Por Arnaldo Reis Figueiredo
Por que 2026 redefine o valor da liderança no mercado
Ao longo dos últimos meses, multiplicaram-se os artigos sobre os desafios da liderança em 2026. Alguns otimistas, outros excessivamente simplificadores, muitos prometendo atalhos para um cenário que, na prática, será mais exigente. Ainda assim, a pergunta central permanece: o que, de fato, muda para quem lidera?
O próximo ano chega marcado por pressão econômica, aceleração tecnológica e um ambiente de negócios mais seletivo. Mas a principal transformação não está apenas no contexto externo. Está na forma como o mercado passa a diferenciar líderes de executores.
Após analisar tendências e conversar com líderes de diferentes setores e portes de empresa, fica claro que 2026 não terá uma única narrativa. Ainda assim, há um fio condutor inequívoco: clareza estratégica, impacto perceptível e posicionamento consciente. O esforço isolado deixa de ser diferencial. O que ganha valor é a direção.
Não por acaso, em um artigo recente neste portal (“Entre a copa, as urnas e os feriados está o desafio da produtividade em 2026”), chamei atenção para o impacto do calendário de 2026, com feriados concentrados, eleições e Copa do Mundo, sobre a capacidade produtiva das organizações. O tempo, mais escasso, torna a clareza estratégica ainda mais decisiva. Esse cenário afeta grandes corporações, mas também empresas em crescimento, negócios autorais, startups e empreendimento familiares.
Diante disso, muitos líderes iniciam o ano com a sensação de que precisam acelerar. Entregar mais, assumir mais responsabilidades, manter-se constantemente ocupados. A intenção é legítima, mas o efeito costuma ser o oposto. Acelerar sem clareza tende a gerar dispersão, desgaste e decisões reativas. Produz movimento, mas não necessariamente avanço.
O que se observa é que as oportunidades mais relevantes raramente surgem para quem está apenas ocupado. Elas aparecem para quem desenvolveu leitura de contexto, compreende seu papel e sabe posicionar seu valor. 2026 não será um ano que recompensa velocidade. Será um ano que privilegia direção.

Imagem e montagem feita com ferramentas de inteligência artificial
Quando executar bem já não é suficiente
A tecnologia segue no centro das decisões estratégicas, mas já não ocupa esse espaço como diferencial. Da indústria ao varejo, do agronegócio aos negócios digitais, inovar deixou de ser ambição e passou a ser condição básica. O desafio real está menos nas ferramentas e mais na capacidade de integrá-las à estratégia, às pessoas e à cultura do negócio.
É nesse ponto que a separação entre líderes e executores se torna evidente. Quem apenas comunica tarefas tende a ser visto como eficiente, mas substituível. Quem explica decisões, contextualiza escolhas e conecta ações a objetivos mais amplos passa a ser percebido como estrategista. Liderar deixa de ser fazer mais e passa a ser dar sentido ao que é feito.
Para conselhos, investidores e parceiros, o valor está cada vez menos nos detalhes técnicos e mais na clareza de visão, na leitura de risco e na capacidade de conduzir pessoas em cenários incertos. A senioridade também já não se constrói apenas dentro da organização. Liderança visível não é autopromoção, mas a capacidade de compartilhar aprendizados, dilemas e decisões relevantes.
Ao mesmo tempo, cresce a responsabilidade sobre temas como governança, segurança da informação e confiança. Esses aspectos deixam de ser técnicos e passam a sustentar reputações, marcas e relações de longo prazo.
Nesse contexto, o posicionamento se consolida como divisor de águas. Posicionar-se é escolher como se deseja ser percebido antes que o mercado faça isso por você. Não basta ser competente; é preciso ser reconhecido pelo impacto certo. O networking acompanha essa mudança: menos volume, mais intenção.
No fim, 2026 não elimina a importância dos bons executores. Eles continuam essenciais. Mas eleva líderes capazes de ler contexto, comunicar impacto e construir percepção de valor. O mercado decide menos por esforço e mais por resultado. Menos por cargo e mais por reputação.
Talvez, no futuro, 2026 seja lembrado como o ano em que líderes deixaram de ser definidos apenas pelo que fazem, e passaram a ser reconhecidos pelo impacto que geram.





























