Skip to content
Moçambique (TVM) e traz aqui suas reflexões sobre a vida contemporânea.

O que eu poderia lhe dizer

Se, após anos, a clareza dos objetivos não se materializa, algo no caminho não está certo

A cada ano que passa, são mil obstáculos superados, mil ilusões e imaginações sobre o que poderia ter sido, sobre o que foi e não foi dito, sobre o querer, o possível e o imaginável. E, no fim, a pergunta que não quer calar: ainda vale a pena?

Vale a pena lutar pelo amor que vivo? Valem mesmo as guerras e os desafios? Valem as lágrimas e as dores das utopias que criamos?

E, no meio dessas questões — e de tantas outras — surge aquele aperto no peito, a falta de ar e a sensação de não saber o que escolher ou decidir. E, literalmente no minuto seguinte, como se fosse um quebra-cabeças, bum!: uma explosão de recordações de tudo o que foi vivido.

De todos os momentos de alegria, de todos aqueles em que tudo apontava para um rompimento brusco, mas em que se escolheu o oposto. Foi o “sim” de todos os dias que venceu. Foi o querer acordar olhando para aquela cara inchada e amassada que se escolheu. Foi a convivência entre a aversão de não querer falar pela manhã e o outro que acorda a duzentos quilómetros por hora, pulando e gritando: amor, é você. Só você. Hoje e para sempre.

Imagem de benzoix no Freepik

Mas essa escolha significa apagar tudo o que foi ruim e pesado?

Não apagar, mas ressignificar. Reestruturar. Buscar, na dor do outro, o sorriso que o acalenta. Buscar, na guerra do outro, a razão para hastear a bandeira branca. Perceber que nem toda guerra termina com um vencedor, mas que dela podem surgir dois bons negociadores, capazes de baixar o ego em prol da permanência do amor, do enraizamento dessa relação.

É preciso perceber que, com o tempo, as situações, emoções e certezas — outrora claras — moldam-se. E, mesmo que a vontade permaneça a mesma, o caminho pode sofrer pequenas alterações, desde que ambos concordem, assumam os riscos e acolham os possíveis erros que surgem no decorrer dos dias, meses e anos.

Encontrar circunstâncias diferentes não significa mudar o destino ou o resultado. Significa que aprendemos com tudo o que foi vivido e que, mais do que guerrear, é necessário mudar estratégias para alcançar o mesmo objetivo: manter o amor vivo. Não igual ao passado, mas mais maduro, consciente, elaborado, menos complexo, mais aconchegante, permissivo, eloquente, apaixonante e claro sobre o que se quer.

Imagem de wayhomestudio no Freepik

Se, após anos, a clareza dos objetivos não se materializa, algo no caminho não está certo. Algo perdeu-se e precisa ser resgatado, perdoado e corrigido. Amor maduro não dói, não machuca, não engana. Ele alimenta-se do que é positivo, do que engrandece e fortalece.

Poderia dizer mais, entrar nos devaneios da maturidade, do encaixe e de tantas outras coisinhas, mas prefiro apenas lembrar-te que o amor de anos é desafiador, pois requer constante manutenção diante da mesmice que o tempo traz — a tal monotonia. Por isso, prefiro terminar questionando:

Neste momento, vem-te a certeza de teres feito tudo?

Vem-te a dúvida de teres perdido?

Ou vem-te a certeza de querer fazer mais todos os dias?

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Erica Paiva vive em Maputo, Moçambique e é bacharel em direito e tem uma atuação ativa na área de comunicação, cultura e no social. Considera a escrita uma forma de se comunicar com o mundo, levando suas reflexões acerca dos contrastes da sociedade em seu cotidiano. Seus textos buscam compreender a alma humana e, ao mesmo tempo, devolver-lhe um pouco de beleza, reflexão e esperança

Demais Publicações

Beleza também é coisa de homem

O autocuidado ganha força às vésperas do Dia dos Pais

Vai que…

Se não atrapalhar, não mexa, só ajeite

Como não ficar refém dos seus conflitos internos

Conflitos são inevitáveis em nossa condição humana, mas podemos achar formas de nos relacionar com eles

Estas são as 5 cidades onde você precisa redobrar a atenção com golpes e furtos

O recado não é cancelar a viagem, mas sim viajar com mais cuidado

O fim da moda por estação

A elegância do futuro está na permanência, não na velocidade

Por que tantas mulheres já não sabem o que querem para si

Entre trabalho, família e a necessidade constante de corresponder às expectativas, muitas mulheres perderam a conexão com os próprios desejos

O que a série “Uma Nova Mulher” revela sobre os padrões emocionais que aprisionam tantas mulheres

Embora seja uma obra de ficção, a série desperta reflexões sobre temas amplamente estudados na ciência do desenvolvimento humano, dos vínculos afetivos e dos padrões emocionais

Como falar sobre sexualidade com o parceiro sem virar uma discussão sobre o relacionamento?

Entenda como transformar conversas difíceis sobre a vida íntima em momentos de cumplicidade e desejo, sem cobranças ou clima de 'DR'

A Copa de 2026 revelou um jogo que vai muito além do futebol

Quanto maior a relevância de uma organização, maior também passa a ser o número de interesses que está ao seu redor

Painel Dolce Morumbi

As Mais lidas da Semana

Publicidade Dolce Morumbi

arte-painel-dolce-cantiga-crianca_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
arte-painel-dolce-abtours_1_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

Seções