Projeto “Minha” cria aplicativo para proteger mulheres e meninas

Eleine Bélaváry

Uma questão social gravíssima, não só no Brasil como no Mundo, é a violência contra a mulher. Em 2019, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública informou que a cada dois minutos era criado um Boletim de Ocorrência em alguma delegacia do país com denúncia de vítima no convívio doméstico. E um problema que já era grave, tornou-se ainda mais crítico em decorrência do isolamento social provocado pela pandemia do Covid-19.

Desde o início da quarentena, em março, o número de denúncias recebidas pelo canal “Ligue 180”, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), aumentou 17,9%, em todo o país, em comparação ao mesmo período de 2019. No mês seguinte, em abril, o crescimento foi de 37,6%.

Curiosamente, algumas pessoas me perguntaram “mas esse tema tem a ver com sustentabilidade?” Sim!! E muito!! Sustentabilidade representa o equilíbrio entre 3 dimensões: bem-estar social, respeito ao meio ambiente e prosperidade econômica. Numa sociedade organizada e desenvolvida, estas dimensões são contempladas de forma integrada e harmônica. Assim, não há lugar para feminicídio e violências contra a mulher. Inaceitável, insustentável!

Na Agenda 2030 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU este tema se faz presente no ODS 5 – Igualdade de gênero: Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. Esta é a primeira vez que uma Agenda de Desenvolvimento Global aborda todas as formas de violência contra mulheres e meninas procurando destacar sua relevância e importância, considerando a meta de redução até 2030, fundamental para se obter desenvolvimento sustentável e garantir a plena realização dos Direitos Humanos.

Assim, inconformados com este panorama agravado pela pandemia, um grupo de jovens da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) inscreveu o projeto “Minha” na 2ª edição do Desafio de Inovação e Empreendedorismo, um evento que tem como objetivo criar soluções para os problemas gerados pelo confinamento social e levar efetivamente à sociedade os avanços tecnológicos resultantes de estudos, pesquisas, esforços e empreendimentos acadêmicos. A iniciativa da Universidade é sensacional e gera impacto não somente aos envolvidos, mas, principalmente, àqueles que serão auxiliados por suas soluções.

Entre 199 universitários que formaram 49 equipes, “Minha”, cujo propósito é o combate à violência contra a mulher, foi o grande vencedor desta edição da UFSCar, na modalidade “projeto de inovação”. Foram 11 palestras com público total estimado de 500 espectadores, 36 mentores e 20 jurados.

A equipe vencedora, liderada pela estudante de Engenharia Química Lívia Sanches Andrade e pelo estudante de Engenharia de Produção Lucca Alencar, tem como objetivos contribuir para a redução drástica da violência contra a mulher, por meio de um aplicativo que promove a conexão da vítima com psicólogas para o agendamento de teleconsultas; o acesso a informações sobre violência doméstica de forma simples e acessível; a participação da vítima em uma rede de apoio e fóruns de conversa. Além disso, a ferramenta disponibiliza um botão para ativar o “Ligue 180” de Denúncias.

“Minha” oferece conhecimento, apoio psicológico e emocional através de consultas online – por preço inferior à média do mercado – em ambiente seguro, acolhedor e eficiente. Também promove a conscientização das mulheres acerca do tema, desde o detalhamento do processo de denúncia até o acesso à rede solidária de psicólogas, mas o foco é na recuperação da vítima e prevenção de possíveis casos.

E foi nesse contexto que a morumbiana Cynthia Wood Passianotto, renomada psicóloga do bairro, entrou em cena. Segundo Lucca, “Cynthia foi mais que uma mentora para nós. Foi ela quem provou que a nossa proposta de valor tinha realmente um grande valor. A partir de então, além de nos orientar e se importar com a causa, ela esclareceu muitas de nossas dúvidas, convidou várias psicólogas para fazerem parte da rede solidária, fez depoimentos para sustentar o projeto. Portanto, tirando os membros, a Cynthia foi a personagem principal que nos tornou vencedores, tanto do hackhaton quanto do desafio de inovação da UFSCar”.

A iniciativa vem acumulando conquistas desde a sua criação no Hackathon da Enactus Brasil (powered by Unilever) e, atualmente, o maior foco está no desenvolvimento tecnológico do aplicativo, para o qual precisam de investidores e parcerias. Mesmo assim, continuam trabalhando na divulgação e no atendimento psicológico das vítimas de violência doméstica com as psicólogas parceiras.

O projeto já passou por uma fase de validação, rodou os primeiros ciclos de MVP, com a criação de mockups, e deu início à disseminação de informações sobre o assunto. Recentemente, foram criadas as redes sociais – @somosminha – com o intuito de divulgar informações e conhecimentos legais sobre a violência doméstica e os direitos das mulheres frente a essa situação.

No final de 2020, “Minha” entrou para o programa Yunus & Youth Fellowship de aceleração de empresas sociais da LATAM e conseguiu a parceria com um grupo de advogadas que os auxiliam no desenvolvimento do material de apoio. Os vencedores também receberam como premiação uma pré-aceleração da Baita Aceleradora, um percentual de bolsa no Master in Business Innovation da UFSCar, consultoria em Propriedade Intelectual e bolsa de consultoria linguística para auxilia-los na internacionalização do projeto.

Lucca que, pasmem, é filho de outra ilustre morumbiana – a “Dolce De” Gonçalves – enfatiza “Somos jovens inconformados com a realidade e estamos cada vez mais motivados a alcançar nosso objetivo, de conseguir ajudar a combater um dos problemas mais graves da nossa sociedade e ajudar o máximo de mulheres a desfrutarem plenamente de seus direitos, de sua liberdade e de sua felicidade, mudando o mundo de forma sistêmica e definitiva”. Por fim, para Lívia Andrade, a participação no Desafio UFSCar foi fundamental para a estruturação do projeto, a partir da organização das etapas de entrega e dos feedbacks recebidos, além da oportunidade de contatos e parcerias. “Com a conquista, poderemos evoluir muito mais rápido e de forma muito mais assertiva em direção ao nosso objetivo final, apoiados nas orientações e na rede de contatos que está sendo criada ao nosso redor. Todo esse apoio de pessoas que acreditam em nós nos fortalece muito no combate à violência contra a mulher”, conclui.

Para mais informações, interessados em firmar parcerias ou investir no projeto “Minha”, entre em contato com Lívia Andrade pelo celular (+5511) 96609-2992.

No Instagram, acesse @somosminha

Eleine Bélaváry é moradora do Morumbi, bióloga e Sócia proprietária da Connexion Negócios Sustentáveis

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