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Psicóloga Comportamental e Cognitiva, Neuropsicóloga, Psicopedagoga

A mamãe está com câncer. E agora?

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Muitas vezes, é compreendendo as incertezas e o que vem pela frente que as aflições vão embora

Quando uma mãe é diagnosticada com câncer, a família enfrenta um momento de angústia e mudanças, exigindo união, empatia e coragem. O processo envolve lidar com medos, tratamentos e a necessidade de transmitir esperança, muitas vezes aprendendo sobre termos médicos e efeitos colaterais enquanto se apoia emocionalmente.

Explicar o câncer a uma criança pequena exige linguagem simples, direta e honesta, adaptada à idade, sem esconder a doença, mas transmitindo segurança. Foque em dizer que a mamãe tem um “dodói” que precisa de tratamento, que ela pode ficar mais cansada ou perder cabelo, mas que está cuidando disso.

Dicas fundamentais para a conversa:

Seja honesta e simples: use o termo “câncer” ou “doença”, mas explique de forma que entendam: “algumas células do corpo não seguiram as regras e cresceram errado”. Evite metáforas complexas que possam gerar confusão.

Reassegure que não é culpa delas: enfatize que a criança não causou a doença (pensamentos ruins, desobediência, etc.) e que o câncer não é contagioso como uma gripe.

Fale sobre mudanças na rotina: prepare-os para o que vão ver: a mamãe pode perder cabelo, sentir enjoo ou ficar muito cansada. Isso diminui o medo do desconhecido.

Mantenha a calma e a rotina: transmita confiança. A criança se sente segura ao ver que, apesar do susto, a vida continua com previsibilidade.

Abra espaço para perguntas: responda apenas o que for perguntado. Se não souber a resposta, diga que vai descobrir e falar com o médico.

Use brincadeiras e arte: para crianças menores, desenhar ou usar bonecos para explicar o tratamento (ex.: “o remédio está lutando contra o dodói”) ajuda a processar a informação.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

O que evitar:

Mentir ou esconder a situação (crianças sentem quando algo está errado e criam fantasias piores).

Falar frases como “a mamãe vai ficar boa logo” se o tratamento for longo; prefira “a mamãe está fazendo tudo para melhorar”.

Se a barra estiver pesada e a criança muito preocupada e tensa a ajuda de uma psicóloga infantil pode ser necessário.

A psicóloga vai ajudar:

Adaptar termos médicos complexos para a linguagem do universo infantil.

Ajudar a criança a ter um espaço de expressão permitindo que a criança sinta raiva, medo ou tristeza sem medo de magoar a mãe doente.

Mediar o vínculo: criar estratégias para manter a conexão mãe e filhos ativa, mesmo durante internações.

Usar brinquedos e bonecos para simular o hospital e os tratamentos (como a quimioterapia).

Construir calendários ilustrados para que a criança preveja quem cuidará dela a cada dia.

Utilizar de literatura infantil terapêutica sobre o câncer para gerar identificação.

Abaixo, inclusive coloco algumas dicas de livros que podem ser lidos pelos familiares:

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

O Método dos Pontos (Kelsey Mora): livro interativo que usa desenhos e atividades para explicar células, tratamentos e efeitos colaterais, ajudando a nomear sentimentos.

Minha Vida, Sua Doença (Canadian Virtual Hospice): recurso focado em ajudar crianças a entender a doença de um ente querido.

Conversando com meus amigos da casa na árvore sobre o câncer (Peter R. van Dernoot): guia prático para filhos de pais com câncer.

Quando alguém tem uma doença muito grave (Marge Heegaard): focado em ajudar a lidar com a perda e a mudança.

Planeta dos Carecas (Ariadne Cantú): aborda o câncer de forma lúdica, focando na aceitação das diferenças (carecas) e no tratamento.

O que é Câncer?: um livro para crianças (Carolina Schmidt): escrito por uma farmacêutica oncologista, explica a doença com verdade e leveza.

Quando alguém que você ama está com câncer (Alaric Lewis): guia para crianças sobre as mudanças na rotina, como cirurgias e quimioterapia.

Por que, Charlie Brown, por quê? (Charles Schultz): uma história comovente que aborda o câncer no ambiente escolar e familiar.

O tratamento oncológico é muito sofrido. Tudo o que pudermos fazer para amenizar o processo, aliviar a dor não só da pessoa doente, mas também de cada membro da família é válido.

Quando todos se unem pelo mesmo propósito, a jornada fica mais leve.

Muitas vezes, é compreendendo as incertezas e o que vem pela frente que as aflições vão embora. E a criança precisa de estar informada e amparada para que se sinta segura.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Mineira de Poços de Caldas, Cynthia Wood Passianottoé formada pela Universidade São Marcos, com especialização em Neuropsicologia e em diversas outras áreas que focam na formação infantil e adolescente. Mãe de 2 filhos, casada com o também psicólogo Luciano Passianotto, Fundou e dirige o espaço Crescendo e Aprendendo no Morumbi, no qual se dedica no trabalho educacional e de orientação à educação de crianças e adolescentes há mais de 20 anos.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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