significa que até quem conduz a implementação reconheceu que colocar esse novo modelo em pé é mais complexo do que simplesmente publicar uma nova regra.

Quem está dentro das empresas já conhecia essa realidade. Enquanto muita gente discutia a reforma no campo político ou jurídico, a operação enfrentava outro cenário: sistemas sendo atualizados, cadastros revisados, equipes treinadas e dúvidas surgindo todos os dias. A transição deixou de ser um assunto para especialistas e passou a ocupar espaço nas decisões do financeiro, da contabilidade, da tecnologia e da gestão.

Quando o tempo vira estratégia, a urgência deixa de comandar as decisões.
Imagem feita com ferramentas de inteligência artificial

O tempo extra só faz sentido se for usado agora

É justamente aqui que mora o maior risco. Empresas costumam pagar caro quando confundem prazo disponível com tempo sobrando. Todo gestor já viveu aquela atualização que parecia simples e acabou consumindo semanas de ajustes, aquele cadastro que parecia organizado até revelar inconsistências ou aquela decisão deixada para depois que virou urgência na pior hora possível.

A reforma tributária segue a mesma lógica. Quanto mais perto da obrigatoriedade as adaptações forem concentradas, maior será o custo do retrabalho, da pressão sobre as equipes e das correções feitas às pressas. Não por acaso, a própria Receita Federal adotou uma postura de transição gradual, priorizando orientação e conformidade nos primeiros momentos da implementação. Mas isso não muda o essencial: a obrigação continua vindo.

Talvez essa seja a principal lição desse episódio. A vantagem competitiva raramente aparece quando a mudança acontece. Ela costuma nascer antes, durante o período em que poucos enxergam valor na preparação. Quem aproveitar esse intervalo para organizar processos, revisar informações fiscais e alinhar sistemas provavelmente chegará às próximas etapas com menos turbulência.

No fim das contas, a reorganização do cronograma não diminui o tamanho da reforma. Apenas amplia a janela para que as empresas façam hoje o que inevitavelmente terão de fazer amanhã. E, em mudanças dessa dimensão, quase nunca o erro é começar cedo demais. O erro costuma ser acreditar que ainda existe tempo suficiente para começar depois.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Arnaldo Reis Figueiredo é executivo de Desenvolvimento de Novos Negócios em Tecnologia da Informação, com ampla experiência em transformação digital e estratégia de TI. Atua como conselheiro da Vollier Mídia e Serviços | @vollier, contribuindo com direcionamento estratégico em tecnologia e posicionamento de marca.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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