Economia Prateada: Maduros em alta

Eleine Bélaváry

O mundo está envelhecendo!! Sim! Estamos em plena Revolução da Longevidade. Em nível global, desde o início do último século, a expectativa de vida aumentou mais de 40 anos, a maior conquista social de nossa era. No Brasil, até 2050, 42% da população brasileira – cerca de 98 milhões – será de pessoas 50+ e 31% acima de 60.

Já em 2031, de acordo com projeções do IBGE, a população mais madura deve ultrapassar a de crianças e adolescentes. Isso significa que, enquanto os países mais velhos do mundo levaram séculos para chegar nesses índices, atingiremos isso em uma geração. Em números absolutos, o Brasil será a quinta nação com mais idosos do planeta.

Com isso, estamos testemunhando o início de uma grande reviravolta nos padrões de consumo de um mercado que, no Brasil, já movimenta perto de 2 trilhões de reais e representa a maior atividade econômica do planeta (US$7,1 trilhões anuais). É o silver money dominando e, para isso, o mercado precisa agir rapidamente, inovando e adaptando produtos, serviços e atendimento a este promissor público grisalho.

O envelhecer hoje é bem diferente. Atualmente, um indivíduo de 60 parece o de 40 do passado, em geral, com ótima saúde, mente ativa e, muitas vezes, com estabilidade financeira, o que o torna um exigente consumidor de bons produtos e serviços. Eles continuam viajando, investindo, namorando, empreendendo e estudando. Sobretudo buscam conforto e qualidade.

Na visão do Dr. Alexandre Kalache, gerontólogo e um dos mais renomados especialistas em longevidade no Brasil, há 4 capitais para envelhecer bem: o da saúde, o do conhecimento, o social e o financeiro. Resumidamente, a chave para longevidade ativa está na prevenção e tratamento de doenças, nos cuidados com alimentação e atividade física, no aprendizado contínuo e aperfeiçoamento de habilidades (lifelong learning), nas boas relações sociais e familiares. E para tudo isso, é fundamental ter um planejamento financeiro, que deve começar bem antes dos 60 anos.

Mas vou mais além. A ciência comprova que ter um forte propósito, saber que legado quer deixar para a sua família, amigos e sociedade, é o segredo de uma vida longa, feliz e com significado. Para se aprofundar neste conceito, recomendo o livro Ikigai: os segredos dos japoneses para uma vida longa e feliz, de Héctor García e Francesc Miralles (Editora Intrínseca, 2018). Segundo os autores, a ilha japonesa de Okinawa apresenta o maior índice de centenários do mundo porque seus habitantes nutrem a cultura do ikigai, que é a razão de ser, o motivo pela qual nos levantamos todas as manhãs. Enfatizam também que os sentimentos de pertencimento e de ajuda mútua contribuem para o aumento da expectativa de vida dos indivíduos.

Por fim, é fundamental que governo, empresas e sociedade ressignifiquem o olhar sobre os maturis, oferecendo boas condições para que o envelhecimento ativo e saudável seja uma realidade em nosso país. Governo, garantindo segurança e proteção aos idosos; Empresas, valorizando a diversidade com oportunidades de trabalho a profissionais 50+; e Sociedade, estimulando o respeito e acolhimento dos “prateados”.

Eleine Bélaváry é moradora do Morumbi, bióloga e Sócia proprietária da Connexion Negócios Sustentáveis

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