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Uso de chupetas por adultos levanta debate sobre ansiedade e influências das redes sociais

Imagem e montagem feita com Inteligência Artificial na plataforma Gemini/Google

Popularizado na China e disseminado por redes sociais, hábito desperta reflexões clínicas sobre regressão emocional e influência digital na formação de comportamentos

O uso de chupetas por adultos, prática que ganhou visibilidade na China e começa a se expandir para outros países, vem despertando discussões sobre o impacto de tendências digitais na saúde mental. Inicialmente popularizada em plataformas como TikTok e Taobao, a prática é apresentada como estratégia para lidar com estresse, ansiedade e abstinência de nicotina.

As chamadas “chupetas adultas” são produzidas em silicone ou borracha e vendidas por valores que variam de R$ 8 a R$ 350, conforme o modelo. Muitos usuários relatam que o objeto proporciona sensação de segurança emocional, favorece o sono e diminui a inquietude. Há também relatos de que o hábito remete ao conforto da infância e reduz sintomas de abstinência em pessoas que tentam parar de fumar.

Para a psicóloga Maria Klien, o fenômeno pode ser compreendido à luz de mecanismos regressivos, em que o indivíduo busca, de forma inconsciente, reviver estados associados a períodos de menor exigência emocional.

A busca por objetos que remetem à infância pode funcionar como recurso de autorregulação emocional. No entanto, é preciso considerar que tal estratégia não atua sobre as causas da ansiedade, podendo gerar dependência psicológica e dificultar o desenvolvimento de recursos internos mais maduros” destacou Maria Klien.

Imagem e montagem feita com Inteligência Artificial na plataforma Gemini/Google

A popularização da prática ocorre em um cenário marcado pela hiperconectividade, onde tendências se disseminam em escala global em questão de horas. O ambiente digital, ao amplificar comportamentos que geram curiosidade ou sensação de pertencimento, potencializa a adoção de hábitos sem que haja reflexão aprofundada sobre seus impactos.

Quando um comportamento viraliza, especialmente em plataformas que operam por estímulos visuais rápidos, a adesão pode ocorrer por imitação, sem avaliação crítica sobre riscos e benefícios. Essa dinâmica reforça a importância de desenvolver consciência emocional e discernimento, para que escolhas não sejam guiadas apenas pela pressão social ou pelo imediatismo das redes” concluiu Maria Klien.

Especialistas alertam que, embora objetos de conforto possam ter efeito calmante momentâneo, eles não substituem acompanhamento psicológico para lidar com quadros de ansiedade. Intervenções terapêuticas oferecem caminhos mais consistentes para o fortalecimento emocional e a prevenção de recaídas em hábitos que funcionam como paliativos.

Imagem e montagem feita com Inteligência Artificial na plataforma Canva

O debate sobre as chupetas adultas, portanto, extrapola a análise de um modismo e abre espaço para reflexões sobre o papel das redes sociais na construção de padrões de comportamento. A exposição constante a conteúdos que exploram vulnerabilidades humanas reforça a necessidade de políticas públicas, educação emocional e diálogo aberto sobre saúde mental no ambiente digital.

Enquanto o fenômeno segue em expansão e conquista novos adeptos em diferentes países, a discussão sobre seus efeitos psicológicos continuará a demandar análises que considerem não apenas a superfície do hábito, mas as dinâmicas internas e sociais que o sustentam.

Maria Klien é psicóloga, pós-graduada em neuropsicologia, palestrante, escritora e empresária nas áreas de cannabis medicinal e cogumelos medicinais. Sua atuação clínica combina abordagens convencionais com práticas integrativas, com foco na escuta das manifestações emocionais vinculadas ao medo e à ansiedade. No campo empresarial, desenvolve soluções voltadas ao cuidado psíquico, criando instrumentos que colaboram para o manejo de questões subjetivas e a preservação da saúde mental.

@psimariaklien

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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