A cada ano que passa, são mil obstáculos superados, mil ilusões e imaginações sobre o que poderia ter sido, sobre o que foi e não foi dito, sobre o querer, o possível e o imaginável. E, no fim, a pergunta que não quer calar: ainda vale a pena?
Vale a pena lutar pelo amor que vivo? Valem mesmo as guerras e os desafios? Valem as lágrimas e as dores das utopias que criamos?
E, no meio dessas questões — e de tantas outras — surge aquele aperto no peito, a falta de ar e a sensação de não saber o que escolher ou decidir. E, literalmente no minuto seguinte, como se fosse um quebra-cabeças, bum!: uma explosão de recordações de tudo o que foi vivido.
De todos os momentos de alegria, de todos aqueles em que tudo apontava para um rompimento brusco, mas em que se escolheu o oposto. Foi o “sim” de todos os dias que venceu. Foi o querer acordar olhando para aquela cara inchada e amassada que se escolheu. Foi a convivência entre a aversão de não querer falar pela manhã e o outro que acorda a duzentos quilómetros por hora, pulando e gritando: amor, é você. Só você. Hoje e para sempre.

Mas essa escolha significa apagar tudo o que foi ruim e pesado?
Não apagar, mas ressignificar. Reestruturar. Buscar, na dor do outro, o sorriso que o acalenta. Buscar, na guerra do outro, a razão para hastear a bandeira branca. Perceber que nem toda guerra termina com um vencedor, mas que dela podem surgir dois bons negociadores, capazes de baixar o ego em prol da permanência do amor, do enraizamento dessa relação.
É preciso perceber que, com o tempo, as situações, emoções e certezas — outrora claras — moldam-se. E, mesmo que a vontade permaneça a mesma, o caminho pode sofrer pequenas alterações, desde que ambos concordem, assumam os riscos e acolham os possíveis erros que surgem no decorrer dos dias, meses e anos.
Encontrar circunstâncias diferentes não significa mudar o destino ou o resultado. Significa que aprendemos com tudo o que foi vivido e que, mais do que guerrear, é necessário mudar estratégias para alcançar o mesmo objetivo: manter o amor vivo. Não igual ao passado, mas mais maduro, consciente, elaborado, menos complexo, mais aconchegante, permissivo, eloquente, apaixonante e claro sobre o que se quer.

Se, após anos, a clareza dos objetivos não se materializa, algo no caminho não está certo. Algo perdeu-se e precisa ser resgatado, perdoado e corrigido. Amor maduro não dói, não machuca, não engana. Ele alimenta-se do que é positivo, do que engrandece e fortalece.
Poderia dizer mais, entrar nos devaneios da maturidade, do encaixe e de tantas outras coisinhas, mas prefiro apenas lembrar-te que o amor de anos é desafiador, pois requer constante manutenção diante da mesmice que o tempo traz — a tal monotonia. Por isso, prefiro terminar questionando:
Neste momento, vem-te a certeza de teres feito tudo?
Vem-te a dúvida de teres perdido?
Ou vem-te a certeza de querer fazer mais todos os dias?




























